quinta-feira, 22 de setembro de 2016

253 - MAIS UMA CRÔNICA DOS VELHOS TEMPOS...

253 - APENAS UMA...  SUGESTÃO!

       - Meu filho não sabe redigir.
       - Ele lê?
       - Lê o quê?
       ... Que pena! "Lê o quê?" - foi o que a mãe perguntou.
       Olho para ela um tanto quanto abatida, constrangida com tal situação.
    "Lê o quê?" Há tanta coisa boa que pode ser lida, tanto livro bom que deve ser colocado na mão das crianças para que elas leiam, para que ampliem seus conhecimentos. Leituras recreativas para as  suas horas de lazer...
       E aqui em Diamantina, temos tantas bibliotecas, com livros ótimos que podem ser lidos pelas nossas crianças...
      Se o seu filho não tem o hábito de ler, faça para ele uma ficha numa das nossas bibliotecas (a Municipal, por exemplo) e ele poderá entrar para o mundo maravilhoso da leitura. As moças lá estão sempre com um sorriso, muito gentis, para atender a todos, com muita presteza. 
        É adágio bem conhecido: "Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”.
        Vamos fazer com que nossos filhos adquiram o hábito da leitura e sua compreensão crescerá à medida que se aprofundam no mundo das boas obras; ser-lhes-á então muito mais fácil, falar, ouvir, escrever...
        Vá lá. Faça a ficha e a cada dia, seu filho poderá ter um livro novo nas mãos o qual lhe proporcionará momentos de prazer, enquanto lhe desenvolve o automatismo da leitura, a compreensão e o senso crítico. Tudo isto sem lhe custar um centavo.
         Não é uma boa ideia?! Vale a pena!


*******
(Sempre me preocupei muito com isto. Quando meus filhos nasceram, já era professora há algum tempo, a mesa vivia cheia de papéis,  revistas, livros, apostilas, desenhos; assinava pra eles o “Nosso Amiguinho” e outras revistas infantis; adquiria coleções diversas como a gente vê tantas por aí. Livros de literatura infantil podem ser bem baratinhos e, ao invés de dar outro tipo de presentes para as crianças, ofereçamos historinhas que vão  diverti-las, ao mesmo tempo que instruem e ajudam a resolver seus conflitos. Mas se o dinheiro está curto, podemos ler muito, também aqui em Sete Lagoas, frequentando a Biblioteca Pública. Sei de crianças que têm ficha lá e estão sempre trocando livros. E isto é muito bom!)

Sete Lagoas, 24 de setembro de 2016)  

252 - MAL INEVITÁVEL

252 - MAL INEVITÁVEL 
                                                                           (Continuando com as crônicas publicadas no Jornal "Voz de Diamantina")

"A velhice dói. E como dói! Não, não é psicológico não! É dor física mesmo! Dói na pele, sabe? Sabe o que é sentir na pele? É o peso dos anos. A dor da velhice.

É a dor da velhice estampada na face, exposta a todos, em sulcos profundos, que vão se formando, visíveis, indesejáveis, inevitáveis!

É a dor dos anos, do tempo que se vai, das insônias, das tristezas, das desilusões, dos desenganos, das decepções, dos muitos invernos, dos tantos verões, numa alternância de temperaturas, que enregelam, que sufocam, que massacram a pele... É o outono da vida, porque a primavera (flores, colorido, euforia...) esta já se foi, já ficou para trás!

É a velhice física, um mal inevitável! E a criatura humana vai se desfazendo, vai ficando fisicamente feia, enrugada, mostrando a todos que já viveu algum tempo, que alguns anos já se foram...

Porém, muito pior que a física, é a velhice mental. Esta, sim, é triste de se ver! A velhice física, cronológica, não é degradante como a velhice mental precoce.  Esta é que realmente conta: encontramos velhos aos quinze anos, como podemos encontrar jovens aos oitenta, exibindo uma juventude exuberante, lúcida, eufórica, consciente, que não se deixou abater, apesar das intempéries, apesar do bom ou mau tempo.

A velhice física é inevitável; ninguém foge a ela. E nem se deve procurar escondê-la: ela indica simplesmente que tal ser humano é um vitorioso, que traz em si uma série de vitórias, que outros não conseguiram conquistar. Os fracos tombam nos campos de batalha. Só os fortes conseguem ir além; só aos fortes, é dado o privilégio de continuar a lutar, de erguer a cabeça e seguir adiante... e caminhar mais... muito mais...

Porém, a velhice mental não é inevitável. Podemos fugir a ela que não é consequência de bom ou mau tempo. Muito pelo contrário: quanto mais experiência de vida se tem, maior, e mais rica, e mais forte, e mais abrangente, e mais madura se torna a nossa capacidade mental.

Ouvir muito, e ler muito, e viver intensamente, estudando cada fato, procurando compreender as pessoas que nos cercam, procurando sempre acrescentar algo às nossas experiências.

E sorrir!... Ah, como é bom sorrir!... Como nos faz bem, dar e receber sorrisos, um sorriso franco, aberto, jovial, sincero! Sorrir com todos os músculos da face

No dizer de Bilac: Envelhecer rindo - como as árvores fortes envelhecem!"

(Sete Lagoas, 20/09/16)

domingo, 4 de setembro de 2016

251 - NOVA SANTA



251 - NOVA SANTA

Hoje, dia quatro de setembro de dois mil e dezesseis, desde as cinco da manhã aqui estamos, acompanhando esta beleza de transmissão desta nossa querida Canção Nova: a Canonização de Madre Teresa de Calcutá! 

Que santidade, meu Deus! Os números, imensos, a gente vai encontrar em fontes seguras na internet, por diversos sites. O que ela fez, também está escrito por aí... Mas ver isto, ao vivo, direto do Vaticano, é maravilhoso! O Papa Francisco, na sua conhecida simplicidade, se dedicando a esse ato divino de santificação da Mãe dos Pobres, aquela que doou toda sua vida sem se poupar, fazendo de todos os momentos,  um ato de amor a Deus e aos irmãos. 

Uma multidão na Praça São Pedro; lá,  agora,  quase meio dia, sol a pino, final de um ato tão solene: a Missa de Canonização desta que o mundo inteiro já conhece pelas suas falas de amor, sempre com muita sabedoria, falas que se originaram daquela que ela ouviu a exatos setenta anos: "Tenho sede!”

Ela que é para todos nós, um ícone de caridade, um exemplo fiel de dedicação aos mais necessitados, ela que carregou ao colo, tantas crianças, dando-lhes acima de tudo, mais que o alimento material, o calor humano, o aconchego, o carinho, um afeto de mãe, uma palavra amiga, o sorriso dócil de quem acolhe com alegria!

Seremos nós, capazes de imitar a Santa nas nossas ações, assistindo ao próximo, como os muitos bons samaritanos anônimos, que pelo mundo afora se fazem presentes, atendendo aos apelos de Jesus crucificado?…

“Tenho sede!” – disse Jesus!  Quantos clamam silenciosos, numa angústia sem fim: Tenho sede:  Sede de amor, sede do calor humano, sede do carinho de familiares, sede do aconchego de um lar...

Que ela, a Nova Santa, lá do céu continue olhando pelo Brasil, como olhou pelos brasileiros,  Fernanda e Marcílio, em sua aflição. Agradeçamos a Deus por isto e pelas Missionárias da Caridade espalhadas pelo mundo inteiro, congregação criada pela Madre Teresa de Calcutá. Obrigada, meu Deus, por tantas bênçãos!!!

Aproveitemos este momento de santificação e digamos: “Santa Teresa de Calcutá, lá do Céu, olhai pela nossa nação, rogai a Deus pelos desempregados de nosso país que pedem socorro, olhai por nossas famílias que vivem períodos de penúria e extrema pobreza.”

Que Deus abençoe o trabalho dessas Missionárias incansáveis que, em cento e trinta e três países, espalhados por todo o mundo, continuam fazendo o que a fundadora idealizou e fez tão bem aqui na terra!
(Sete Lagoas, 04/09/16)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

250 - ALGUNS DIAS SEM VOZ

Ainda relembrando as crônicas publicadas no Jornal “VOZ DE DIAMANTINA”. Outros tempos...


250 - ALGUNS DIAS SEM VOZ

"Quando o médico me disse que deveria ficar alguns dias sem falar, fiquei um tanto quanto receosa, mas não imaginei que fosse tão difícil assim.

E como é! Como é terrível precisar dizer algo ali, na hora, naquele momento, e não poder abrir a boca. E, se fazemos gestos, quantas vezes somos mal interpretados!

Dizem que  'em boca fechada não entra mosquito', mas não abri-la para emitir um único som, não é fácil!

E o pior é que as pessoas que não nos conhecem, quando veem que não falamos, julgam-nos surdos também, ou parcialmente. E começam a falar mais alto com a gente. E começam a se condoer da nossa situação...

Lá no Rosa Pinto, fui comprar um frango. E a moça me atendeu prontamente e foi muito gentil comigo. Mas,  uma outra freguesa que lá estava, comentou quando fui saindo: 'Ela não fala não? Coitada!' Tive vontade de agradecer-lhe a preocupação para comigo, mas eu... não podia!

Interessante foi lá no ABC: Perguntei a um  menino que lá estava trabalhando, o preço de três canetas (por escrito, é lógico!). E ele, coitado, com toda delicadeza daqueles que atendem bem aos que estão do outro lado do balcão, tomou a caneta da minha mão e escreveu o preço ali no meu papel. Acho que pensou que eu era surda também. (Obrigada, meu filho, você é muito gentil!)

Mas o pior foi no ‘Sacola Cheia’  quando uma pessoa me cumprimentou bastante eufórica, me chamando pelo nome e recebeu de mim apenas um aceno de mão... Que podia fazer, não é?

E assim, claro, com algumas dificuldades, venci esses dias. Espero não passar novamente por uma situação desta, pois não é fácil. E mais difícil ainda é dentro de casa onde pedidos, ordens, repreensões e até castigos, são dados por escrito. Arre! Que dificuldade!!!"
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(Foi um período realmente difícil esse em que os médicos detectaram dois nódulos nas minhas cordas vocais e me puseram de repouso. E  o pior é que havíamos acabado de mudar para Diamantina, onde poucas pessoas me conheciam e ficaram sem saber que "muda" era aquela... Fiz o repouso, como aconselhado e voltei ao médico: graças a Deus, os dois haviam sumido! E assim terminou aquela agonia...)

(Sete Lagoas, 01/09/16)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

249 - PARE, POR FAVOR!

Esta é mais uma crônica publicada no jornal "Voz de Diamantina", há algum tempo:


249 - PARE, POR FAVOR!


“A viagem transcorria tranquilamente. Viajava de maneira confortável, pois a poltrona do meu lado estava vazia. Porém, daí a pouco, o ônibus pára e entra alguém que, pedindo licença, se assenta a meu lado. Acomoda-se, fecha um pouco a janela, tira do bolso um cigarro, acende-o, e logo, a fumaça da primeira baforada vem passar bem rente ao meu nariz. E aquele ar que respiro leva pela primeira vez, naquela viagem, um estranho e indesejável visitante para o interior do meu organismo.

Não sei se uma parte foi para os pulmões. Mas é certo que uma boa parcela, vai parar no meu estômago, que reage logo! Sinto arrepios, e olho contrariada, mas de soslaio, para o novo passageiro: roupas bem gastas e sujas, sapatos que jamais viram graxa, cobertos por uma poeira pálida e triste.

Fico pensativa; penso em entabular uma conversação, fazê-lo ver os efeitos destruidores do fumo em seu organismo, os efeitos negativos sobre sua saúde. Mas me contenho a tempo. Penso melhor. E rezo. Rezo e peço a Deus que tire daquela pobre criatura, esse vício horrível, que queima o seu dinheirinho, certamente, com tanta dificuldade, adquirido, e leva com ele, a sua saúde, que mais cedo ou mais tarde, se manifestará abalada, pelos efeitos da droga.

Não olho diretamente para o rapaz, para que ele não pense que a fumaça me incomoda. Afinal, são apenas alguns quilômetros. Nem sequer vejo seu rosto. Mas peço a Deus que o faça desistir de seu vício; e verá que o dinheiro que, distraidamente, se transforma em baforadas pelo ar, poderá ser-lhe muito útil para uma alimentação mais sadia, e outros desejos que talvez não esteja conseguindo realizar. 

E aqui, cabe-nos uma reflexão: Para que o cigarro?... Por que fábricas de cigarros?... (Ou serão ‘fábricas de doenças do aparelho respiratório?’...) Pensemos!”


****


Hoje, ao reler esta crônica, fico pensando: Ainda bem que a viagem já estava chegando ao fim, porque, se já não passava bem em viagens de ônibus, imagine alguém fumando do meu lado?... E ainda fecha a janela!...

Lembro-me bem desse episódio, bem antigo. Quase falo com ele, mas talvez ele considerasse  isto como uma reclamação de minha parte. Muitas vezes, é necessário fazer silêncio e aguentar firme. E foi o que eu fiz naquele momento. Graças a Deus!!!


(Sete Lagoas, 30/08/16)

domingo, 28 de agosto de 2016

248 - DONS GRATUITOS DE DEUS

248 – DONS DE DEUS,
TOTALMENTE GRATUITOS!

Como prometido na crônica anterior, aqui vai um dos trabalhos publicados num Jornal de Diamantina:

Dons de Deus

_ Oi! Psiu! Você que está aí sentada, pode me dar um pouquinho de sua atenção? Ou está prestes a sair?
 _ Não, que isto? Não tenho nem um pouco de pressa. Por incrível que pareça, hoje estou é muito folgada, porque perdi o ônibus das onze e agora, só às treze e meia. Como vê, tenho um longo tempo! Poderia até tirar uma soneca, se fossem dotadas de redes, as nossas rodoviárias. 
_ Oh, você fala! Que beleza!
_ Ué, é claro que eu falo! Por que não falaria? Que foi? Que houve? Que quer dizer com isto?
_ Muito bem! É isso aí! Você fala! E você já pensou algum dia como isto acontece? Já pensou em que transformações sofre o seu organismo quando você fala? Já pensou no que é que faz o ar vir dos pulmões e chegar cá fora, transformado em palavras?
_ Ora, por que haveria eu de pensar nisto?
_ Pois é! É uma coisa tão simples - mas a gente não pensa nas coisas simples. Interessante: o ar sai dos pulmões, sobe pela traqueia e, quando chega à laringe, faz vibrarem as cordas vocais e chega à boca transformado em um punhado de asneiras, ou advertências, pedidos, ordens, explicações, promessas...
_ Engraçado... Nunca pensei mesmo! Como é bonita a natureza. E como são divinos os fenômenos que nos acontecem... Procuramos revistas, jornais, ávidos de notícias,  procuramos saber o que acontece no mundo inteiro - e não nos preocupamos com o que acontece dentro de nós. Muitas vezes, desconhecemos totalmente.
_ Pois é! E é por isto mesmo que não lhe damos o devido valor. Você já pensou alguma vez em agradecer a Deus pela voz que sai de sua boca?
_ Olhe, vou procurar  pensar nisto. Realmente, é um grande dom de Deus. Eu tenho voz! Eu posso falar! Que bom! Em minhas orações, vou agradecer a Deus por mais este dom. São tantos que eu nunca havia me lembrado deste.
_ Pois é! E lá vou eu. Até logo!
_Tchau, minha amiga. E muito obrigada!

****

(Esta foi, da seção "A Crônica do Dia”, a primeira colada neste caderno velho aqui. Está me fazendo pensar... Pense nisto, você também!)
Sete Lagoas, 28/08/16


247 - CHEIRO DE DEUS!

Fazendo limpeza nos armários hoje: meu Deus, como tenho dificuldade de jogar fora a papelada que carrego comigo. Agora, em mãos, um Caderno antigo de Planos de Aula! Acho tudo lindo, começo a ler, vou me lembrando dos alunos... E guardo de novo! Normalmente, é assim! Ou então, quando preciso mesmo me decidir a descartar alguma coisa, começo a destacar folhas com bons textos... pra que, meu Deus?!

Hoje, fui folheando... folheando... e me lembrando dos meus alunos em Diamantina. E aí, como dificilmente um Caderno é preenchido até o fim, lá nas páginas finais em branco - tão amareladas hoje! – o que encontro? Várias crônicas que eu escrevia e mandava para um jornal local! Amareladas, também elas,  pelo tempo e papel utilizado, umas vinte eu colei aqui, neste final de caderno, veja só! Nem me lembrava disto!

Antes, a seção se chamava “Olho Vivo” e descrevia cenas da Cidade. Depois, não  me lembro por que, passou a se chamar “A Crônica do Dia”  e mudava um pouco o foco. Parece-me que comecei apontando coisas que eu detectava pelas ruas da cidade, como a coleta do lixo e outras coisas mais. Depois, com o novo título, eu abria novas possibilidades de abordar fatos do cotidiano.

Assim é que continuei escrevendo e enviando para o Jornal. Quando mudamos para Curvelo, deixei de fazê-lo; creio ter pensado não haver mais sentido, já que agora estava em outro local, vivenciando novas realidades. Ou então, esperava ainda, conhecer alguma oportunidade de fazer o mesmo naquela cidade. É... talvez seja esta última a mais correta opção. Mas como viemos logo para Sete Lagoas, creio não ter dado tempo para que mais um sonho se concretizasse.

De toda forma, dos trabalhos que não se perderam,  devo registrar aqui alguns, a começar pela próxima crônica, a de número duzentos e quarenta e oito, que será a transposição de um desses trabalhos. Você pode estar se perguntando: “Uai, crônica antiga?” e eu lhe respondo que pelo assunto, ela será sempre nova, porque traz consigo o mesmo perfume: este cheiro de Deus que sempre senti, sinto e sentirei, durante toda a minha vida.

E é esse mesmo cheiro que tento passar pra quem me lê, porque creio que precisamos continuar com o foco que nos foi passado por muitos que aqui viveram, considerando o lema de vida, pleno de alegria eterna: “Olhai as coisas do alto!”


(Sete Lagoas, 28/08/16 – um domingo lindo!)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

246 - SANGUE


246 - SANGUE

O líquido mais precioso para o corpo humano é o seu próprio sangue. Se este parar de circular, a cada milésimo de segundo, o corpo morre um pouco.  É preciso manter-se em movimento, alimentando todas as células, levando-lhes tudo aquilo de que elas necessitam para viver.  

Supremo ato de caridade é doar o seu  próprio sangue. Jesus, o Filho de Deus, doou todo o seu sangue por nós. O derramamento teve início no Jardim das Oliveiras, quando suou sangue, no início de sua entrega. Assim que isto se deu, preso e flagelado, continua Jesus a derramar seu sangue pela humanidade. Os açoites que lhe dilaceravam  a carne, faziam-lhe  derramar o sangue inocente.

Humilhado, desprezado, maltratado, o Rei de Todos os Reinos, foi coroado, mas com uma coroa de agudos espinhos, que fizeram brotar mais uma vez,  o  sangue inocente, sangue que lhe escorria pela face já enfraquecida e desfigurada, face que seria contemplada depois, por sua Mãe lacrimosa, a caminho do Calvário. Carregando a pesada cruz, tinha os ombros machucados, os joelhos feridos pelas quedas; e o sangue se derramava copioso, pelas suas chagas.  Pesava sobre ele os pecados de uma humanidade corrompida pelo orgulho, pelo ódio, pelo eterno desejo de vingança. 

Cansado, alquebrado, enfraquecido, ele estende os braços para ser pregado na cruz. Pés e mãos chagados, duramente perfurados, continuam o derramamento que acontecerá até a última gota, naquele coração ferido pela espada do centurião. Dali jorraram sangue e água, numa misericórdia infinita, extremo ato de amor pela humanidade.

Ó Jesus, quanta ingratidão daqueles que não reconhecem o Teu sacrifício. Quanta falta de fé, quanta falta de amor!  

Perdão, Jesus! Perdão porque pecamos, perdão porque Te crucificamos, perdão porque nos afastamos dos caminhos do bem.

E abençoa-nos,  Senhor Jesus! Que possamos valorizar cada gota de Teu precioso sangue, derramado por causa de nossos numerosos pecados. Que possamos seguir Teus ensinamentos, na caridade, no amor aos irmãos, principalmente os mais necessitados. Ajuda-nos, Senhor! Nós cremos, mas aumenta a nossa fé! Ajuda-nos a compreender a Tua missão aqui na terra. Os profetas sofreram muito, mas tinham sempre em mente, suas próprias faltas. Sofremos também pelas nossas, no exame de consciência de cada dia.  Mas Tu, Jesus, não cometeste falta alguma! 

Acho que é esta a análise do nosso pequeno Arthur. Quando a catequista pergunta o que esperam aprender na catequese e os colegas respondem querer saber sobre Jesus, sobre Maria, o Arthur a surpreende: "Quero saber por que Jesus morreu na cruz!"

(Sete Lagoas, 20/08/16)


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

245 - DIÁLOGO/MONÓLOGO!

245 - DIÁLOGO/MONÓLOGO!

Embevecida com o diálogo de ontem:
Foi a Rosa!
Foi o Instrumento! 
Foi a Fé!
Foi a Confiança!
Foi a Experiência de Deus!


Certamente, a minha Santinha do Coração está sorrindo lá no Céu pela chuva de rosas que é derramada, fecundando a terra! Não temos explicações para as coisas de Deus; e nem queiramos tentar fazê-lo, porque não conseguiremos! Deus, o Todo-Poderoso, o Criador de todas as criaturas, dotou-nos de inteligência bastante para desfrutarmos das belezas da vida! Mas há um limite para este dom, tão precioso. E sabemos qual é! Nossa inteligência vai até onde podemos ir, até onde conseguimos entender. Daí pra frente, é com ELE! Não adianta o homem querer apresentar-se semelhante a Ele em tudo: só mesmo até onde lhe é permitido. Só mesmo, no que diz a Bíblia: "Fez o homem à Sua imagem e semelhança" - mas, como criatura! Criador, é um só: Deus!

Embevecida ainda com o diálogo de ontem, fico aqui, agora, neste monólogo que não consigo registrar; porque o que tenho para dizer, não dá pra ser escrito, não dá pra exprimir em palavras, o que sinto; apenas agradecer! E agradecendo a Deus, pedir humildemente a Ele, que abençoe a humanidade que é a Sua mais bela criação, a mais sublime obra de Suas mãos, o maior de todos os Seus sonhos realizados; mas que está se distanciando do Criador...

Ó meu Deus, "quem me vê, vê o Pai" , disse Jesus a Filipe! Por isto, eu Vos peço, que o homem aprenda a fixar seu olhar em Jesus, seguir seus passos,  viver seus ensinamentos, praticar Seu mandamento maior: "Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo." Pois sei que, assim o fazendo, estará caminhando seguro, longe das trevas. 

Ó Criador de todas as coisas, fazei que o homem se conscientize de que ele nada pode criar, que tudo o que lhe é permitido fazer vem a partir do que já existe, que,  nas suas invenções,  só pode utilizar a matéria-prima que está disponível para ele.  

Abençoai, ó Deus Onipotente, todos os homens e fazei com que possam reconhecer Vossa realeza sagrada e assim, encontrar a Paz - a Paz verdadeira que só o Senhor pode nos dar! Amém! 
(Sete Lagoas, 10/08/16)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

244 - ALEGRIA, ALEGRIA!

244 - ALEGRIA, ALEGRIA!

Nossa, Arthur! A semana inteira pra escrever esta crônica. Incrível como a vontade é grande - e o tempo, curto. Toda vez que pego o computador para fazê-lo, alguém me chama. E todos reclamam, se demoro a atender, mas  preciso desligá-lo devidamente. Aí grito: "Já vou!"... E sei que não dá pra voltar tão cedo! Assim é que estou acrescentando este inicio numa tentativa de justificar a demora, pois comecei a rabiscá-la no dia seguinte, tal era a alegria que me invadia ao saber que você estava iniciando seu processo de catequese. Mas o que desejo frisar hoje é que o dia trinta e um de julho, tão esperado, chegou, reinou e já se foi, mas vai ficar na memória.

Levantei-me muito cedo no domingo passado. Que dia maravilhoso, Arthur! Bem preparado pelas mensagens de whatsAap. (Você nem sabia, mas foi tudo organizado em torno do seu nome. Queríamos valorizar muito o evento.)

Às cinco da manhã, os legumes já estavam todos limpos, descascados, picados. Porque isto não poderia ser feito na véspera. Mas as duas postas enormes de salmão já haviam recebido, no dia anterior, um bom trato, eliminando-lhes as escamas e oferecendo-lhes uma passada de limão e um pouquinho de sal. Foram colocadas cuidadosamente em duas  panelas grandes, sobre rodelas de cebolas e pedacinhos de alho. Ali esperavam os legumes que iriam ornamentá-las. No final, tudo regado com um bom azeite e estava preparado o prato principal.

Depois foi a vez de preparar as frutas. Mesa mais ou menos organizada, saí para a Igreja, fiquei mais atrás na nave lateral, porque havia feito uns implantes dentários e não podia ficar conversando. Quietinha no meu canto, ouvi quando a Gabi gritou:  "Vovó!!! Vovó!!!  Achei a Vovó!" (Ai, meu Jesuscristim, já me acharam aqui!...) Mas sua mãe procurou distraí-la e voltar para onde estavam pois ela queria que eu a carregasse.

Terminada a celebração, vim rápido para organizar a mesa. Foi muito gratificante, receber todos aqui em casa para o café da manhã e depois, o almoço. Ter a família reunida em torno da mesa, pra mim, é o máximo! Todos se fartaram com as delícias do café, almoço e a sobremesa deliciosa que a Fernanda preparou; e ainda sobrou muita coisa para o dia seguinte, enriquecendo o macarrão que foi  feito na segunda-feira, à noite,  não é, Wálmisson? Uma panelada de macarrão com ovos e legumes que todos devoraram avidamente, com alegria.

Alegria!... Alegria nas coisas simples do cotidiano! Alegria do encontro, do estarmos juntos, do partilharmos momentos do tudo e do nada, simples assim! A vida pode mesmo ser bem simples: basta cada um cumprir o seu dever, respeitando-se mutuamente, colaborando uns com os outros, na medida do possível, e sempre que necessário. Obrigada, Senhor, por tantas bênçãos!

E como se tudo isto não bastasse, era o dia de rezar o terço da Mãe Rainha aqui em casa; e qual não foi minha alegria ao ter você, Arthur, rezando conosco e ficando com o terceiro mistério que era o que seu pai, na sua idade, mais gostava de rezar, nos nossos encontros em Diamantina! É muita bênção, meu Deus! Obrigada por tudo!

(Sete Lagoas, 04/08/16)

terça-feira, 19 de julho de 2016

243 - CHEIRO DE INFÂNCIA

               
243 - CHEIRO DE INFÂNCIA


Está ali, no jardim lateral, perfumando o ambiente. Todo ano, ela floresce: uma flor branca, toda branca, com um perfume suave que me lembra a infância.

Quando a vi pela primeira vez, lembrei-me no mesmo instante de uma flor, também branca, também de largas folhas verdes, que floresciam, em grande quantidade, às margens do córrego que banhava as terras onde plantávamos o arroz. 

Não sei se meus irmãos se lembram disto, talvez minha irmã mais velha traga na memória, este perfume. Chamávamos, a ela, “Mariazinha”; não sei que nome dão a esta aqui. Vou tentar descobrir.

Esta plantinha, que era apenas uma mudinha que uma amiga nos deu, cresceu, floresceu, perfumou; depois ficou velha e caiu; e sumiu. Parecia ter falecido. No ano seguinte, lá estava ela, em suas primeiras folhinhas; outras apareceram, as flores chegaram... E com elas, o perfume e a lembrança da minha infância. 

E todo ano, a história se repete. E com o perfume e a lembrança, vêm-me à mente, o sobrado onde morávamos, o porão onde eram armazenados alguns materiais, o fogão a lenha, as plantações, os animais...

E vem muito mais: meu pai, que ao raiar do dia, já lá fora estava, plantando, cuidando, colhendo... E quando a noite chegava, lá estava ele ainda, trabalhando até tarde, cantando, assobiando, procurando fazer o melhor para seus muitos filhos...

O cheiro da flor branca me faz recordar tudo isto, com uma languidez e uma saudade grande de tudo que se foi, de tudo o que há, e de tudo o que está por vir...

Minha florzinha branca, obrigada! Quando te fores embora, esperarei por ti no próximo ano. Perdoa-me se eu me esquecer de ti por algum tempo, mas pode ter a certeza de que quando voltares, e exalares aqui o teu perfume, eu me lembrarei novamente de tudo isto... Porque  sei que as tuas batatas ficam aí, escondidas, dentro da terra, nenhum vestígio, nenhum verde, nenhum branco, nada aparecendo... Mas agora aprendi! Tu me ensinaste que podes esconder durante todo o ano e aparecer no próximo - sempre com algum pezinho a mais - na mesma época e gritares como a Gabi: “Surpresa!!!” Obrigada, porque sempre chegas!  Mas... até quando?!...

(Sete Lagoas, 18/07/2016)

sexta-feira, 15 de julho de 2016

242 - AINDA COM A EMBALAGEM DO PÃO...


242 - AINDA COM A EMBALAGEM DO PÃO...

Hoje me encantei novamente com a embalagem do pão... Como na crônica número um deste trabalho! Li-a atentamente, analisando cada afirmativa. E o texto é concluído assim: "Não é o que você juntou, e sim o que você espalhou que reflete como você viveu a sua vida."

"Não é o que você juntou..." Totalmente contra os valores do mundo capitalista, onde se prega a acumulação, o aumento do patrimônio individual, não importa se lícita, ou ilicitamente... 

E uma afirmativa, que nos tira da zona de conforto em que nos encontramos: "E quando você partir, como todos nós partiremos um dia, também vai virar pó!!!"   Difícil pensar nisto, não? Como entender que tudo o que construímos na vida, muitas vezes, a duras penas, vai ficar para trás, um dia, queiramos ou não?... Para quem?... Quando?... Não é, no mínimo, estranho, pensar nessas verdades?...

"É o que você espalhou que vai refletir como você viveu a sua vida!" É isto! Portanto, vamos tentar espalhar o que conseguimos com nossos esforços, semear por onde passarmos, os valores morais, espirituais e materiais que conquistamos ao longo da caminhada. Assim o fazendo, teremos conosco o consolo de perceber o brilho no olhar daquele que recebe as dádivas que temos para espalhar. Dividindo com os demais, as nossas conquistas, estaremos plantando alegrias, sorrisos, esperanças... E compreenderemos a máxima de que é melhor dar que receber, que é melhor ter para ajudar que precisar pedir;  e conheceremos a  alegria de poder repartir, concluindo que isto é melhor que precisar de ajuda para completar o que nos falta. Pensemos nisto! 

E para não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje, comecemos já, a examinar os armários reais e virtuais de nossa existência para nos certificarmos de que temos muito mais do que necessitamos para viver. E então, espalharemos por aí, com  bondosa alegria, os nossos pertences, ajudando a matar a fome e a sede de quem não conseguiu chegar onde estamos, aquecendo a quem tem frio no corpo e na alma, transformando em luz o que antes eram trevas.

É certo que nunca chegaremos a parecer uma Madre Teresa de Calcutá, mas podemos nos aproximar de tal bondade, tornando-nos pessoas melhores, superando-nos  a cada dia.

(Sete Lagoas, 15/07/2016)


domingo, 10 de julho de 2016

241 - FILHOS

241 - FILHOS

"Nossa! Dá trabalho demais!" É o que a gente mais ouve, quando se fala de filhos. Realmente, dá trabalho mesmo! Muito trabalho! Educar um filho não é fácil. Caminhar com ele, dia a dia, fraldas, mamadeiras, vacinas, medicamentos; depois, escola, lanches, materiais escolares, o estafante "Para Casa", de que a maioria dos pais reclamam - muita agitação, com horários, idas e vindas, leva aqui, busca ali... Cursos diversos, mais horários, mais idas e vindas...

Isto tudo, sem contar com o inesperado: doenças, derrotas diversas, paixões desordenadas,  decepções, choro intermitente, revoltas... Fácil?... Não! Se a gente pudesse livrá-los das tristezas da vida, colocando-os em uma redoma de vidro, protegendo-os dos reveses da vida...

Mas não seria, com certeza, uma boa solução. Porque os criamos para a vida, para enfrentar o mundo lá fora, para atuar, interagir, vivenciar... E quanto mais cedo pudermos, monitorando de longe, soltar as rédeas, ir soltando devagar - não de uma vez - mas, aos poucos, para que possam aprender a caminhar com suas próprias pernas, tanto melhor! Dói um pouco, mas é necessário! E é assim que deve ser.

Nosso primeiro filho completa hoje quarenta e três anos. Um lutador! Um vencedor! Graças a Deus, já caminhou muito e ainda tem muita coisa pela frente, com certeza! Muito ainda está por vir, e a grande esperança que a gente tem é que nenhum filho se esmoreça, frente às dificuldades da vida. É isto o que esperamos e neste sentido, pedimos a Deus por eles. 

E tanto faz a gente ter um filho, quatro ou dez, é sempre a mesma coisa: o pensamento de mãe está sempre voltado para aquele ou aqueles que gerou. Então no dia do aniversário... Parece que  a gente revive tudo aquilo, toda aquela euforia do momento, do antes, o durante e o depois!

Uma vez, um sacerdote afirmou: "A partir do momento que a mulher afirma: 'estou grávida', nunca mais ela terá sossego; nem se o filho partir pra eternidade antes dela. Porque uma mãe traz sempre em mente, a sua prole."  É verdade!


240 - PERSISTÊNCIA!


240 - PERSISTÊNCIA!

Terminei de ler um livro que adquiri quando fomos a Aparecida, SP. Assim que o vi, chamou-me a atenção o título,  pois sempre quis saber um pouco mais sobre a conversão de Santo Agostinho. 

Uma tia nossa falava sempre de Santa Mônica e dizia que gostaria muito que tivéssemos na família alguém com este nome. Acho que tal não chegou a acontecer e ela faleceu sem ter esse desejo realizado, mas o que ela pregava sobre isto ficou gravado na  memória de todos, tenho certeza. Dizia que Santa Mônica rezou durante trinta anos para a conversão de seu filho, acompanhou minuciosamente seus passos com lágrimas ardentes, até chegar a vê-lo transformado num cristão de verdade, sendo considerado hoje, um dos maiores doutores da Igreja.

E realmente, vemos isto bem claro, nesta obra de Bernard Sesé, intitulada AGOSTINHO, O CONVERTIDO. Transcrevo aqui algumas considerações sobre a extensa obra deixada por ele: "Após a morte do bispo de Hipona - Agostinho - Possídio teve a excelente ideia de compor um catálogo de todos os seus escritos. Ficou impressionado pela dimensão do inventário. (...) Contam-se cento e treze tratados, numerosa correspondência, e mais de quinhentos sermões".

Outro trecho: "Entre a rica proliferação de tratados filosóficos e teológicos, autobiografia, correspondência, sermões, relatos históricos, exegese bíblica, catequese, descrições e relatos de viagens, refutações ou controvérsias doutrinais e revisões de seus próprios escritos, três obras sobressaem: As Confissões - A Cidade de Deus - e A Trindade."

Vale a pena conferir nessa análise sintética da vida do convertido, e sentir a preocupação da boa mãe, com a sua salvação. Preocupação que a fez seguir seus passos durante toda a vida, muitas vezes, de longe, quando ele não a queria por perto, a seu lado. Excelente foi o fechamento dessa história, pois seu filho, além de cristão convicto, se transformou num dos mais conhecidos doutores da Igreja.

Com sua eloquência e forte poder de convencimento, Agostinho faz um ardente elogio à Trindade Santa - Pai, Filho e Espírito Santo, a partir de diversas citações bíblicas, num estudo minucioso de quem realmente ama, com profundo amor de filho agradecido.

Como bom internauta, conheça a história envolvente de Santa Mônica e Santo Agostinho. Vale a pena!!!
(Sete Lagoas, 07/07/16)

domingo, 3 de julho de 2016

239 - MOMENTOS...

                                                                             239 - MOMENTOS...

Há ocasiões especiais que não devem ser desperdiçadas. Quando surge o momento, aproveite, não deixe pra depois. Principalmente em se tratando de crianças! Não devemos deixá-las sem resposta. 

Levei a Gabi e o Lukinha para brincarem um pouquinho no Náutico. Ficaram eufóricos quando disse isto a eles, em plena manhã de sexta-feira. Assim que chegamos, desceram rapidamente a rampa de entrada e o Lucas admirou-se, falando alto, quase gritando: 
_ Vovó!  Olha que lindo! 
Vi vários troféus sobre uma mesa: ouro, prata e bronze.
_ Olha, vovó, uma chuteira de ouro, igual a que o Arthur ganhou aquele dia!
Arrisquei:
_ É, Lukinha, igual a que você vai ganhar um dia!
_ Eu?!  Nunca, vovó! Nunca vou ganhar uma chuteira igual a esta. Eu não sei jogar!
_ Ora, Lucas, o Arthur também não sabia, não! Você também vai aprender.
Parou, olhou bem nos meus olhos e arrematou:
_ Vovó, eu não sou bom de futebol!!!

A Gabi já passava correndo na nossa frente, procurando um jeito de descer para ir ao parquinho. Saímos atrás dela, e eu fui explicando a ele como foi a trajetória do Arthur. Não falei dele, Lucas, mas fui dizendo como o primo, no início, ficava lá parado em campo, abaixava-se, brincando com a grama; os colegas correndo atrás da bola e ele parado com o dedo na boca... E, como ele muitas vezes ia conosco, eu disse mais: Lembra, Lucas, como a gente ficava brigando com ele, por causa dessas coisas que ele fazia?... Lembra que ele não jogava nada?  Depois, com o tempo, foi aprendendo. E deu sorte de fazer tantos gols no campeonato, revelando-se o artilheiro do time.

Ia falar agora da sua atuação, como ele já estava conseguindo dominar a bola... Mas ele já saiu correndo para o escorregador. Mais tarde, comentei com seu avô e ele disse: 
_ Coitado, Celina! Já estão colocando na cabeça do menino que ele não sabe jogar futebol. Que maldade!... Tem que explicar pra ele... 
_ Eu tentei. Aos poucos,  vamos mostrando a ele, o seu progresso. 

É claro que cada um tem aptidão pra uma coisa; ser dos melhores, depende dos carismas; mas todos somos capazes de aprender um pouco sobre qualquer coisa. E o Lucas tem uma vantagem: é muito disciplinado e faz tudo o que os instrutores pedem. Corre pelo campo o tempo todo, saltitando, e comemora as jogadas boas dos companheiros, grita quando seu time faz um gol, é muito entusiasmado.

Sua mãe comenta: "De vez em quando, a bola sobra pra ele, mas nem sabe o que fazer com ela." Peço muito pra não dizer nada disto a ele. "De jeito nenhum!" afirmou. É claro que, certamente, não vai ser um jogador de futebol. Ninguém está pensando nisto, mas o esporte disciplina e é um exercício muito bom e necessário ao crescimento saudável. Então, vamos incentivá-los a continuar. 

Brincaram no parquinho, viram passarinhos saltitando pelo campo, uma garça na lagoa, brincaram um pouco na piscina, dei-lhes um banho quentinho e voltamos pra casa, em cima da hora de almoçar e aprontar pra ir pra escola.

O assunto em questão vai voltar, com certeza, e vamos caminhando juntos, analisando o desempenho de cada um, em cada atividade. O que não devemos fazer, é deixar as crianças desanimarem frente à primeira dificuldade. E ensinar a cada uma, a não se comparar com os outros, mas superar-se a cada dia.
(Sete Lagoas, 03/07/16)


sexta-feira, 1 de julho de 2016

238 - APELO

238 - APELO

Reze por mim, que eu rezo por você. Vamos pedindo a Deus que nos ajude a cortar nossas arestas, para que possamos fazer sempre o melhor. Possuímos dons diferentes – a Bíblia fala disto. A cada um foram atribuídos alguns carismas. Tenho os meus,  você tem os seus. E precisamos desenvolvê-los. Recebemos a semente. Apenas! O cuidado é nosso. Fazê-la germinar, cuidando bem do solo é nosso dever. Como diz São Paulo, “quem se gloria, glorie-se no Senhor.” É pelo Senhor que precisamos cuidar e fazer melhor a cada dia.

Hoje cheguei cedo ao Santuário e, como todos os dias, fiz a Oração pela beatificação do Padre  Libério, uma  oração que  me foi dada por  um  senhor  velhinho que o conheceu.

Ajoelhada ali, compenetrada, olhos fechados, vem o coordenador da liturgia daquele horário e me pede para fazer a leitura. Subi para colocar a veste, pensando: Qual será o texto de hoje?...

Conferi no Lecionário: Um trecho do Profeta Amós. Dei uma olhada rápida: um texto muito lindo! No momento certo, subi e proclamei solenemente: “Buscai o bem, não o mal...” Amós, capítulo 5, versículo 14 e seguintes. E termina assim, o trecho de hoje: “Que a justiça seja abundante como água, e a vida honesta, como torrente perene.”

As pessoas dizem que gostam quando eu leio porque elas entendem perfeitamente. Gosto de ler, leio com pontuação e entonação adequadas, e o faço pausadamente para que todos possam compreender a mensagem. Mérito meu? Não totalmente; apenas em parte. Porque é o que eu disse acima: recebemos a semente e somos responsáveis pelos frutos. Cuidar bem para que possa frutificar, é trabalho nosso.

Ontem, ao chegar à Paróquia de Santo Antônio, certifiquei-me, com tristeza, que eu havia esquecido, em casa, os óculos. O que fazer? Passei pela Porta da Misericórdia e fiquei bem atrás, até o início da celebração. Porque, quando falta um dos leitores, ali também me pedem para ler. E eu teria que dizer Não, com tristeza, porque, embora as letras do Lecionário sejam bem grandes, não tenho segurança, sem os óculos. Ler em voz alta para o público é de muita responsabilidade; ainda mais quando se trata da Palavra de Deus.

Por isto, o meu apelo hoje, a você,  que é uma pessoa boa e lê o que escrevo: “Reze uma Ave Maria pra mim!” Estou pedindo a Deus, pelos méritos do Padre Libério, pessoa humilde que viveu 96 anos aqui na terra, consagrando o pão e o vinho, durante décadas, e por intercessão de Santa Luzia, que eu possa ter a minha visão curada para prestar a Deus e à comunidade, os melhores serviços com as leituras que faço. Você pode me ajudar?... Obrigada! Ave Maria...

(Sete Lagoas, 29 de junho de 2016) 

237 – MILAGRES EUCARÍSTICOS


237 – MILAGRES EUCARÍSTICOS

Há muito me encantam os milagres,  fascinam-me as coisas extraordinários de que tomo conhecimento. Fico feliz ao saber que pessoas simples como nós, mereceram a graça de poder propagar, ainda em vida, as maravilhas do Senhor. Ainda  bem pequena, eu ouvia minha mãe dizer que “conhecia Santa Lola e ela era mesmo santa pois há muitos anos vivia somente da Eucaristia.” (“O mistério da mulher que viveu 63 anos somente da Eucaristia por sua devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Mesmo depois de sua morte ocorrida em 9 de abril de 1999 a vida de Floripes Dornelas de Jesus - que se tornou conhecida como Lola - tem atraído milhares de pessoas a visitarem o seu túmulo em Rio Pomba, município mineiro distante 251 quilômetros de Belo Horizonte. Nascida em 1913 ela caiu do galho de uma jabuticabeira em 1936 e nunca mais andou, vivendo em seu quarto numa fazenda que herdou de sua família. Ainda jovem e paraplégica ela teria consagrado as suas dores físicas ao Sagrado Coração de Jesus pedindo a conversão dos pecadores”. Internet)

Eu, sentindo fome, ficava intrigada: Como pode uma pessoa comer apenas aquele pedacinho de pão durante todo o dia?...  Eu era muito pequena para entender as coisas de Deus!

Um dia encontrei um livro do Padre Alberto Gambarini, intitulado “O milagre da EUCARISTIA para VOCÊ”. Adquiri-o e pude constatar, com grande gozo, que tal situação não era privilégio de uma pessoa que minha mãe conhecia, mas que muitas outras já sobreviveram assim por longos anos. Além disto, lá estão relatados, vários milagres eucarísticos. Vale a pena ler!

Agora, as facilidades aumentam a cada dia: busquei na internet. Casos e mais casos semelhantes, nas diversas partes do mundo, Itália, França, Alemanha, Áustria, Bélgica, Colômbia, Croácia, Egito, Índia, Ilha Martinica, Ilha da Reunião, Holanda, Peru, Polônia, Portugal, Espanha, Suíça, entre outros.    É muito gratificante pra nós, que cremos fielmente na presença real de Jesus na Hóstia Consagrada. Procure lá, você vai ver como são inúmeros os casos de pessoas que surpreenderam a família e conterrâneos, ao conseguir viver assim, como  Marthe Robin, uma camponesa lá da França, que viveu 53 anos somente da Eucaristia.

Sei que são pessoas diferentes, santas demais! Nós, simples mortais, no máximo podemos fazer alguns sacrifícios; como diz uma amiga minha,  passar um suculento bife acebolado para o esposo, a neta, e outros e colocar em seu próprio prato, apenas um pouquinho de arroz, feijão, e verduras... Mas ainda precisamos dessa alimentação. Estamos muito longe de passar o dia todo apenas com a Eucaristia que recebemos pela manhã. E, se o conseguirmos, se formos capazes disto, no dia seguinte, vamos amanhecer, com certeza,  azul de fome! Fazer o quê, não é? Não possuímos a santidade daquelas pessoas; podemos até ser consideradas pessoas “boazinhas”, mas elas, as outras, são especiais, porque mais próximas do Criador!  Não somos dignas nem de “desamarrar as suas sandálias.”

(Sete Lagoas, 29/06/2016)

terça-feira, 21 de junho de 2016

236 - IMAGENS

236 - IMAGENS

Imagens são ótimas! Quando a criança recebe um texto imagístico para observar, as histórias que inventa são fantásticas. Ao contrário também, quando recebe um texto sem imagens, as mesmas são formadas em sua rica mente infantil e passa um filme na sua cabeça, seguindo os relatos de uma história lida ou contada. As primeiras manifestações do ser humano foram através de imagens, de desenhos, que tentavam passar a ideia que se queria transmitir.

Há uma certa intolerância por parte de algumas pessoas com relação às imagens de Santos na Igreja Católica, por desconhecimento de sua história. Gostaria de dizer que os Santos foram pessoas boas que compreenderam a mensagem do Filho de Deus, seguiram seus ensinamentos e fizeram obras grandiosas, chegando mesmo a operar milagres em sua profunda ligação com a Trindade Santa.

A primeira grande imagem é a da Cruz: Jesus, após uma vida terrena, onde demonstrou todo o seu poder, fez muitos amigos e, com a Verdade que veio pregar, conquistou alguns inimigos também; encerrando sua missão aqui na terra, Ele se permitiu ser levantado na Cruz, ressuscitando logo após, e voltando para o Pai. Seus seguidores foram unânimes em testemunhar sua Santidade e  dar continuidade  à missão que lhes foi confiada. A duras penas, pregaram o Evangelho, sendo martirizados por isto. Até o ano trezentos e treze da nossa Era, os cristãos foram ferrenhamente perseguidos e levados à morte. Após esse ano, ficou mais fácil continuar pregando a Palavra.

A segunda bela imagem é a de Maria Santíssima, a Mãe de Jesus. Com tantos títulos pelos quais é invocada, apresenta-se em imagens diversas, mas sempre com a mesma ternura no olhar, a mesma santidade, a mesma devoção ao Filho Amado. É assim que temos: N. Sra. Das Graças,  do Rosário, de  Fátima, da Glória, de Guadalupe, Rosa Mística, do Desterro, do Perpétuo Socorro, N. Sra da Conceição, Aparecida aqui nas águas do Rio Paraíba, no Brasil,  e milhares de outras, de acordo com suas aparições ou nossas necessidades.

Seguem-se as imagens dos Santos: pessoas comuns como nós, mas que tiveram a coragem de seguir os passos de Jesus, a começar pelos Apóstolos e outros discípulos que conviveram com Jesus e Maria e depois, outros tantos que viveram seguindo os preceitos cristãos, desde pequeninos, como nossa querida Santa Teresinha do Menino Jesus, São Luís Gonzaga e tantos outros;  ou que tiveram uma existência devassa e se converteram depois completamente, como Santo Agostinho e milhares de outros.

Até hoje, há pessoas que estão em processo de beatificação como, o Padre Libério, a Irmã Benigna e muitos, muitos outros pelo mundo afora! É um processo demorado, pois a Igreja Católica  é extremamente rigorosa com relação às suas decisões. Então, venerar a imagem de um Santo ou Santa é acreditar que essa pessoa se tornou digna desse título pelo seguimento radical daquilo que Jesus pregou, obedecendo rigorosamente aos seus mandamentos. É imagem de um ser humano que viveu aqui entre nós (não de um bezerro de ouro!). Portanto,  quando vir a imagem de um Santo, ao invés de criticar, procure conhecer, como bom internauta, a sua história e veja se dá para seguir seu exemplo de vida santa, em oração, trabalho e solidariedade, o que caracteriza a santidade conquistada pelas virtudes teologais: fé, esperança e caridade.

(Sete Lagoas, 20/06/16) 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

235 - SAL E LUZ!


235 – SAL E LUZ!

Lindo demais este trecho do evangelho sobre o qual meditamos hoje! Jesus diz a seus discípulos: “Vocês são o Sal da terra!” Somos o sal e precisamos temperar na medida certa! Nem mais, nem menos. O tempero exato. E é por isto que necessitamos estar sempre ligados ao Criador para que esse tempero seja bom. Queremos profundamente que ele seja bom, o melhor possível! 

Se o Sal perder o sabor – o Mestre continua – para que ele servirá? Se ele se tornar insosso, com que se salgará? Na época de Jesus, não havia geladeira, nem freezer, nada que se pudesse utilizar para conservar os alimentos e, principalmente, a carne. Até hoje, em alguns lugares, ou para alguns tipos de carne, o que se usa é o Sal. Se ele perder o sabor, como fazer?!

E diz Jesus: “Vós sois a Luz do mundo!” A luz é tão necessária! Só quando a gente fica sem ela, numa escuridão total, é que entende o seu verdadeiro valor. Enquanto a temos - e basta um clic para que tal aconteça - não avaliamos a falta que ela nos faz. Há um slogan que diz: “A mãe é para os filhos o que a luz é para todos nós; só lhe damos o justo valor, quando se apaga.” É... se ela falta, e não temos no momento, uma outra fonte de luz para amenizar a situação, é terrível!

Sal e Luz! As multidões compreendiam bem as comparações que Jesus utilizava em suas proclamações. Por isto O seguiam e estavam sempre com Ele por onde ia... Mas é preciso amor, muito amor, e humildade, para compreender que o Filho de Deus veio nos ajudar a caminhar melhor pelas estradas da vida, na certeza de que é melhor servir que ser servido, é melhor ajudar que precisar de ajuda, é melhor acolher com bondade para que também possamos ser acolhidos em nossas aflições.

Louvo a Deus a cada momento pelo que nos proporciona todo dia e peço muita sabedoria para tentar me aproximar ao máximo daquilo que Ele quer de mim; e quando medito nas palavras de Maria, Sua e nossa Mãe, “Fazei tudo o que Ele vos disser”, peço a Ela mesma que me ajude a enxergar melhor, a ouvir melhor, a compreender melhor o que Ele está me dizendo; porque eu preciso, eu quero, ser melhor, muito melhor!

(Sete Lagoas, 07/06/2016)