sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

623 - Tempo de luzes

TEMPO DE LUZES!

Circulando pela cidade, já podemos ver casas, ruas e praças enfeitadas com luzes faiscantes, uma beleza! Daqui a poucos dias, estará toda a cidade nesse brilho. A Praça da Feirinha... que maravilha!

No ano passado, uma de minhas irmãs chegou mais ou menos nesse tempo, só que depois do Natal. E, ao buscá-la na rodoviária, precisei fazer um caminho mais longo para chegar ao destino, pois ela ficou encantada com tudo o que via.

Passamos por vários lugares, até mais de uma vez, para ver melhor, de um lado e do outro. Muita emoção! Dizia que nunca havia visto ornamentação tão rica, tão grande! Suntuosidade única!

No dia seguinte, fomos à Santa Missa e lá na igreja também, o brilho era enorme. Católicas que somos, ali é que ficamos ainda mais felizes, ao encontrar o verdadeiro motivo de tanta empolgação, o verdadeiro sentido de se encantarem tanto, os olhos que transitam pelas ruas de nossa cidade.

E é aqui que eu quero chegar e onde cabe-nos uma reflexão: Quer queira ou não, é Ele o dono da Festa. Pense ou não no porquê de tudo isto: só tem realmente sentido porque Ele existe e não há quem possa dizer o contrário.

Ele veio – e está no meio de nós!

O que nos entristece um pouco, é saber que muitos enfeitam casas, jardins, e até telhados e ruas – sem pensar no Fato Extraordinário que é O NATAL!

O NATAL, meus irmãos, é a maior data da Cristandade! Jesus, o Filho de Deus, veio ao mundo e dividiu a História da Humanidade. Dividiu-a em duas grandes partes: Antigo Testamento e Novo Testamento! Ou seja: Antes de Cristo – e Depois de Cristo! Quem duvida?!

Os grandes Letrados, Estudiosos de todas as Áreas do Conhecimento, conhecem e,  forçosamente, utilizam as expressões: a.C. e d.C. Não há como não utilizar! Como situar fatos que aconteceram antes da Sua Vinda e depois da mesma?

O bonito de toda esta História é ter a certeza de que Ele está com todos, Ele ama a todos, incondicionalmente; ama a todos e a cada um de nós, não importa nacionalidade, condição social, habilidades, atitudes, conhecimentos vários, religiosidade...

Nada disto a Ele importa; somos todos Filhos de Deus, viemos de Deus – e vamos voltar para Deus! E vamos, certamente, prestar contas das boas ações que aqui praticamos. Apenas isto. Compete, portanto, a nós, buscá-lO, enquanto se pode achar; Ele nos conhece, chama-nos pelo nome e nos ama. Da parte dEle, tudo bem: façamos a nossa parte! Chame-O, você – e eu também! E que Ele nos ouça e nos atenda. Amém?!

E folgo em dizer, com fé: “Maior Luz, é JESUS!”

Celina

sábado, 20 de setembro de 2025

622 - RELEMBRANDO


RELEMBRANDO...

Preciso falar sobre isto! Porque me veio, com muita nitidez, neste final de semana. Fiz em poucos segundos, uma retrospectiva perfeita de como e quando tudo aconteceu.

Lembrei-me de que meu pai assinava a “Folha de Ubá” - um jornalzinho municipal e, quando chegava, eu o devorava rapidamente. E, certa vez, vejo a notícia da morte do filho de um dos donos do jornal: um acidente violento e fatal; comoção geral!

Senti o drama, me assentei e escrevi um soneto. Parabenizaram-me, agradeceram e se puseram à disposição para publicarem outros poemas. Foi como “jogar o sapo n’água!” Passei a mandá-los e ficava aguardando, com ansiedade, o próximo número.

Quem me fez acreditar em meus escritos, foi a professora de Português, Dona Maria Emilce, no primeiro ano de Ginásio, quando pediu para fazermos um texto intitulado: “Meu Ideal”. Escrevi rapidamente, dizendo que gostaria de ser Professora; ela, que era muito exigente com a escrita, saiu de sala em sala, lendo o meu texto, frisando a correção e demais características positivas e dizendo a todos: nota máxima!

E eu, pobre, humilde, quieta no meu canto, estudando com bolsa de estudos, comecei a ser procurada para aulas particulares. Quanto mais comentavam meus aproveitamentos nos estudos, mais eu me esforçava para ser melhor a cada dia.

Cheguei ao Curso Normal, Irmã Doralice pediu-nos que escrevêssemos sobre os meninos de rua, utilizando qualquer gênero literário. Fiz um poema, intitulado: “Peregrinação”. Ela gostou muito e incentivou-me a continuar com meus poemas. Foi o que fiz!

E já aqui, em Sete Lagoas, digitei, utilizei fotos coloridas, imprimi os 151 poemas que eu havia guardado, num trabalho totalmente artesanal, capa dura, para cada um dos quatro filhos, entregando-os no Dia do Batizado do Lucas.

Levei-os quando fui participar das reuniões do Clube de Letras e fui incentivada a transformar aquele trabalho, em “Livros de Verdade”. E foi o que aconteceu: intitulado “Retalhos d’Alma” foi o primeiro dos dez livros da atual Coleção.

E por que me lembrei de tudo isto, neste final de semana que passou? Porque entreguei o “Décimo Livro de minha autoria” no Dia da Primeira Comunhão do Rafael, o sétimo neto.

“Toda caminhada, começa com o primeiro passo!”

(Celina - 18/09/25)


sábado, 6 de setembro de 2025

621 - Para onde?...

Para onde?...

Aqui em casa, temos uma pitangueira; bem no centro do quintal; enorme! Na altura e na largura.

Todo ano, quando se aproxima a primavera, ela se enche de flores; lindas; branquinhas. Ela se  veste de noiva, se enfeita toda, como para os esponsais.  Uma beleza!

E todo ano, lá vêm elas. Logo que me levanto, antes do nascer do dia, ao chegar à cozinha, ouço um barulho intenso: um zum-zum-zum muito alto, de sonoridade específica, bem distinta; são elas: as abelhinhas! Lindas, lépidas, esvoaçantes, rápidas no voo, barulho intenso.

Corro, pego o celular. Fotografar o quê? Não as vejo, apenas ouço; faço um áudio, ouço depois. Apenas o barulho característico.

Tão rápidas são elas, tão florida toda a árvore, pego apenas uma ou duas no voo; tão pequenas que parecem invisíveis.

Gostaria de ficar ali; e tentar vê-las; mas preciso sair. E quando retorno, já nada se ouve. E em outras manhãs, não as ouço mais. Elas se vão... Para onde?... Para onde foram? E nos anos  que se seguem, lá está o barulho novamente. É sempre assim! Seriam as mesmas?... E por onde andaram durante todo o ano?... Eu gostaria de saber...

É impressionante a Obra da Criação! Quantas vezes a exuberante fauna de nosso país nos surpreende!  Fauna tão rica, flora de uma diversidade enorme!

Quanto às minhas abelhinhas, hoje, não as vi mais; já se foram! Deixaram saudades. Foram-se, como nos anos anteriores. Para onde?... Não sei; infelizmente, não sei!

Só tenho uma certeza: elas vão voltar! Porque sempre é assim. E eu quero que Deus me dê um tempo de folga para eu ficar ali, debaixo da pitangueira, a escutar aquele zum-zum. E quando ele estiver rareando, vou prestar bastante atenção porque preciso descobrir e responder pra mim mesma, esta interrogação que me intriga todos os anos: Para onde foram as minhas abelhinhas?!

Sei que um dia, terei que descobrir. Por enquanto, o título deste texto continua este: Para onde foram? Porque eu ainda não tenho uma resposta, e estou com saudades daquele barulho, tão intenso quanto intrigante.

No próximo ano, espero um título diferente para o meu pequeno texto. Sim que o terei!  Por enquanto, a pergunta só pode ser esta: “Para onde?...”

                                                                                                                                   (Celina  -  06/09/25)  

sábado, 26 de julho de 2025

620 - Inocência das Crianças!

  Inocência das Crianças!

Esta crônica de número 620 (seiscentos e vinte) do blog Botões de Rosas, saiu pronta lá do Santuário, hoje, quando o sacerdote falou sobre o Dia dos Avós e pediu que colocássemos em Oração, os nomes dos nossos avós, vivos ou falecidos.

Lembrei-me com carinho do nosso avô, Manoel, lá de Ubeba, pra lá de Ubá. Era um local muito bonito, uma casinha modesta, mas um pomar imenso com muitas e saborosas frutas. Lembro-me das mexericas, conhecidas pelo injusto apelido de "candongueiras". 

Segundo o nosso avô, só poderíamos apanhá-las quando estivessem bem maduras. Mas nossos pais pensavam diferente. Então, a mamãe nos dava uns bornais - como umas sacolas - e pedia a cada um que os enchesse com mexericas e os escondesse.

Lembro-me que ele estava sempre em uma cadeira, porque não caminhava mais. Contaram-nos que, na festa de casamento de uma filha, a mesa do banquete - algo improvisado - caiu em suas pernas, inutilizando-as para sempre. 

Coitado do vovô! A gente morria de dó dele, porque não podia caminhar como nós, mas o achávamos um sábio, um adivinho. Por quê? 

A mamãe dizia sempre que era pra não chupar ali, nem umazinha sequer, que lá em casa a gente chuparia muitas. É o mesmo que falar com uma criança pra segurar gostosos pirulitos e não dar nem uma lambidinha. Ah, mamãe! Como obedecer?

E era uma lástima, pois quando chegávamos perto do vovô para "pedir a Bênção", ele logo dizia: "- Ah! Já foram comer frutas verdes!... Está errado! Não pode!"

Ficávamos intrigados com aquilo: "Uai! Quem contou pra ele? Como ele podia saber que a gente chupou das suas mexericas?" Éramos todos muito pequenos e tínhamos aquele velhinho como um homem bom, mas muito diferente! Ele adivinhava tudo! 

Como éramos infantis, como éramos crianças de verdade! Que inocência!... Nosso Vovô Manoel era realmente um sábio, um adivinho, um profeta, sei lá o quê... Alguém diferente das outras pessoas que a gente conhecia...

Quanto ao vovô paterno, nunca o vimos, não sabemos se também era adivinho!...

(Celina  -  26 de julho - Dia dos Avós)

 

 


segunda-feira, 7 de julho de 2025

619 - QUE ALGUÉM LEIA!

  QUE ALGUÉM LEIA!

Meu Deus! Como dá trabalho fazer um Livro! Quem nunca fez um, não tem, certamente, noção disto, não sabe o quanto é trabalhoso, dispendioso, preocupante, cansativo...

E o pior: sempre se faz, na esperança de que alguém leia! E quantos livros, novinhos, sem sinal de que foram abertos, anos e anos depois!... Que pena! Talvez pudesse fazer bem a alguém...

Pensei nisto agora, quando é mandado para o prelo, o meu décimo livro... De vez em quando, a gente tem um feedback, mas isto é tão pouco para alguém que gasta dias e dias, noites e noites, madrugadas a dentro, colocando no papel, aquilo que o incomoda.

Sim, porque o pensar incomoda. Como a semente que se encontra dentro de uma fruta e quer sair para o mundo, quer se transformar numa criatura como aquela de onde veio, deseja germinar, crescer, florir, frutificar, para novas sementes, assim também, a ideia que brota, quer gritar, sair por aí, quer convencer... quer se mostrar e... viver! Ser aplaudida, talvez!

Não que se necessite de aplausos, não é isto. Pouco importa se quem o lê, concorda ou não com o que é dito; se o que pensa vai exatamente de encontro ao que ali é proposto. O que o autor deseja é que se tome conhecimento do seu jeito de pensar, o seu modo de ser, de fazer, de se mostrar. É possível que um texto, uma frase, uma palavra, leve o leitor a refletir, a questionar... E isto é o que se propõe.

Livros não são feitos para ficarem fechados em gavetas e prateleiras. Eles querem, certamente, que sejam abertos, lidos, questionados, fazendo chorar, ou sorrir ou, no mínimo, pensar. Livros querem ser presença! São um presente! Querem sê-lo!

Meu queridíssimo "Décimo Livro" - que as Crianças o leiam, já que você nasceu para elas, tão somente! Foi encomendado, pensado, gestado... ficou pronto, de leve roupagem. Tenho certeza de que você vai ser útil a elas, fazendo-as voar, nas asas do pensamento! Elas vão gostar de conhecê-lo. E você vai ficar feliz ao vê-las felizes! Vai ser bom!

(Celina - 07/07/25) 

 


618 - MAGNÍFICO TAPETE ROSA!


 MAGNÍFICO TAPETE ROSA!

Eu havia chegado de carro - e entrado já na garagem, quando me lembrei de que necessitava fazer algumas compras. Como seria pouca coisa, saí a pé. Ando sempre muito rápido, mil pensamentos a povoar-me o cérebro, coisas a resolver...

De repente... "Meu Deus, o que é isto?! Eu passei aqui agora!... Como pode?..."

_ Um enorme tapete rosa, retangular, lindíssimo, a ocupar toda a calçada! Que maravilha!!! 

Não! Não tenho coragem de pisar em tão divina obra do Criador! Olhei para cima - mais para o céu, que para a criatura que deixara formar ali, aquela suntuosidade, tão excepcional e rara!

E mudei de calçada, pensativa: "Meu Deus! Que inteligência humana seria capaz de tão grandioso feito? Quem poderia fazer crescer e florir árvores de beleza infinita, como os nossos ipês de tão lindas cores que extasiam o olhar de quem os contempla?..."

E ontem, domingo, à tarde, saio para, com outras pessoas, levarmos os Ícones do Jubileu de Platina de nossa Diocese, que estavam na Capela de Santa Teresinha, para a Catedral de Santo Antônio. Estaciono ali, ao lado da lagoa central, perto da E. E. Dr. Arthur Bernardes. 

Quando retorno, o carro está todo enfeitado, todo rosa, flores maravilhosas a colori-lo, um presente de Deus! Venho devagar, observando as flores, como belas e esvoaçantes borboletas, levadas ao vento; algumas chegaram até aqui e estão ainda ali, no para-brisa, a fim de que eu possa provar ao esposo e netos, o presente recebido.

Como é preciosa e divinamente perfeita, a obra da Criação. Obrigada, Senhor!

(Celina  -  07/07/25)


sábado, 28 de junho de 2025

617 - Gratidão

GRATIDÃO

Imbuída de um forte sentimento materno e sempre encontrando delicadezas em bons alunos nas escolas por onde passei - mais de vinte, com certeza, em sete cidades de singelas lembranças! - sempre encontro pelas gavetas, lindos tesouros que me fazem voltar no tempo.

Hoje, a ternura da Nízia, numa cartinha cheia de infantis elogios e doces palavras.

Trabalhando o gênero literário "cartas" em Três Marias, numa turminha de terceiro ano, na escola Ermínio de Morais, e me encontrando, no ano seguinte, em Diamantina, no Grupo Júlia Kubitschek, numa turminha muito boa, no mesmo estágio de aprendizagem, montei um Projeto de Correspondência entre as duas turmas.

A princípio, reunimos as cartinhas de todos os alunos e colocamos numa agência dos Correios. Expectativa!...

E a alegria das respostas que chegam!

E aí, a Nízia, filha do Dr. Edmar e a Ana Carolina, filha do Dr. Júlio da mesma especialidade médica, continuaram se correspondendo, como posso ver pela sua doce cartinha.

Entre outras expressões de carinho, ela me diz:  "Três Marias, 09/03/90 - Tia Celina - Há tempos que lembrava de seu aniversário, uma semana antes e esquecia de escrever e desta vez, criei responsabilidade."

Mais adiante: "Não consigo entender como consegue fazer tanta coisa. Você é uma vitoriosa na vida. Pode ter certeza!" - E coloca entre aspas, a expressão  "vitoriosa na vida". Observação interessante   para uma criança de uns 9 anos!

E observa: "Imagino a barra que estão passando, sem o Waldívio em casa. Nós, sem o Tãnus, já está sendo difícil!" (Ele, meu esposo, havia sido transferido; e o irmão dela, certamente, deveria estar estudando em outra cidade. Que delicadeza da parte de uma criança!)

Fala de sonhos e  projetos: "Diga ao Walcely que também quero fazer Odontologia.  Gostaria de ver você novamente! Quem sabe um dia, num final de semana, aparecemos por aí."

"Continuo correspondendo com a Ana Carolina. Mas ela me disse que iria mudar. E não me deu o endereço novo. Estou esperando ela me escrever."

"Abraços de sua amiga de sempre, Nizia". Crianças saudosas, dando o seu recado. 

Já aqui, em Sete Lagoas, minha filha Walcelina a encontrou um dia no Facebook e pudemos voltar a nos comunicar, agora, que ela se encontra em terras de além-mar, com o filho e o  esposo.

Amo acompanhar vidas daqueles que foram, um dia, meus alunos. Gratidão imensa a você, Nízia Vital Saúde, e a todos os outros que me dão um "Oi" de vez em quando.

(Celina  -  28/06/25)


sexta-feira, 16 de maio de 2025

616 - PARA REFLETIR, CRIANÇA!

  PARA REFLETIR, CRIANÇA!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo São João.

"Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 'Não se perturbe o vosso coração. Vós tendes fé em Deus; tende fé em Mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, Eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E quando Eu for e tudo estiver preparado, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde Eu estiver, estejais também vós. E para onde Eu vou, vós conheceis o caminho'.

Tomé disse a Jesus: 'Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos saber o caminho?'

Jesus respondeu: 'Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai, senão por mim!"

*******

Reflita, Criança, sobre estas Palavras, neste diálogo de Jesus com seus apóstolos, saindo do plano natural para o sobrenatural. Saindo desta vida terrena e levando-os a pensar nas belezas da Vida Eterna! 

O que Ele disse aos seus amigos, antes de voltar para o Pai, é o que Ele diz a cada um de nós, hoje, não é? Ouçamos a voz do nosso amigo, Jesus,  e acreditemos em Suas Palavras, pois, como disse o apóstolo Pedro, Ele tem Palavras de Vida Eterna!

Pensemos nisto!

(Celina  -  16/05/25)



quarta-feira, 23 de abril de 2025

615 -- EU, CRIANÇA!

 EU, CRIANÇA!

Eu prometo, durante toda a minha vida, jamais me esquecer de que tenho sempre, Jesus e Maria, caminhando comigo, como também o meu Anjo de Guarda.

Eu prometo que sempre vou reconhecer Jesus como a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade - Pai-Filho-Espírito Santo; como nosso Irmão Maior, Filho de Maria, que é a nossa Mãezinha do Céu, pois Ele a deu por Mãe a todos nós, na pessoa de João Evangelista, seu Discípulo Amado. 

Eu prometo que sempre vou pedir a intercessão da Sagrada Família de Nazaré - Jesus-Maria-José, para proteger a minha família e as famílias do mundo inteiro..

Eu prometo que vou ser uma pessoa do Bem, respeitando, vivenciando e transmitindo as Palavras do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, reconhecendo que Ele é "o Caminho, a Verdade e a Vida!"

Eu prometo que vou dizer a todos que eu sei que Ele é o "Caminho", pois foi Ele mesmo quem disse: "Ninguém vai ao Pai, senão por Mim!" Por isto, Sua Mãe Maria, Seu Pai Adotivo, São José e todos os Santos podem interceder por nós, porque reconheceram sempre o senhorio de Jesus!

E somente Ele pôde trazer para o Ser Humano a Verdade sobre o Reino de Deus!. E foi também Ele quem soube manifestar a todos os Seus discípulos, a Vida plena, a Vida Eterna, a Vida após a morte, ressuscitando ao terceiro dia, ou seja, no Domingo de Páscoa!

Sei tudo isto - e muito mais!... Por isto, vou ser uma pessoa Católica de verdade, anunciando o que Jesus nos propôs. Prometo sempre fazer uma leitura orante da Bíblia, para que nunca me esqueça de que devemos muito àqueles que a escreveram, sob a ação do Espírito Santo de Deus. 

Prometo que serei sempre uma Pessoa Boa. Este é o meu Juramento! 

(Celina - 23/04/25)  


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

1000 -- O VINHO BOM!

 Para participar do Livro 

O VINHO BOM

Certa vez, alguém me afirmou que uma excelente prática para a saúde é tomar um pequeno cálice de vinho, antes do almoço. Não sei por que, acreditei - talvez por ser mesmo gostoso, o vinho tinto suave. Adquiri logo uma garrafa, coloquei na geladeira e comecei a degustar todos os dias uma pequena dose.

Era muito pouco, pois não gosto mesmo de bebida e não tenho tido muitos fatos positivos pra contar a respeito. Só que, sobre esta última afirmativa, tenho me baseado em pessoas que exageram no álcool; e nem é preciso falar sobre o mal que tal hábito acarreta.

Mas eu bebia pouco: apenas um cálice; pouquíssimo, na verdade! Que mal podia haver nisto? Então continuei por um largo tempo, sempre com o meu copinho,  ao me sentar para almoçar. E estava acreditando que fazia mesmo bem,  à minha saúde.

Acontece que, com o passar do tempo, fui perdendo tal hábito e, aos poucos fui me esquecendo disto e, há muito, nem me lembrava mais. 

Encontrando um dia com a Fabiana, ela me falou deste novo projeto de uma obra coletiva e o tema era exatamente - "O Vinho".

Lembrei-me então que há muito tempo não adquiria aquilo que eu pensava ser bom para a minha saúde, favorecendo a circulação sanguínea e outras vantagens que aquela amiga, lá atrás, havia realmente me feito acreditar. Comprei então, do mesmo vinho, e está ali, na geladeira. E a partir daquele dia, voltei a tomar, quando me lembro.

Mas - isto foi só a título de introdução. Poderemos falar sobre vinho em vários enfoques. Eu, desde o primeiro momento, elegi o enfoque bíblico, em três situações diferentes. 

Sabemos que era muito comum na época de Jesus, o cultivo da uva e do trigo. Muito utilizado nas refeições, o pão e o vinho. Eram elementos sempre presentes, em maior ou menor escala, na casa do rico e na casa do pobre. 

Não faltam episódios na vida de Jesus, onde se falam destes dois alimentos. Penso que todos já ouviram repetidamente, sobre o milagre das "Bodas de Caná". E o que dizer sobre isto? 

Tendo Jesus, o Filho de Deus, completado trinta anos, segundo a Bíblia, era hora de começar sua missão. Assim sendo, Ele foi procurar fazer o que todo bom israelita fazia: batizar-se nas águas do Rio Jordão. 

Ao chegar àquelas margens, lá estava seu primo, o filho temporão de sua parenta Isabel, João Batista, que logo o reconheceu. Era um batismo de conversão e João era muito procurado e estimado por todos; e temido também, como nos mostram alguns episódios relatados.

Muitos homens lá estavam naquele dia, entre eles, dois que conhecemos: André, irmão de Simão Pedro - filhos de Jonas -  e João, irmão de Tiago - filhos de Zebedeu. Eram pescadores e sempre que podiam, lá iam eles, porque gostavam de ouvir João Batista.

Ao sair da água, Jesus foi para o deserto, onde ficou por quarenta dias, diz a Bíblia. E ao retornar à sua casa, em Nazaré, sua mãe fala de uma festa de casamento para a qual haviam sido convidados.

Dias passando, a mãe preparando roupas novas para comparecerem dignamente, eufóricos com o acontecimento. Quase toda judia tinha em casa um tear, onde os tecidos eram feitos, principalmente utilizando a lã, proveniente da tosquia das ovelhas; lãs que recebiam cores diversas pela tintura feita em casa mesmo, com materiais de cores fortes, para um colorido diversificado. Tingidas, a lã, a seda, o linho, algodão, fibras diversas, e secas ao sol, era hora de cardar bem e levar ao tear, para a confecção.

Assim, em todas as casas dos convidados, certamente havia alguém muito atarefado, fazendo as roupas para o grande dia.  E o que dizer da família dos noivos? Certamente, na maior preocupação com tudo o que deveria servir para a satisfação dos convivas. Ninguém queria certamente, passar vergonha com a falta de alimentos. Havia mesmo muito o que fazer, já que as festas de casamento duravam muitos  dias! 

Bem, deixemos os noivos e voltemos para Jesus e Maria, também com os preparativos, mas em  menor preocupação. E Jesus, andando por ali, já havia conhecido alguns amigos, entre eles, André e João, que estavam presentes no dia do seu batismo, lá nas margens do rio Jordão e que haviam falado dele para os seus irmãos Pedro e Tiago. Eram pescadores e estavam sempre juntos e foi fácil para Jesus, fazer amizade com eles.

Uma amizade grande e sólida, que durou até a eternidade! Sempre que Jesus necessitava de um silêncio maior, ou mesmo de um ato do qual pediria segredo, Ele levava consigo Pedro, Tiago e João. Elogiava muito as atitudes de André também; eram seus amigos, de verdade e sabia que podia contar com eles, desde o início.

Mas... e a festa de casamento, como foi?... O que houve de tão importante nas Bodas de Caná, que me fez relatar tal fato neste texto? Importância ímpar, porque ninguém quer que uma festa termine tão rápido e de forma tão vergonhosa. Explico: o problema foi o vinho, a alma da festa naquela época, como o é hoje a cerveja ou chopp para os grandes e os sucos e refrigerantes para as crianças.

Sim! O vinho acabou. E aí? O que servir para continuar a alegria da festa? O vinho acabou! E agora?... Maria, a Mãe, percebeu o embaraço dos responsáveis e se prontificou a ajudar. Mas... como?

Como?... Ela não era a Mãe do Filho de Deus?... E Ele não estava ali com ela? Que fazer?... Tomou então uma decisão profundamente séria e - confiante!

_ Filho! Eles não têm mais vinho!...

E, analisando a resposta dele, aqui fica a dúvida: Ele não sabia mesmo que ainda não era a sua hora, ou Ele quis testar a fé de Sua Mãe?... Ninguém certamente saberá responder a esta pergunta... 

O certo é que, após a fala dele, ela nada respondeu;  simplesmente se dirigiu aos criados e lhes disse para  fazerem tudo o que Ele dissesse. Foi só isto! Virou as costas - e saiu. 

O que aconteceu então, todos sabemos, está lá na Bíblia, com todas as letras: alegria geral, vinho bom, o melhor que tinham degustado até então! Fantástico isto, não?... Seis talhas de um excelente vinho! Mais ou menos, seiscentos litros! É muito vinho, é grande a alegria, grande o milagre, grande a confiança de uma Mãe!

Mas não é este fato estupendo, o que mais me emociona na vida de Jesus, com relação ao vinho. Lá, bem lá na frente, após ter caminhado bastante com as pessoas de seu convívio, após a formação de um apostolado fiel e um discipulado mais ou menos numeroso, aconteceu o que é para mim, o grande e valioso milagre. Tão antigo e tão atual! Tão necessário e imprescindível em qualquer parte do universo! 

Sempre me emociono ao falar disto. Jesus estava lá no Cenáculo, com os doze apóstolos. Poderia ser aquela uma ceia comum como tantas outras. Mas não foi! Foi o que de mais maravilhoso o Filho de Deus fez aqui na terra. Fantástico! Místico! Monumental!

Solenemente, Ele tomou o Pão, olhou para o Céu, abençoou  - os apóstolos em completo silêncio! - e distribuiu; deu um pedaço a cada um dizendo: "Tomai e comei! Isto é o Meu Corpo." O quê?...

Tomou um cálice de vinho, olhou novamente para o Céu, abençoou. E disse: "Tomai e bebei! Isto é o Meu Sangue!" O quê??? Sangue?... E Ele continua: "O Sangue da nova e eterna Aliança." (Uma Aliança nova?...)

Cada um comeu seu pedaço de pão! - Silêncio... E todos beberam do cálice!... Silêncio!... Suspense...

E Ele disse mais: "Fazei isto em Minha Memória!"  Como assim?...

Então, Ele estava se despedindo? Então, estava indo embora...

Como entender?...  Como acreditar?!...

Entenderam - mais tarde. E acreditaram! Ele voltou à vida. Conversou com todos. Consolidou Sua doutrina. E comeu com eles, ainda... E falou mais... E explicou ainda muitas outras coisas. Disse que voltaria para o Pai, mas não os deixaria órfãos: mandaria o Espírito Santo e eles então, com essa luz, entenderiam tudo o que Ele havia explicado! Tudo, tudo, tudo seria lembrado e eles poderiam evangelizar o mundo inteiro!

Lembraram mesmo! E anotaram tudo. E levaram muito a sério, principalmente o “Fazei isto em minha memória.” É o ápice da nossa crença, o mais sublime da Religião que Ele criou, o mais belo milagre de todos os tempos e lugares do mundo inteiro!

Em todos os nossos altares, não faltam o Pão e o Vinho, alimentos que, após Aquelas Palavras, com a transubstanciação, já não são “pão e vinho”, mas, sim, o que Ele disse, naquela Ceia derradeira: Corpo e Sangue, que depois da Ceia se entregaram por nós, Corpo dilacerado pelos algozes, cruelmente açoitado, maltratado, crucificado; Sangue derramado, pelas ruas de Jerusalém, até a última gota, no Calvário!

Sim. “In Persona Christi”, o Sacerdote Católico, solenemente pronuncia as Palavras de Jesus. É o próprio Jesus quem nos fala, pela boca do Seu ungido. Isto tudo é muito lindo!

Quando alguém me pergunta sobre isto, talvez duvidando de um fato, tão real, quanto misterioso, eu simplesmente sugiro: Vá à internet – recurso de que todos hoje dispomos – pesquise sobre ‘Milagres Eucarísticos”. Você vai se surpreender ao constatar e confirmar esta grande Verdade: “Quantas vezes, em lugares diferentes do mundo inteiro, pingou sangue da Hóstia Consagrada!”

E digo mais: Pesquise também sobre o jovem italiano, Carlo Acutis, que catalogou mais de cento e trinta Milagres Eucarísticos, durante sua curta vida aqui na terra. Criança ainda, adolescente, ele evangelizava através da internet, com seu computador, sempre a serviço do Reino de Deus. Faleceu jovem, vítima de uma leucemia, que o levou à morte. Muito lindo e gratificante saber que, treze anos após sua morte, foi encontrado com o corpo incorrupto, vestido de calça jeans e tênis da Nike, ou seja, um jovem do nosso tempo, que conquistou a santificação, em tão pouco tempo de vida. Um santo dos nossos dias, um ser humano como qualquer um de nós, mas que soube valorizar principalmente, a Eucaristia, Cristo Vivo, naquilo que antes era um simples pão, como qualquer outro. Sintam o valor da Eucaristia!

O valor da Eucaristia! O valor da Igreja fundada por Jesus Cristo! Por isto, não podemos aceitar nada que fale de pão e vinho, após a transubstanciação. Não é mais pão, não é mais vinho - é Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo! Nem por uma fração de segundo, podemos duvidar desta Verdade Absoluta!

Uma distância enorme entre o pão e o vinho que oferecemos no início da Celebração, e  o Corpo e Sangue, que recebemos, no final da mesma! Foi Jesus quem nos deixou este legado, foi Ele quem nos deu este presente, foi Ele quem, ao término de Sua Missão aqui na terra, precisando voltar para o Pai, quis continuar, fisicamente, conosco. E instituiu naquele momento, naquela ceia, a Santa Comunhão. Alguma dúvida?... E os apóstolos, primeiros Sacerdotes, primeiros Bispos, primeiro  Papa - São Pedro – os doze, já que Judas Iscariotes foi substituído por Matias, os doze primeiros foram impondo as mãos sobre outros, chegando até os nossos dias, continuando pelos séculos dos séculos. Amém!

Eu disse, lá no início deste texto, que iria abordar o assunto, no enfoque bíblico, em três situações diferentes. Pois é. Falei da fantástica transformação de uns seiscentos litros de água, no melhor vinho que aqueles convidados poderiam degustar, naquela festa de casamento, em Caná da Galileia. Era somente água; Jesus transformou em vinho; jamais voltaria a ser água!

Falei da Eucaristia. Era pão e vinho. Foram transformados, pela ação do Espírito Santo, no Corpo e Sangue do Nosso Jesus; jamais voltarão a ser pão e vinho; jamais! Nós não comungamos pão e vinho; comungamos o Corpo de Cristo, tão vivo, perfeito e maravilhoso como está no céu; e como estava aqui na terra conosco, caminhando com seus apóstolos e discípulos! Cremos firmemente nesta Verdade Absoluta!

E o terceiro enfoque?... Os dois estão lá na Bíblia, ao alcance de todos. E onde está o terceiro?...

Na verdade, estou chamando a este, de terceiro enfoque; porém, ele seria o primeiro, porque anterior aos demais. Mas este, eu não achei na Bíblia Sagrada. Aliás, se fossem relatar em livros, tudo o que Jesus fez aqui na terra, disse São João, o Evangelista, "nem no mundo inteiro caberiam todos os livros com as ações, de Jesus no tempo em que aqui esteve, entre nós" - João, capítulo 21, versículo 25!  

No terceiro enfoque, vou falar de duas pessoas muito importantes para nós. católicos: Jesus e Maria. Sim, os dois, da Sagrada Família, porque São José, o chefe da mesma, já havia falecido, de acordo com as fontes mui fidedignas que tenho.

Estavam os dois, naquela salinha, na humilde casa de Nazaré. É a mística italiana, Maria Valtorta, que em sua grande obra, O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO, nos relata, no Volume Primeiro de sua obra, a despedida dos dois, Mãe e Filho, despedida difícil, já que, agora, ela, que vivera trinta anos com seu fiel esposo José, ficaria sozinha; e o Filho Jesus, em Suas andanças pelo mundo, iria formar Seu discipulado, falando do reino de Deus. 

Conheçamos esta visão de Maria Valtorta, que  se encontra na página 273, no capítulo 44, intitulado, "Jesus se despede de Sua Mãe e deixa Nazaré. O pranto e a Oração da Co-Redentora". Ela relata-nos o seguinte:

"Vejo o interior da casa de Nazaré. Nela vejo uma sala, parece uma sala de Família,  onde a Família faz as suas refeições, ficando também nas horas de descanso. É uma salinha muito pequena, com uma simples mesa retangular que está em frente de uma espécie de arquibanco, encostado à parede. Ele serve de assento para um dos lados da mesa.  Junto às outras paredes estão um tear e um banco, dois outros bancos e uma estante sobre a qual estão algumas candeias e outros objetos. Uma porta abre-se para a horta-pomar. Deve estar anoitecendo, porque não tem nada senão uma lembrança de sol sobre a copa de uma árvore, que começa a verdejar com suas primeiras folhas. 

Jesus está á mesa. Ele está comendo, Maria o serve, indo e vindo, por uma portinha, a qual suponho que conduz ao lugar onde está a lareira, da qual se vê o clarão, através da porta entreaberta.

Jesus diz duas ou três vezes a Maria, que se assente... e coma também. Mas ela não quer, sacode a cabeça, sorrindo tristemente, e, depois das verduras cozidas, que me parece estar em lugar da sopa, leva para a mesa, peixes assados, um queijo fresco, feito de leite de ovelha e em forma de pequenas bolas parecidas com uma daquelas pedras que se encontram no fundo dos córregos, e azeitonas pequenas e escuras. O pão, feito em pequenas formas redondas (da largura de um prato comum) e de pouca altura, já está sobre a mesa. É um tanto escuro, que não deve ter sido feito com o farelo. Jesus tem diante de Si, uma ânfora e uma taça. Come em silêncio, olhando para a Mãe, com um doloroso amor.

É visível o sofrimento de Maria. Ela vai e vem, para mostrar compostura. Ainda há luz suficiente, mas ela acende uma candeia, e a coloca perto de Jesus. Ao esticar o braço para isso, acaricia a cabeça de seu Filho furtivamente, torna a abrir um alforje, que me parece feito com aqueles tecidos feitos à mão, com lã virgem sendo, impermeável, da cor de avelã. Ela procura dentro alguma coisa, sai para o pequeno pomar e vai até lá no fundo, em uma espécie de esconderijo, saindo com umas maçãs um pouco murchas, que certamente se conservaram desde o verão, colocando-as no alforje. Depois pega um pão e um queijo e os põe junto, por mais que Jesus não queira, dizendo que o que está lá dentro já basta.

Maria se aproxima da mesa novamente, do lado da passagem mais estreita, à esquerda de Jesus, e fica olhando-O comer. Ela olha para Ele com angústia, com adoração, com o rosto ainda mais pálido que de costume e que o sofrimento faz parecer ter envelhecido, com os olhos maiores, marcados com uma sombra, indícios de lágrimas já derramadas. Parecem também mais claros que de costume, como se tivessem sido lavados pelo pranto presente neles, pronto para cair. São dois olhos cheios de dor e de cansaço.

Jesus, que come devagar e claramente contra a vontade, somente para contentar a Mãe, está mais pensativo do que habitualmente, levanta a cabeça e a olha. Encontra um olhar cheio de lágrimas, inclinando então a cabeça para deixá-la mais à vontade, limitando-se a segurá-la pela delicada mão que ela está apoiando à beira da mesa. Jesus a pega com sua esquerda e a leva até à sua própria face e a apoia nela, por um momento, para sentir a carícia daquela pobre mãozinha que está tremendo, depois a beija no dorso com muito amor e respeito.

Vejo Maria levar à boca, sua mão livre, a esquerda, como para sufocar um soluço. Em seguida, ela enxuga com os dedos, uma grande lágrima que lhe escapou dos cílios, banhando-lhe a face.

Jesus continua a comer, e Maria sai rapidamente para o pequeno pomar, onde a luz já é bem pouca, e desaparece. Jesus apoia o cotovelo esquerdo sobre a mesa, e sobre a mão apoia a fronte, mergulhando-se em seus pensamentos, parando de comer.

Depois parece escutar algo e se levanta. Sai também Ele para o pomar, e, ao dar uma olhada ao redor, dirige-se à direita, em relação ao lado da casa,  entrando, pela abertura de uma parede rochosa, em um quarto que eu reconheço ser a oficina do carpinteiro, que desta vez está toda em ordem, sem tábuas, nem maravalhas, e sem o fogo aceso. Ali estão o banco grande e os utensílios, tudo em seus lugares, só isso.

Curvada sobre o banco, Maria está chorando. Parece uma menina. Está com a cabeça sobre o braço esquerdo dobrado, e chora sem fazer barulho, mas com grande dor. Jesus entra devagar, e se aproxima dela, tão levemente que ela só percebe que Ele está ali, quando o Filho lhe pousa a mão sobre a cabeça inclinada, chamando-a: "Mãe!", com uma voz de amorosa censura.

Maria levanta a cabeça, olha para Jesus, através de um véu de lágrimas, e se apoia Nele com as duas mãos unidas, segurando-O pelo braço direito. Jesus lhe enxuga o rosto com a beira de sua larga manga, e, depois a abraça, atraindo-a sobre o seu coração e beijando-a na fronte. Jesus está majestoso, parece mais viril que de costume, e Maria parece mais menina, exceto no rosto, que está marcado pela dor.

- Vem, Mãe - lhe diz Jesus e, segurando-a apertada contra Si pelo braço direito, dirige-se para o pomar, onde se assenta em um banco, à frente da parede da casa. O pomar está silencioso, e, enfim, escuro. Vê-se apenas um belo luar e a luz que vem da sala de jantar. A noite está serena.

Jesus fala a Maria. A princípio, não entendo as palavras, apenas murmuradas, às quais Maria, com a cabeça, assente. Depois, eu ouço:

_ Faz que venham os parentes. Não fiques sozinha. Eu ficarei mais tranquilo, Mãe, e tu sabes que preciso estar tranquilo para cumprir a minha missão. O meu amor não te faltará. Eu virei frequentemente e mandarei avisar-te quando estiver na Galileia, não podendo vir até em casa. Nesse caso, tu irás a mim. Mãe, esta hora tinha que chegar. Ela começou aqui, quando o Anjo te apareceu; agora ela chegou, nós devemos vivê-la, não é, Mãe? Depois virá a paz, da provação superada, e a alegria. Primeiro, precisamos atravessar este deserto como os antigos Pais fizeram para entrarem na Terra Prometida. Mas o Senhor Deus nos ajudará, como ajudou a eles.  E nos dará a sua ajuda como um maná espiritual para nutrir o nosso espírito no esforço da prova. Vamos dizer o Pai-nosso... 

Jesus se levanta, e Maria com Ele, erguendo os rostos ao céu. Duas hóstias vivas, que brilham na escuridão.

Jesus diz lentamente, mas com voz clara, e, destacando as palavras, a oração dominical. Destaca de modo especial as palavras destas frases: "Venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade", separando bem estas duas frases das outras. Ele reza com os braços abertos, não propriamente em cruz, mas como fazem os sacerdotes, quando se dirigem ao povo, dizendo; "O Senhor esteja convosco!" Maria conserva suas mãos unidas.

Depois, voltam para casa e Jesus, que eu nunca vi beber vinho, despeja em uma taça, de uma ânfora apanhada na estante, um pouco de vinho branco e o leva para a mesa, pega Maria pela mão, e faz que ela se assente perto Dele e beba daquele vinho, no qual molha uma pequena fatia de pão, fazendo, depois, que ela o coma. A insistência dele é tanta, que Maria cede. Jesus bebe o que resta do vinho. Depois disso, aperta a Mãe ao Seu lado e a segura assim junto ao seu corpo,  pela parte do coração. Nem Jesus, nem Maria estão deitados, mas sentados como nós nos sentamos. Não estão falando mais. Estão esperando. Maria acaricia a mão direita de Jesus e seus joelhos. Jesus faz uma carícia ao braço e à cabeça de Maria.

Em seguida, Jesus se levanta, e Maria também, e se abraçam e se beijam amorosamente muitas vezes. Parece que querem se deixar, mas Maria torna a apertar contra si o seu Filho. É a Virgem Santa, mas é uma Mãe enfim, uma Mãe que precisa separar-se de seu Filho, sabendo qual vai ser o fim daquela separação. Ninguém me venha mais dizer que Maria não sofreu. Antes, acreditava pouco nisso, mas agora estou convencida.

Jesus pega o manto (azul escuro) e joga-o sobre as costas e a cabeça, como um capuz. Depois pendura a tiracolo, o alforje, de modo que não lhe dificulte o andar. Maria o ajuda, parece que não vai terminar nunca de ajustar-lhe a roupa, o manto e o capuz. E, enquanto assim faz, ela ainda O acaricia.

Jesus vai até a saída, depois de ter traçado um gesto de bênção sobre a sala. Maria O acompanha e, à porta, que já está aberta, eles se beijam de novo.

A rua está silenciosa e solitária, toda branca ao luar. Jesus vai caminhando. Vira-se ainda duas vezes para olhar a mãe, que ficou apoiada no umbral da porta, mais branca do que a lua, e soltando lágrimas que brilham em um pranto silencioso. Jesus vai ficando cada vez mais longe, indo pela ruazinha branca. Maria continua chorando junto à porta. Depois, Jesus desaparece numa das curvas do caminho.

Começou o seu caminho de Evangelizador, que terminará no Gólgota. Maria entra chorando, e fecha a porta. Também para ela, começou o caminho que a levará ao Gólgota. Tudo por nós..."

******* 

O que dizer, depois de tudo isto?! Apenas concluo o meu texto, dizendo que, hoje, eu  posso comungar  todos os dias, como muitas outras pessoas de comunhão diária. Mas agora sabemos: Maria foi a primeira a comungar! Pão e vinho, oferecidos a ela pelo próprio Jesus, oferecendo-se, ambos, a Deus, Hóstias Vivas, naquele momento de angústias e dores!

Procure na internet sobre Maria Valtorta. Você vai gostar de saber das suas obras, principalmente, desta que aqui eu cito: O EVANGELHO COMO ME FOI REVELADO, em dez volumes, os quais eu já gravei em áudio uma vez, para ouvintes muito seletos - e estou gravando de novo os 652 capítulos, alguns enormes, gotas que vamos degustando diariamente, em pequenas doses! Espero que tenham gostado deste pouquinho que aqui deixei. 

(Celina - Sete Lagoas - 07/02/25)

quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

614 - FAMÍLIA

  FAMÍLIA

Criança, ao concluir este trabalho, que, com muito carinho, foi feito para você, a propósito, quero lhe falar de uma verdade que todos conhecem, mas talvez não reflitam  desta forma: somos Família, desde o início da Criação. Quando Deus Pai Criador colocou aqui os elementos básicos para que a Vida aflorasse e tivesse continuidade, depois de pensar nas famílias tão diversificadas,  de animais  e plantas, Ele disse assim: "Façamos o Homem à nossa imagem e semelhança", não foi assim? Não é assim que a gente lê lá em Gênesis?

Pois é! Estamos então falando da Trindade Santa: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Depois falamos de Adão, Eva, filhos, netos... Falamos da Família de Noé, da família de Abraão, Isaac, Jacó, da Família de José, de Moisés e tantas, tantas, tantas outras famílias, ainda no Antigo Testamento... até chegarmos ao Novo, com a Sagrada Família de Nazaré:  Jesus, Maria e José!

Quem faz parte de sua família, Criança?... Quem mora em sua casa com você? São muitas ou são poucas pessoas?...  

Não importa! Ame a sua família! Faça o melhor que puder para que todos se sintam felizes em estar com você. E seja qual for o modelo de família que você tem em mente, pense em crescer, estudar muito, ter um trabalho digno e formar também a sua família, com as Bênçãos de Deus, lembrando-se sempre de que, um dia, como tantos de sua família - e famílias de seus amigos -  tantos, tantos, que já se foram, um dia iremos também nós, prestarmos contas a Deus, do Bem que fizemos aqui na terra!

Lembre-se de que, o sopro da Vida que Deus  nos deu - um dia, nos será tirado. Acontece com todo ser vivo. E nós, que somos dotados de inteligência, de razão e de livre arbítrio, podemos fazer boas escolhas, durante toda a nossa vida, não é mesmo? Naquilo que depender de você, Criança, faça sempre o Melhor - e seja muito feliz em suas escolhas!

Com o carinhoso abraço da Tia Celina, e os votos de uma vida alicerçada nos valores do Evangelho de Nosso Irmão Maior, Jesus Cristo, fico por aqui a desejar-lhe todo o Bem que possa existir na face da Terra! Seja uma  Pessoa Boa! Vale a pena!!!

Despeço-me. Já com saudades!

(Celina  30/01/25)

613 - SANTUÁRIO

   SANTUÁRIO

Esta é certamente uma palavra que você já ouviu. Ou já viu escrita por aí. E talvez,  já tenha até mesmo visitado um Santuário com alguém. 

Só que você nunca deve ter pensado nesta verdade: nossa casa, ou melhor, nosso lar, pode ser um santuário, sabia? Se uma família é bem constituída, se as pessoas se respeitam, se há amor entre os membros que a constituem, ela pode ser considerada um santuário, ou seja, um local onde se busca a santidade. 

E não quer dizer que as pessoas tenham que ser perfeitas, mesmo porque, perfeito ninguém é. Costumo dizer que "Perfeito só Deus, graças a Deus!" Sim, estamos todos a caminho da perfeição, lutando contra nossos defeitos e vícios, procurando ser a cada dia, um ser melhor.

Todos somos dotados de qualidades boas e más; é preciso que nos esforcemos para que as boas sejam aprimoradas a cada momento, e as más, aos poucos vão desaparecendo, com o esforço que fazemos para que tal aconteça.

Você se considera uma Criança boa?...  Esta é uma pergunta que cada um de nós deve fazer a si mesmo. Não uma única vez, mas, sempre!  Por exemplo, ao chegar ao fim do dia, uma reflexão: o que fiz de bom hoje?... Em quê posso ser melhor?... Onde falhei... onde deixei a desejar... o que fiz hoje que me tirou a paz - ou entristeceu alguém?... 

Uma boa pergunta, em qualquer situação, pode ser também assim: "Se fosse Jesus neste caso, como será que Ele agiria?!" Aí é complicado, não é? 

Mas necessário para quem busca a santidade - e quer fazer a sua parte para que o seu lar possa ser considerado um santuário. Vamos tentar?

(Celina -  30/01/25)


quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

612 - CRIANÇA, ESCUTE!

  CRIANÇA, ESCUTE!

Como eu gostaria de sentar com você e ficar horas, falando da Criação do Mundo e da caminhada do povo de Deus!!! Mas como isto não me é possível, fiz aqui, neste livro um pequeno resumo, bem rapidinho, sobre coisas que eu acho importante você saber.

Mas não estou contente ainda, porque dá vontade de falar muito mais. Só que o Livro ficaria tão grande e pesado, que você teria que colocá-lo no chão e deitar sobre ele, enquanto devoraria suas páginas. Não dá! Tenho que parar por aqui. 

Fica o meu desejo de que você busque mais, muito mais! Citei algumas fontes. Busque outras, Busque pessoas boas e entendidas que possam ajudar você. E Deus, o Papai do Céu, vai ficar lá de cima, orientando a elas para que só ensinem coisas boas para você ficar feliz e nunca desanimar de buscar e fazer o bem.

Digo mais: tenha uma vida de oração, sempre procurando se conectar com as coisas do alto, viver num plano mais elevado, ter o olhar voltado para o sagrado, aquilo que é eterno. 

E ao se dirigir ao Pai, ou à Mamãe do Céu, faça-o com simplicidade, não procure palavras difíceis, nem se preocupe com o que irá dizer. Não é preciso! Na verdade, talvez nem haja necessidade de dizer coisa alguma. Fale nada! Fique quietinha, Criança, olhando para o alto - ou para dentro de si mesma; feche os olhos e fique assim, em oração silenciosa, pensando que Deus está com você e vai fazer com que você escolha sempre o melhor.

Fique feliz e procure fazer felizes as pessoas que convivem com você. Sabe? A gente só é feliz mesmo, quando consegue espalhar sorrisos, olhares bons, sementes do Bem! E não se esqueça: DEUS AMA VOCÊ! E eu também! 

Seja, Criança, sempre muito amiga de seus familiares pois eles são os mais próximos de você e é importante um bom relacionamento para que a Sagrada Família fique feliz e bem à vontade na sua casa. Felicidades! Grande abraço.

(Celina - 15/01/25)