quinta-feira, 23 de julho de 2020

457 - O Messias

457  - O  Messias

Ele veio! Poderia ter sido de muitas outras formas. O Pai, Todo-poderoso, resolveu colocá-Lo numa família. Não uma família imperfeita como a nossa; mas uma família santa: a Sagrada Família de Nazaré. Ele veio, porque precisava vir! Veio: era de extrema necessidade a sua vinda! Não mais "olho-por-olho, dente-por-dente" - mas o Perdão, o Amor, a Paz! 

E na humildade de uma Gruta de Belém, tendo por primeiro berço, uma simples manjedoura, Seu sorriso encantou aos pastores, assustados ao verem a Estrela! Avisado por Deus, ainda de noite, o Justo José, toma a Mãe e o Menino e parte com Eles para o Egito, pois o rei queria matá-Lo, temendo Aquele que diziam ser o Rei dos Judeus!  E por lá ficaram até a morte do maldoso rei!

Na pequena Nazaré, após o retorno do Egito, cresceu o Menino, recebendo todos os cuidados que uma criança requisita e merece. Viveu Sua infância, feliz, inserido numa comunidade de irmãos que se respeitam, que caminham juntos, que tudo fazem para que a paz aconteça.

Todos os anos iam a Jerusalém. Formavam enormes caravanas para que as viagens se tornassem menos cansativas e mais seguras. Enquanto os homens iam na frente, falando certamente de plantios e colheitas, de família e da vida cotidiana, as mulheres caminhavam atrás, tricotando assuntos que lhes diziam respeito. E as crianças entre os dois grupos, com seus folguedos e brincadeiras infantis.

Era uma rotina agradável que os alegrava muito. Começavam a se preparar, com bastante antecedência e ansiedade, planejando tudo o que deveriam levar para a grande viagem. Estar num templo grandioso em Jerusalém, certamente não era o mesmo que participar todos os sábados de um encontro na sinagoga. Era muito diferente, muito mais emocionante! Mas os mesmos textos eram lidos e comentados, seja falando do povo de Deus, seja profetizando sobre o Messias prometido.

E foi nesse ambiente que Ele cresceu. Maria sabia quem era Ele pelas palavras do Anjo. José também o sabia, pelo mesmo motivo. Mas os outros não, a não ser Isabel, após a feliz visita ao precursor, que estava por nascer. Porém, os judeus, que liam e analisavam as Escrituras, esperavam ainda, pelo Messias. Numa dessas viagens a Jerusalém, o Menino não volta na caravana dos Pais, porque queria, de certa forma, Se manifestar aos mestres da Lei, com Suas ideias brilhantes que os deixaram boquiabertos, ao verem tanta sabedoria, numa criança de doze anos; os Pais voltam apavorados para buscá-Lo e O arrebatam daquele ambiente hostil!

E assim, o Menino foi crescendo entre os demais. Levava uma vida normal em família, ajudando a Mãe, aprendendo o ofício de carpinteiro com José, Seu pai adotivo. Este falece e Sua responsabilidade se torna maior, como a única figura masculina na humilde casinha de Nazaré.

Aos trinta anos, é batizado pelo primo João, o Batista, nas águas do Rio Jordão e começa então a Sua missão. Sem revelar a princípio, a que veio, começa a arrebanhar discípulos a partir de Suas palavras e atos que cativavam a todos, após um período difícil de quarenta dias no deserto, a que Se submeteu, voluntariamente.

Apesar de tantos sinais, coisa bem diferente de tudo o que haviam visto até então, muitos judeus não acreditaram na Sua divindade, preferindo considerá-Lo apenas um profeta a mais. Por mais que Ele fizesse e dissesse, autoridades políticas e eclesiais se recusaram a acreditar em Sua natureza divina, preferindo falar de blasfêmia, quando Ele o dizia abertamente. E por isto O condenaram à morte; morte terrível, que conhecemos!

A ressurreição trouxe novo e definitivo ânimo aos discípulos, que há muito O acompanhavam. E a Mãe Maria pôde então falar abertamente a eles, sobre os planos de Salvação da Humanidade, sendo Ela, o suporte seguro dos apóstolos e demais discípulos, na força de que a  Igreja nascente necessitava,  Igreja fundada por Ele e duramente perseguida até o ano trezentos e treze, com a conversão  do imperador Constantino, ao Cristianismo. 

A promessa, que para nós ficou, é de que Ele irá voltar. Por isto, repetimos em todas as celebrações Eucarísticas: "Vinde, Senhor Jesus!" E acreditamos sinceramente que Sua vinda está próxima. Não sabemos quando, nem como será, mas cremos em Suas palavras e sabemos que esse dia vai chegar. Aguardemos, confiantes, preparando-nos para recebê-Lo!
(Celina  -  21/07/2020)

sábado, 18 de julho de 2020

456 - O Tempo

456  -  O Tempo

Como definir o tempo?... Tem jeito, não! Podem ser geradas várias definições, porém todas são parciais. E não há como reuni-las em uma só definição. E nem declarar: Esta é a mais comum! Não. Todas são comuns, e todas são sofisticadas, todas parciais. Ou não! Como diz o meu irmão: "Ih! Complicou!"

Vamos tentar descomplicar um pouco, com alguns exemplos: "No meu tempo..." Ah! você pode dizer: "Esta é fácil!" E eu respondo: Nem tanto! Veja bem: Se você está falando, é porque está vivo. Se você está vivendo, está atuando dentro de um tempo, que está acontecendo agora; então este tempo em que você vive é atual. Tá bom! Então por que você diz! "No meu tempo..." se ainda está por aqui no tempo. Está ficando confuso, parece. 

Aí vem alguém e diz: "Quando chegar o seu tempo..." Que tempo? A pessoa em questão já não está num tempo? Vai haver outro tempo para ela? "Uai, mas..."  Sem mas. Vamos em frente...

...E a gente repete, constantemente: "Não tenho tempo!" Ora! Como assim?! Se você não tivesse tempo, não estaria aqui neste tempo - que é de todos,  ao mesmo tempo... Mas você está aqui, agora, usufruindo deste tempo atual.

Vamos deixar de nos preocupar com o tempo. Ele é bem complicado. Esqueça. Pense só no hoje. Agora! É o único tempo de que dispomos realmente, todos ao mesmo tempo. Pra que complicar,  não é mesmo? Deixe que o tempo faça o que só ele pode fazer! E você, faça a sua parte. Faça o que deve fazer. Cuide daquilo que compete a você cuidar. E é só!
***
Meus irmãos, não temos como questionar o tempo; o tempo não é nosso - o tempo não nos pertence - o tempo é de Deus! Esta verdade precisa sair de nossa cabeça e ir para o coração e professarmos, com certeza absoluta: "O tempo não é nosso! O tempo é de Deus!" Acreditemos no Kairós!

Nós, simples mortais, jamais dominaremos o tempo, porque ele não é nosso! Nem precisamos ser um expert no assunto, para declararmos solenemente: "O tempo não é humano - o tempo é divino. O TEMPO é de DEUS!!!" E ponto final.
(Celina  -  18/07/2020)

segunda-feira, 13 de julho de 2020

455 - O Amanhecer de hoje!

455  - O Amanhecer de hoje!

Simples assim! Vida simples - talvez seja como Deus quer. Já na cama, acordada há bem tempo, começo a pensar na nossa novena de hoje, porque terminamos ontem, a anterior. Levanto bem disposta, saúdo algumas Imagens do pequeno altar que está aqui no meu quarto, penso em fazer a novena de Nossa Senhora Desatadora dos nós, de São Bento ou da Sagrada Família. Não sei. Vou decidir ainda.

Percorro feliz cada cômodo da casa, abrindo janelas e portas, saudando as Imagens de nossos  intercessores, um a um, em cada um dos quartos e banheiros, das salas, cozinha, lavanderia e barracão. Abençoo com o sinal da Cruz, os arredores da casa e a vizinhança. Porque Deus nos abençoa e nos envia a abençoar. Assim, abro porta dos fundos e da frente, sempre a orar. Na cozinha, beijo meu humilde São Benedito, e nesta minha caminhada pela casa, quantos beijos lanço às minhas muitas Imagens de Nossa Senhora, principalmente, a Nossa Senhora Aparecida! Que Ela, a Rainha, abençoe o nosso Brasil!

Em Oração constante, lembro e gravo: "E nós cantaremos, a mesma canção, unidos num mesmo coração!" Ligo a televisão para a primeira celebração do dia. E aí, eles, os músicos,  começam a cantar assim: "Vamos celebrar: Deus está aqui..." Uma leitura linda de Isaías, lembrando o chamado e a sedução de Deus; o Salmo - "Reina o Senhor" - e o Evangelho proclamado, com muita ênfase, pelo sacerdote, que finaliza assim: "Que as Santas palavras do Evangelho perdoem os nossos pecados!" 

Gente, isto é bom demais! Viver assim é muito bom! E refletindo sobre as palavras que acabou de proclamar, ele nos convida a evangelizar, sem medo, declarando: "Se pensaram mal do Mestre, claro que vão falar mal de nós também!" Não tem importância! Pessoas que amam a Deus e são coerentes na Fé, vão estar em comunhão comigo, nesta crônica de número quatrocentos e cinquenta e cinco, pensei.

Vou fazer minha higiene matinal, escovo os dentes, agradecendo, e ao usar um antigo creme, digo ao passar na testa - pensando em todos nós: "Deus, abençoe nossos pensamentos de hoje"; e no nariz: "Deus, abençoe o ar que respiramos"; e descendo pela face: "Deus abençoe tudo o que vemos, tudo o que ouvimos e o que falamos"; e no pescoço: "Deus, abençoe nosso equilíbrio físico, mental e espiritual".

E é assim que quero sempre viver! Termino e vou montar a novena, louvando a Deus, à Sagrada Família e pedindo a intercessão dos Arcanjos e de São Bento, o Santo que comemoramos hoje, num apanhado de tudo o que eu queria na minha santa indecisão. Assim, amanheço feliz e procuro estar de bem com a vida durante todo o dia!

E minha colega de novenas diárias, acrescentou à de hoje, um áudio com lindas palavras do Monsenhor Jonas Abib, proclamando com confiança: "O Sangue de Jesus tem Poder!" Ficou ótima a nossa Oração que faremos, a partir de hoje, durante nove dias. E assim, vamos caminhando, com fé, penitência e oração constante, em nome de Jesus. Amém!
(Celina  -  11/07/2020)

terça-feira, 7 de julho de 2020

454 - Paixão Nacional!

454  -  Paixão Nacional!

A semana inteira, na doce expectativa: será que vai ser transmitido em algum lugar? Ai, meu Deus, se não for, vamos ter que aguentar aquele rádio barulhento, como em mil novecentos e antigamente!

E aí, no sábado, meu filho caçula me passa uma mensagem: "Origem do MyCujoo, parceria com o Flamengo e como pagar: saiba sobre a plataforma e a transmissão do jogo... (www.lance.com.br)"

Era o que faltava para os ânimos se inflamarem! Ô doença, meu Deus! Li tudo para o meu esposo e ele pediu pra eu pagar bem cedo, pra não correr o risco de não conseguir na última hora. Não sei até hoje, quem é mais "doente":  se o mais velho, que há quase setenta anos torce para o Time, ou se o mais novo - dos filhos - considerando que até os netos já estão contaminados!

Levantei bem cedinho e comecei a procurar os cabos USB; encontrei quatro,  sempre querendo um mais  comprido. Meu filho havia dito para jogar, do computador, na televisão,  porque as imagens ficam maiores. Um trabalho em vão, já que o pai disse que assistira o último aqui no computador e gostara muito, não precisava ser lá; bastava poder ver o jogo. Tudo bem.

Entrar na plataforma foi fácil; difícil era pagar os famigerados dez reais porque me jogaram numa tela de "processando pagamento" e  fiquei esperando. Esperei... esperei... esperei... E nada! Então liguei para o meu filho e ele disse que o sistema estava congestionado e que a única coisa que podia fazer era esperar mesmo. Haja paciência!

Minha filha ligou pedindo que apanhasse alguns limões, que meu genro levaria quando viesse trazer as compras.  Ai!... E se eles chegassem ao meu pagamento e eu não estivesse ali? Esperei mais um pouco e nada! Então fui apanhar os limões, mas chegava a todo momento na janela pra ver se havia mudado a tela. 

Voltei - e nada ! Então resolvi dar uma olhada nos comentários. Muita reclamação!  E aí,  um torcedor lá dos Estados Unidos disse que era mais fácil comprar pela plataforma do Flamengo ou da Gávea. Com muito custo, conseguimos pagar os dez reais mais difíceis que eu já vi. E pudemos deliciar com o jogo e comemorar sua vitória, mas pela FlaTv pois foram tantas as reclamações que  resolveram retransmitir o jogo. 

Muita confusão, muita briga com a internet, mas no final, tudo deu certo e os torcedores  ficaram satisfeitos com a decisão dos dirigentes do Clube do Flamengo. Só que até hoje tem gente brigando pelos dez reais que pagou para o MyCujoo!

Meu esposo diz brincando, que a sua primeira paixão é o Flamengo e depois eu, mas quando fala sério, inverte a ordem. Sei não! E não me importo porque pra mim, sempre o primeiro é Deus - "Amar a Deus, sobre todas as coisas!" - e  ele vem também em segundo lugar. Luto, busco, insisto, tento tudo até o fim, mas sempre com a frase: "Tudo posso nAquele que me fortalece!"

E precisamente hoje, na homilia da celebração da TV Aparecida, o Padre Luís Cláudio Macedo, lembra que não devemos colocar nada no lugar de Deus. Explicando o Evangelho, diz que o povo da época do Messias, via e aplaudia com muito entusiasmo tudo o que Ele fazia. Mas que atualmente, e mesmo naquela época, pela frieza dos incrédulos - fugindo do radical significativo da palavra - muitos colocam seu entusiasmo em coisas materiais. Lembrando, mais uma vez, que o termo "entusiasmo" significa "ter Deus dentro de si". Assim sendo, toda alegria que conseguimos na vida, vem por meio de Deus! 

Gratidão a Ele por tudo isto! Então, uma primeira paixão - que não quero que seja apenas nacional, mas internacional - deve ser sempre dirigida a Ele, o Criador, pois "tudo passa; só Deus permanece!"
(Celina  -  07/07/2020) 

sábado, 4 de julho de 2020

453 - Vida mais Fácil?...

453  -  Vida mais Fácil?...

Pra começar, pela primeira vez na vida, nem sei como começar!!! Já escrevi tantas coisas, fiz tantas reflexões e, por mais de uma vez, devo ter declarado que minhas crônicas já aparecem assim prontas na minha mente - melodia, letra e significado - bastando apenas fotografar e colocar no papel o que lá se encontra!

Porém, hoje não! Nem sei como começar e nem sei por que pensei nisto hoje! Mas talvez nem seja mesmo hoje porque, remexendo nas gavetas lá do fundo, bem lá no fundo - e olha que são muitas! -  busco  algo, não de agora, e nem apenas uma vez, mas muitas e muitas e muitas...

Ah! Está claro agora! Achei! Mais de uma vez, repeti, a mais de uma pessoa, esta afirmativa talvez infeliz - mas não inverídica: " Acho que a gente era muito mais feliz, quando não se tinha tanta informação!" Ah, sei! É isto! Também está pronta a crônica de hoje, talvez um pouco chata e cansativa. Porque pensar assim, também é chato e cansativo. E eu não posso sofrer isto sozinha!  Por isto, divido com você, que talvez, sem querer, tenha começado a ler esta bagunça.

Mas agora vai querer ir até o fim. Porque eu não vou querer deletar o que pensei e não vou, de forma alguma, perder a minha crônica de número quatrocentos e cinquenta e três! Não! Não vou! E quero você aqui comigo, caminhando no meu sofrimento.

As pessoas comuns eram simples e caminhavam tranquilas, na sua simplicidade. Mas as coisas mudaram. Pra melhor ou pra pior? Especificamente, neste assunto de hoje, pra pior. Explico: Quase nunca vejo televisão, mas meu esposo gosta muito. E me grita; "Celina, vem cá! Vem ver!" Estou sempre muito ocupada com outras coisas, mas ele insiste. E me conta, indignado! E eu: "Para que eu preciso saber disto tudo?" E ele: "A gente tem que saber sim! Porque isto é um absurdo"...

É  um absurdo, mesmo! Mas o que podemos fazer? Saber de tantas coisas ruins que acontecem por aí, vai muito além da nossa capacidade de resolver problemas e viver em paz. E muitas dessas informações nos tiram o sono, nos irritam, nos colocam na defensiva contra uma humanidade desumana e nos impedem de viver a felicidade que merecemos, preocupando-nos com aquilo que não nos dizem respeito e que não podemos, de forma alguma, ajudar a resolver. 

Mas o sofrimento é inevitável...

Mesmo sem eu relatar aqui, a enxurrada desses infelizes episódios, aposto que alguns já vieram à sua mente. Viu? E vai fazer você sofrer de novo! Não seria melhor se a gente vivesse nossa vida simples, honesta e verdadeira, sem tomar conhecimento de tudo isto? Saudações!

(Celina - 04/07/2020)

quarta-feira, 24 de junho de 2020

452 - Insistir - Perseguir - Persistir - nunca Desistir!!!

452  -  Insistir - Perseguir - Persistir - nunca Desistir!!!

Se é algo que vale a pena, se é um sonho realizável, se se tem um grande desejo de consegui-lo, se não é humanamente inatingível, por que desistir? Não! Jamais! Sempre persegui meus objetivos com coragem, com determinação!

Se foi fácil? Claro que não! Nada foi assim tão fácil na minha vida, mas todos os sonhos eu consegui realizar. Você pode estar pensando que sonhei pequeno... Não! Meus sonhos eram exatamente do meu tamanho. Porque se você sonhar o inatingível, como poderá chegar ao que pretende?... E se você não sonhar, não for à luta, não se sacrificar, vai ficar onde está, esperando o tempo passar.

Assim foi que consegui o que sonhei. Dirão então: "Mas você teve sorte!" Claro que tive sorte, pois são coisas de Deus. Quando você sonha o viável e não mede esforços para atingi-lo, tudo pode acontecer. E acontece mesmo; a seu tempo! Por isto, é preciso ter paciência e saber esperar.

Pais pobres, colégio particular, encontrei quem me ajudasse. Por quê? Porque me entregava totalmente aos estudos, com toda a força da minha alma. E assim, encontrei quem me apontasse como merecedora do prêmio. 

E chega o momento de fazer o curso superior e  fiz o vestibular para graduação, mas entregando-me a um namoro com uma pessoa que amava, ele não me deixou ir para a Faculdade porque teria que viajar para outra cidade. E disse-me brincando: quando a gente for para Diamantina, você pode fazer o curso que deseja. 

Fomos mesmo. Muito tempo depois! E eu fiz o que queria! Pude então, com grande sacrifício e  esforço, muitas madrugadas sobre apostilas e livros, quatro adolescentes sob meus cuidados, monitorando a construção de uma casa, Faculdade à noite, sobravam apenas as altas horas para a enorme bibliografia que o curso exigia. Venci!

Sempre gostei de escrever e o fazia quando a inspiração determinava. E fui guardando. Um dia, pude publicar o que havia guardado - e continuar a escrever, e a publicar. Mais de um exemplar pude dedicar aos familiares e amigos. Deus é maravilhoso!!!

Um grande sonho da juventude era ter filhos... E eles vieram! E depois os netos, que nos dão tanta alegria! Assim, a família vai caminhando. E eu muito feliz porque continuo insistindo sempre naquilo que pretendo, perseguindo meus objetivos, persistindo sempre, com vontade, com coragem, com garra, sem jamais desistir. Porque sei que vale a pena!
(Celina  -  24/06/2020)

sexta-feira, 19 de junho de 2020

451 - P X

451  -  P X

Cristograma muito utilizado na Hóstia Consagrada e nas vestes litúrgicas. Usado antes mesmo do imperador Constantino que o mandou colocar em seu estandarte militar romano. É formado pelas duas primeiras letras da palavra Cristo, em grego, não assim como eu as registrei no título desta, mas são letras maiúsculas sobrepostas; monograma gravado nos escudos dos soldados e, após uma importante vitória, ficou conhecido como o "lábaro de Constantino".  Ele era filho da nossa tão venerada Santa Helena, aquela que mandou procurar até encontrar, a Cruz, onde Jesus foi cruelmente pregado.

Santa Helena, a mãe do imperador Constantino, foi uma pessoa de muita fé e que influenciou  seu filho, para o bem do cristianismo. Lembra do Édito de Milão? Pois é. Até então havia uma perseguição enorme aos cristãos que precisavam se reunir às escondidas, para seus cultos religiosos. A partir do ano 313 - 13 de junho - com a promulgação do  documento do imperador, o Império Romano deixou de perseguir os cristãos que já podiam se encontrar livremente. Além da liberdade religiosa, eles contaram ainda com a devolução dos lugares de culto e as propriedades que haviam sido confiscadas.

Assim, o monograma acima se tornou também um dos símbolos católicos como o JHS ou IHS e outros mais. Como disse na crônica anterior, sempre ficava curiosa com esses monogramas utilizados nas celebrações e acho que vale a pena pesquisar sobre os mesmos. 

Porém, é preciso um tempo maior e uma dedicação muito grande aos estudos para se compreender a História da religiosidade de um povo que caminha e que teve, na vinda do Filho de Deus ao mundo, um ganho imenso na tentativa de compreensão das coisas eternas. Muito difícil tudo isto. E não podendo saber como será daqui para a frente, vamos, pelo menos, procurar conhecer e compreender o passado, o que também não é nada fácil!

Enfim, precisamos contar mesmo é com a ajuda da sabedoria divina até onde a Trindade Santa nos pode, ou nos quer revelar. Há pessoas, como alguns dos grandes Santos, que tiveram lindas revelações. E algumas pessoas atualmente também. Resta-nos procurar conhecer um pouco, contentando-nos com as migalhas de reflexões, a que podemos ter acesso. E é apenas isto! Procure viver sempre com o Cristo: P X - Alfa e Ômega!

(Celina  -  19/06/2020)

quarta-feira, 17 de junho de 2020

450 - J H S

450  -  J H S

Bendita Internet! Está agora tão fácil receber informações, não é mesmo? Muitas vezes, a gente gostaria tanto de saber alguma coisa, mas não tinha coragem de perguntar, ou o fazia a várias pessoas, que também não sabiam.

Quantas vezes, contemplei com carinho, estas três letras na Hóstia Consagrada! Hoje sei que vêm da forma latina, IESUS HOMINIBUS SALVATOREN - Jesus, Salvador dos Homens -  criada por São Bernardino de Sena, no século XV e adotada por Santo Inácio de Loyola, no século XVI, como emblema da Companhia de Jesus. A sigla foi depois transformada em monograma e usada como um dos símbolos católicos.  

Hoje, dia 14/06/2020, se um de meus filhos chegasse aqui  e entrasse, pensaria: "Coitada da mamãe! Parece estar ficando meio louca, com este isolamento!" E eu responderia, mesmo sem ouvir qualquer comentário: Estou bem! Não se preocupe! Acontece que, se o faço, é porque me dá prazer, me faz feliz! 

Eu havia participado da Celebração Eucarística na Canção Nova às sete horas, mas ao terminar, passei para a Rede Vida, às oito. Só que, na nossa Paróquia aqui de Sete Lagoas, a celebração começa às oito e meia e liguei o computador para participar um pouco, com os nossos paroquianos. Então, uma colega me passa uma mensagem dizendo que, no Vaticano, o Papa estava com a Solenidade de Corpus Christi e liguei o celular. Assim, fiquei, de repente, com três missas: nosso pároco que celebrava aqui no computador, um Bispo, na televisão, lá na sala e o Papa, no celular, lá na cozinha! Tudo pertinho, aberto, e como estou mesmo acostumada a prestar atenção a várias coisas ao mesmo tempo, participava ativamente de tudo. Não é uma Bênção?

Refleti e sorri ao me lembrar de uma mensagem que havia recebido pelo whatsapp, onde satanás criticava a Jesus por ter fechado Suas igrejas, ao que o nosso Mestre responde: "Mas Eu abri Milhões, nos lares dos meus filhinhos!!!" Aí pensei: só aqui em casa, são três e bem diversificadas: na nossa paróquia, o Padre, totalmente só, fazendo as leituras, cantando o salmo,  proclamando o evangelho e fazendo todas as orações do dia, com a liturgia do domingo, na sua pedagogia bem específica, bem didática, falando do "Chamado" dos doze apóstolos e da situação de cada um deles;  o Bispo não está fazendo tudo sozinho, como o Padre Nilton, podendo contar com a equipe de leituristas e o ministério de música, numa missa solene, concelebrada; lá no Vaticano, além do Papa,  havia outros componentes do Clero e uma pequena assembleia, que utilizava máscaras e respeitava o distanciamento proposto pelas autoridades.

É uma situação bem atípica em todo o mundo e de muito proveito para todos que querem e têm a oportunidade de participar. Ouvir o Papa falando tão bonito do valor da Eucaristia, que nos cura, que nos faz unidos ao Corpo e Sangue de Jesus e aos nossos irmãos, na caridade fraterna, homilia tão rica, da qual já havíamos participado aqui na quinta-feira, mas lá na Itália e em diversos países, a comemoração foi no domingo. 

Estas celebrações de alguma forma nos consolam por não estarmos de forma presencial, recebendo Jesus Sacramentado, que é o nosso desejo mais profundo. Na falta deste privilégio, contentamo-nos, pacientemente, com o que nos é permitido fazer agora. Se lágrimas caem, são involuntárias, e as colocamos, com confiança,  no Sagrado Coração de Jesus e de Maria! (Que diria esse filho, se voltasse às onze e me visse com a celebração no Santuário Eucarístico de Sete Lagoas?... É domingo! Deixe-me participar de tudo!)

(Celina  -  14/06/2020)

sábado, 13 de junho de 2020

449 - Acréscimo!

449  -  Acréscimo!

Lembra a minha crônica 434? Pois é! A minha penca de chaves da casa, se já era grande, hoje recebe mais um elemento: Um tercinho de dedo - conhece? Encontrei-o ontem em uma das gavetas deste móvel que fica aqui, debaixo da escada! Ainda guardadinho no seu estojo de veludo, desde que o ganhei - não me lembro de quem, mas certamente num momento de amizade, de alegria, alguma comemoração talvez! Lindo, ele! Todo douradinho!

Uma vez, a minha cunhada chegou de viagem e me trouxe um destes tercinhos de dedo e me falou que seria bom mantê-lo no carro, para proteção. Desde então, lá está ele, na porta, do lado do motorista - eu! Antes, havia recebido outro que colocara no chaveiro de São Bento, junto à chave do carro.  Conferi: está lá também! Bênção sobre Bênção! E hoje encontro este aqui e me lembrei logo de minha penca com os chaveiros de coração e de Santa Paulina!

Por que estou contando tudo isto? Porque logo que o encontrei, me lembrei dos outros dois. Mas, passado um tempinho, a memória foi bem mais longe! Bem mais... Há muitos anos, adquiri um destes. Andava sempre com ele no dedo e caminhava rezando. Um dia, fui a Teixeiras e minhas irmãs me convidaram para visitar uma tia nossa, irmã de nosso pai, que estava doente - a Tia Maria. E, conversa vai, conversa vem, ela olha para a minha mão e diz que sempre quisera possuir um tercinho daqueles. Que ternura! Claro que, com a maior felicidade do mundo, tirei-o do dedo e o entreguei a ela! Uma coisinha de nada, mas me fez tão feliz!  Ela agradeceu tanto... Imagino quantas vezes ela o tenha utilizado, antes de entregar sua alma a Deus!

São lembranças assim que nos enternecem e nos levam às lágrimas! São  pequenos gestos que nos fazem felizes e vão tecendo um rosário de luz que iluminam nosso caminhar sobre a face da terra!

Toda vez que você tiver um tempinho de ociosidade, vá às suas gavetas, aquelas onde você quase não mexe e tenho certeza de que vai encontrar "coisas" que trarão felicidade e paz à sua alma; lembranças que nos dão sempre uma ligação afetiva com o passado, e nos confortam de dois modos: fazem-nos reviver aquele bom momento, ou nos reconhecer vencedores num episódio ruim de contrariedades e injustiças, talvez. Tudo isto é bom; é experiência de vida! São degraus galgados e aqui estamos. Sempre vencedores! Não morremos, não enlouquecemos e, se nos abatemos um pouco, já recuperamos tudo, tudo! Passou! Viver é maravilhoso!!!
(Celina  -  12/06/2020) 

terça-feira, 9 de junho de 2020

448 - A Escada!

448  -  A Escada!

Já que estou de novo com a veia poética em alta, quero postar aqui um poema sobre uma escada. Achei interessante o assunto e resolvi passar pra vocês que me leem. Buscando na internet, terão mais informações.

A Escada!

Apenas uma escada? Não! É aquela escada de Loretto!
Para acesso ao piso superior, colocado na reforma da Capela!
Necessário construí-la, apesar de tão pequeno espaço.
Grande dificuldade! Sonhavam as freiras com ela!

Como subir ao coro para cantar?
Questionavam todos, difícil solução!
Arquitetos, carpinteiros, não se aventuravam,
Mas era preciso alegrar a celebração!

Rezaram muito, suplicaram na novena
Ao carpinteiro-mor de Nazaré!
E ao final, um velhinho, burrinho, ferramentas...
Ó Senhor, seria ele o próprio São José?

Trabalhando sozinho, fechadas as portas,
Lá estava ele, por meses, o bom velhinho!
Escada pronta, majestosa, perfeita!
Trinta e três degraus, quanto carinho!

Mistério: "Como compreender aquela obra grandiosa, 
Em dupla hélice, em espiral, imponente construção,
Sem cola, parafusos, pregos, só madeira,
Madeira não encontrada naquela região?"

E como pagar ao perfeito construtor
Se nunca mais o viram em Santa Fé?
No Novo México, subir a Escada de Loretto
Agradecendo ao bondoso e místico São José!
(Celina  -  23/05/2020)

segunda-feira, 8 de junho de 2020

447 - Namastê!

447  -  Namastê!

"O divino que existe em mim, saúda o divino que existe em você!" - Namastê! Como é bom a gente aprender a focar sempre em coisas boas, focar nas maravilhas que nos acontecem a cada dia!...

Eu amava aquela história do servo de um rei que não conseguiu impedir que ele perdesse um dedo; você deve conhecê-la. Hoje recebo outra parábola belíssima que quero compartilhar com você: 

"Um rei tinha dez cães selvagens e muito bravos e quando um servo seu cometia um erro, ele mandava que o jogassem aos cães, para ser devorado. Ora, um dia, um senhor, que já o servia há mais de dez anos, cometeu um pequeno deslize e ele mandou que o jogassem aos cães. Então o servo resolveu  pedir a ele que lhe concedesse um último desejo: 'Meu rei, há dez anos eu o sirvo com fidelidade; poderia conceder-me mais dez dias de vida, antes de me jogar aos cães?' O rei achou razoável tal pedido e mandou que o levassem para a prisão por dez dias. Então, ele pediu aos guardas que lhe permitissem tratar dos cães durante aquele tempo e estes lhe concederam. Assim, todo dia, ele dava comida para os cães, lavava o canil, dava-lhes banho e muito carinho. Passados os dez dias, o rei mandou que lhe trouxessem o servo e o lançassem aos cães. Mas, ficaram todos muito admirados, ao verem que, ao invés de atacarem ao homem, davam-lhe lambidas e brincavam com ele. O rei então perguntou ao servo o porquê daquele comportamento dos animais, ao que ele respondeu: 'Meu senhor, apenas há dez dias, sirvo a estes cães e eles se mostraram cheios de gratidão para comigo! Há dez anos, eu o sirvo e o senhor se esqueceu de tudo de bom que eu fiz!' O rei compreendeu que não agia bem com aqueles que o serviam e nenhuma gratidão demonstrava para com eles. E perdoou ao servo."

Este é um resumo rápido da história, para mostrar como, muitas vezes, somos insensíveis no julgamento aos erros dos outros e também dos nossos. Agimos bem, fazemos tantas coisas boas durante toda a vida e, ao invés de nos focarmos em tudo que já fizemos de bom, muitas vezes perdemos tempo remoendo pequenos tropeços, derrotas insignificantes, coisas que não deram certo. E assim, envenenamos o presente, com fatos do passado. 

Não! Não deve ser assim! Vamos procurar manter a calma, vivendo o hoje da melhor forma possível, sem desperdiçar o tempo na ociosidade, ou pior, com lamentações e discussões inúteis. "Carpe Diem!" Aproveitar o que a vida nos traz hoje e fazermos de cada ato, uma oração de gratidão a Deus e àqueles que convivem conosco; porque o hoje, amanhã, já será passado, e teremos então, mais uma vez, boas lembranças do bem que fizemos, servindo a todos com amor e gratidão por nos ter sido permitido fazê-lo!
(Celina  -  08/06/2020)

sábado, 6 de junho de 2020

446 - Exercício Poético

446  -  Exercício Poético

Foi-nos solicitado pelo Clube de Letras de Sete Lagoas, um exercício poético, no qual deveríamos utilizar os títulos dos trabalhos apresentados na reunião virtual anterior, todos, ou alguns deles. Pensei logo no meu pai ao ver a expressão "povoado de lembranças" e  fiz este pequeno poema, utilizando quase todos, oito dos dez oferecidos:

Meu Pai

Que saudades, meu Pai!
Como esquecer
Nossa conversa em noite fria,
Aconchegados e amontoados
Na pequena sala de nosso humilde lar?
O senhor, sempre tranquilo,
Sem estresse,
Amante da palavra e da música,
Com seus ensinamentos,
Cantando alegremente
E vibrando as cordas do velho bandolim!

O hoje, povoado de lembranças,
Mais na alma que na mente,
Traz-me com clareza,
O homem e o tempo,
A ressignificar a minha vida, 
Com valores que me foram passados, 
Tão paternalmente!

Esquecer? Caminho impossível!
Jamais tirarei de minhas lembranças
Suas músicas, meu Pai!
Seu assobio característico, 
Que era a mensagem de presença:
"- Papai chegou!!!"

A um passo também da eternidade,
Já que pra lá todos caminhamos,
Recordo seu amor pela vida,
Sua graça, seu sorriso, sua voz,
Sua ternura a nos abençoar.
Hoje, em lágrimas, suplico de novo:
"A sua Bênção, meu Pai!"
 (Celina  -  06/06/2020)

quinta-feira, 4 de junho de 2020

445 - Carpe Diem!

445  -  Carpe Diem!

Eu pensava nisto hoje cedinho, quando conversava com meu esposo, e logo em seguida, com uma aluna, ao encontrá-la no Facebook. Como é importante a gente saber aproveitar o momento presente, vivendo cada dia de forma bem intensa, desfrutando daquilo que nos é oferecido. Eu podia conversar um pouco mais com ele naquele momento, já que não iria me levantar cedo para ir à Igreja, porque hoje, ela está aqui dentro de casa!

Gratidão, deve ser a palavra de ordem a todo momento. Agradecer a Deus por tudo aquilo que nos foi permitido conquistar ao longo da vida; gratidão pelo que possuímos no momento. E aproveitar bem o tempo, nunca o desperdiçando na ociosidade: "Carpe Diem!"

Muito difícil conviver com pessoas pessimistas que só reclamam - pelo que não possuem - ao invés de se contentarem com o que têm. É muito triste uma situação assim. É claro que todos devemos  lutar em busca de  novas conquistas, mas isto não nos dá o direito de envenenar o ambiente, com reclamações que são só nossas. 

E como é pouco frutífero tentar fazer essas pessoas entenderem que sempre foi assim, desde a criação do mundo! Sempre tivemos pessoas abastadas, desfrutando de uma vida sem dificuldades econômicas, enquanto tantas outras não podem contar com o mínimo necessário para uma vivência com dignidade. Mas também, ninguém sabe a batalha que cada um está tentando vencer, nas diversas áreas da vida. 

Apontam na atualidade, personagens "nadando no dinheiro" e pessoas tentando sobreviver, numa situação terrível, abaixo da linha de miséria. Aí eu tento ponderar: é porque a gente está vivendo hoje, mas pensem bem naqueles loucos impérios antigos, onde faraós com sua cortes viviam cercados de escravos, que estavam sempre ali ao seu lado para servi-los em tudo; e o povão sendo massacrado com um trabalho forçado, desumano, cruel, humilhante!

Sempre foi assim. Porém o que eu tento mostrar é que, de que adianta a gente se preocupar com isto, se não se tem como mudar esse quadro? Gasto inútil de energia e de humor, conviver com tais situações de resmungos e revoltas. De que adianta se nós, simples mortais, nada podemos fazer para corrigir o que pensamos inadequado? Só devo me preocupar com aquilo que eu posso mudar; e empregar todo o esforço possível na resolução do problema. Aquilo que não tenho como solucionar, que posso fazer?... Só rezar, pedindo a Deus, piedade e justiça!

E "Carpe Diem"! Aproveitar, de forma proveitosa, pleonasticamente, o momento presente; de forma proveitosa porque, se não o for, chegar-se-á forçosamente ao arrependimento. Portanto, não se trata de aproveitar  de forma irresponsável, mas sim, com a consciência tranquila de que se está fazendo o bem, empregando o tempo em coisas úteis. 

Estamos vivendo hoje, uma situação nova de Igrejas domésticas. Nós cristãos privilegiados, de comunhão diária com o Corpo do Senhor, confinados agora, em nossos lares, precisamos aprender a tirar proveito disto. Aqui nesta sala, feito Igreja, participando da Santa Missa, quando o presidente da celebração diz: "O Senhor esteja convosco" e eu respondo "Ele está no meio de nós!", olho realmente para o retrato de meus quatro filhos, ainda crianças, um presente no Dia dos Pais, quando morávamos em Três Marias; olho com carinho para Jesus, uma pequena Imagem que coloquei no meio deles; olho de verdade e não como quando estou lá na Igreja e isto é feito apenas pelo pensamento. Estou achando maravilhoso! E quando voltar para lá, o farei certamente, com muito maior convicção.

"Carpe Diem!" Aproveitar enquanto estou aqui e posso olhar com os olhos reais e não apenas com o pensamento, como o faço lá, toda vez que ouço este desejo ardente de que Ele esteja realmente conosco. 

Cabe a nós hoje, agradecer a nova situação. Voltaremos certamente muito mais fortes para as celebrações Eucarísticas! "Carpe Diem!"


(Celina - 04/06/2020) 


domingo, 31 de maio de 2020

444 - Lá se foi...

 444  -  Lá se foi...

É... Lá se foi o mês de maio! Se passou rápido, ou se demorou a passar, não sei definir.  Todo mundo fica meio perdido, numa situação atípica assim. Quarentena deveria ser quarenta dias. Mas já temos mais de sessenta, neste isolamento chamado quarentena. Pensei que poderíamos considerar a etimologia da palavra, mas pude constatar com tristeza, que não é bem assim. 

Amanhã, vou desfazer um altarzinho que alguém resolveu pedir para fazer, com o cumprimento de atividades, durante os trinta e um dias do mês de maio. Missão cumprida! Considerando este mês, dedicado a Maria, o altar montado nas nossas casas, foi para Ela. E foi muito bom, porque, com as Igrejas fechadas, a gente tinha, além das celebrações pela televisão, uma missão a mais, com tais atividades. Terminou hoje. Veremos o que inventarão agora, além da trezena a Santo Antônio, que faremos a partir de amanhã. 

E assim, vamos levando os dias, até ver como é que ficam as coisas, após este período de incertezas em que estamos mergulhados.

Sobrevivemos até agora. Mas muitos já se foram, levados por esta pandemia. E não só pelo vírus, que está devastando todo o mundo, mas por outras questões também, a maioria advinda de consequências do que ele mesmo está causando. É um período bem difícil, este que estamos atravessando. Com certeza, não é o primeiro da História da Humanidade; porém é o nosso tempo e por isto, precisamos aprender a conviver com ele.

E quando a gente pensa que já está melhorando, lá vem o noticiário, falando o que não gostaríamos de ouvir. Outros países sofreram com o corona, que é um vírus bem cruel, mas já estão voltando ao normal. Por aqui, a crise ainda é grande.  Na sexta-feira, foi falado em reabrir as Igrejas, com restrições; no sábado, disseram que ainda não é hora. Tudo bem. As autoridades são prudentes e devemos simplesmente obedecer. É o melhor a se fazer.

E começamos amanhã um novo mês! Junho chega pra nós ainda com Igrejas e escolas fechadas, sem contar lojas e outros tantos locais. E seguimos em frente; mas eu dizia hoje para uma de minhas irmãs: é como estar numa esteira, correndo, correndo, correndo... sem sair do lugar! 

O que nós, cristãos, fazemos desde o início, é estar sempre em Oração, pedindo a Deus que nos abençoe a todos, que tenha misericórdia das almas dos que partiram e console os que aqui ficaram, por enquanto. E nos ajude a levar a vida da melhor forma, tentando cumprir Seus mandamentos, até o momento final, determinado por Ele.

(Celina - 31/05/2020)

443 - Sobrevivência!

443  -  Sobrevivência!

Varrendo lá fora, vi um dos filhotinhos no chão. Empenadinho já, mas todo encolhidinho, coitado! Tremendo de frio. Eu deveria pegá-lo, colocá-lo novamente no ninho. Mas tive receio. Sou meio desastrada com essas coisas e temia que o ninho caísse com os dois. 

Nós os acompanhávamos desde os ovinhos, naquele ninho tão frágil, mal feito, apenas alguns raminhos indecisos. Meu esposo o amarrou, quando vimos os filhotinhos: "Quando crescerem um pouquinho, vão cair com o ninho e tudo. Estas pombinhas são muito relaxadas!"

Cresceram sim. E a gente acompanhando. Um ninho simplesinho, equilibrando-se em duas  barrinhas de ferro, que antes serviam de sustentação a um sombrite  que cobria o orquidário. Tantas árvores por ali, ramos fortes, folhagens espessas e deram preferência para aquele local.  Se bem que o ninho estava debaixo de uma enorme folha de mamoeiro, que o livrava do sol forte e, parece, até da chuva. 

Bem. Mas agora, um dos filhotinhos estava ali, caído no chão frio. Colocá-lo lá de novo, arriscando-se com a queda do ninho e, consequentemente, dos dois, ou esperar acordar quem sabe fazê-lo com segurança? Na dúvida, optei pela segunda. 

E esperei... E esperei! Olhava para ele com dó e com raiva de uns pais sem compromisso, ou preguiçosos, que deixam os filhos assim, sem segurança.

Meu esposo sempre mexeu com passarinhos e entende bem disto. Quando ele se levantou, falei com alívio: Estava esperando você para colocar no ninho um dos filhotinhos que caiu no chão. Corremos para lá. E ele, desanimado: "Ah! Já morreu. Por que você não o colocou lá de volta?"

Fiquei triste, mas ele compreendeu minha explicação: deixar um morrer ou arriscar matar os dois? Mas não dei muito tempo pra me chamar de covarde, não: toquei no passarinho e as asinhas se mexeram: Tá vivo! Põe depressa lá! E fiquei vigiando. A mãe retornou e  se aninhou sobre eles. E eu rezando pra que ele não morresse por minha culpa. 

À noite, pareceu-me sentir cheiro de alguma coisa queimando e vim à cozinha ver se meu esposo  deixara algo ligado no fogão, mas vi que não.  Só que, esquecendo-me de agasalhar, voltei para a cama com um tremendo frio. Aí fico pensando no filhotinho: teria ele sobrevivido? Teria se aquecido após tanto frio?

E pior, comecei a me lembrar dos moradores de rua. Ai, meu Deus! E foi para rezar o resto da noite, por aqueles que estavam sentindo mais frio que eu. Quem disse que consegui dormir de novo?

No outro dia, corro para ver o ninho. A mãe estava lá sobre eles. Graças a Deus! Devem estar bem quentinhos! Mas não sei como uns raminhos daqueles podem suportar o peso dos três. Quando ela saiu, fui lá. Afastei um pouco a folha do mamoeiro e um solzinho bem gostoso, os aqueceu. Lá estavam os dois bem juntinhos. Não dava pra saber qual era o fujão; os dois estavam igualmente bem. Fiquei feliz. E pedi a Deus que as minhas preces tenham tido validade também para os humanos, aquecendo-os nas noites frias que tanto nos incomodam.

 Isto foi há uns cinco dias. Ali estão eles, já com as cabecinhas de fora, felizes, olhando pra   mim, com carinha de safados. E nem sabem que me fizeram perder o sono... É assim!

Daqui a poucos dias, estarão voando por aí, pisando nas minhas plantinhas, atrapalhando os meus canteiros, à procura de insetos. E depois farão outros ninhos. Espero que os façam melhores para que eu não passe por uma experiência ruim assim de novo, que me levou mais da metade do sono daquela noite. Vão se somar ao time enorme daqueles que já se acham no direito de atrapalhar meu canteirinho de rúcula! Fazer o quê, não é? Todos precisam se alimentar...
(Celina  -  31/05/2020)

sábado, 16 de maio de 2020

442 - Xerox

442  -  Xerox

No meu tempo de aluna, não havia xerox; a gente precisava copiar tudo que tivesse que guardar para recordar depois, intensificando os estudos.  No início do meu magistério, surgiu o mimeógrafo, facilitando um pouco mais a vida dos estudantes, pois nós, professores, mimeografávamos os textos para que eles os tivessem, lendo e guardando para trabalhos posteriores. 

Ainda na minha caminhada de professora - e depois, supervisora - surgiram os xerox e aí é que os alunos quase nada escreviam, pois já vinha tudo pronto. Tranquilidade, não é? E ainda surgiram livros que chegavam para eles já com as atividades no jeito, apenas para marcar com um x, sublinhar, ou escrever algumas palavras e pequenas frases, facilitando mais ainda a vida escolar de crianças e jovens. 

Porém, os dois parágrafos anteriores são apenas uma introdução ao assunto que quero abordar hoje, cujo teor é muito profundo: não existe xerox do ser humano! Não se copia uma pessoa! Ela é única, um ser que não se repete; uma vida que é só dela! Cada ser humano é dotado de sua identidade própria, sua filiação, sua experiência de vida, seus passos, seus projetos, seus estudos, seus trabalhos, sua vida enfim!

Cada pessoa, ao ser criada, recebe de Deus, uma alma  imortal que voltará para Ele, quando  for determinado. Esta parte é DELE. Cabe a nós tentar conservar esta alma que nos foi dada, o mais pura possível! E sempre que for manchada de alguma forma, deveremos pedir perdão para limpá-la novamente - e seguir em frente! Felizes os que conseguirem levá-la para Ele, sem muitas impurezas. 

Mas isto, Ele mesmo na Sua bondade, já providencia desde o início. Pois, ao nos entregar uma alma imortal, Ele nos dá também, de presente, um Anjo da Guarda, que é só nosso, e que caminhará conosco durante toda a vida terrena. Cabe a nós, procurar ouvir seus conselhos e caminhar retamente.

Além disto, para nos livrar da mancha original, Ele nos deu ainda, o Sacramento do Batismo, depositando em nós, a grande virtude da fé! Que maravilha! E ainda tem mais: assim como Jesus prometeu e mandou o Espírito Santo Paráclito, podemos contar com Sua sabedoria também em tudo o que fazemos. Não é maravilhoso? 

Tudo isto porque Deus nos nos ama, nos deu o livre arbítrio e sabe que a pessoa pode, levada pelo inimigo, apesar de todo esse suporte, chegar a deslizes de que se arrependerá profundamente. Por isto, entregou-nos também os outros Sacramentos, não é fantástico? Pois se, num momento de fraqueza, desconsideramos os Seus mandamentos, temos a chance de nos reconciliar com Ele. Deus é maravilhoso!

Volto a reafirmar meus irmãos: não existe xerox de nenhum de vocês; nem de mim também! A responsabilidade por esta vida é de cada um de nós. E é só esta vida, esta oportunidade que nos foi dada; não existe outra! Em Hebreus 9,27 lemos: "... os homens morrem uma só vez; depois virá o juízo final."   Percebem? Não haverá uma segunda chance. É agora! 

Eu os convido a meditar comigo hoje: Como está nossa relação com o nosso Anjo da Guarda? E com o Espírito Santo de Deus? Com os Sacramentos?... E com os nossos irmãos? Pensemos nisto!

 (Celina - 16/05/2020)

terça-feira, 12 de maio de 2020

441 - Transubstanciação!

441  -  Transubstanciação!

Palavra grande, difícil ensinar para os nossos catequizandos. Difícil para eles falarem, difícil para escreverem, mas - creia povo de Deus! - com a Sua Graça, não é difícil para eles entenderem! Pasmem os céticos, mas quando a gente diz pra eles: "Isto é pão e isto é vinho - após a Consagração, serão Corpo e Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo!" - eles creem!

Creem, porque está na Bíblia! Creem porque acreditam nas nossas palavras. Acreditam porque as mesmas saem de nossa boca, mas não são nossas, como não são do sacerdote, quando ele proclama solenemente: "Isto é o Meu Corpo!" E depois: "Isto é o Meu Sangue! Sangue da nova e eterna aliança!" É a aliança de Deus conosco.

É difícil entender isto, meus irmãos? Não! Sabemos que estamos nas Mãos de Deus, que não sabemos até quando ficaremos por aqui - alguém sabe? - e não sabemos como será a nossa passagem para a vida eterna. Tudo bem.

Não sabemos nem como surgiu este tal de coronavírus, que nos perturba agora, nem o que mais ele vai nos trazer e nem até quando vai ficar. Ninguém sabe! E nem se compara a realidade de um bichinho maldoso desses, com o que estou dizendo hoje, agora, nesta crônica! Nem se compara! Um sentido infinitamente menor! E nem isto a gente sabe. Ninguém sabe. O mundo parou por causa dele. Incrível! Já tivemos períodos assim na caminhada da Humanidade, como a gripe espanhola do século passado. Mas algumas pessoas não querem entender os sinais dos tempos!

Transubstanciação! É mais um milagre da multiplicação dos pães! Como se faz para se conseguir o trigo e a uva para que a Hóstia Consagrada esteja presente em todos os altares do mundo inteiro, nas mãos de sacerdotes fervorosos, que "in persona Christi" - repetem as máximas Palavras?... E considerando os fusos horários, se, em todo o mundo,  temos as nossas celebrações às sete horas da manhã, elas acontecem durante as vinte e quatro horas do dia! Mesmo agora, com as Igrejas fechadas, elas acontecem. E com a graça de Deus, podemos participar, de nossas casas, em lágrimas! Em lágrimas por não poder receber a Jesus Sacramentado...

Mas vai passar rapidinho. Porque confiamos! Porque colocamos este sofrimento físico, mental e espiritual no Coração de Jesus e de Maria, nossa Mãe Santíssima! Vai passar! Muito mais rápido que as autoridades humanas possam pensar. Porque a Autoridade Maior vem do Céu! E Maria, a nossa intercessora, está lá, a pedir por nós, porque nós, cristãos, aqui da terra, estamos de joelhos no chão, rezando o Rosário, pedindo a Sua poderosa intercessão. E cremos que nos atenderá, e rogará a Deus por nós, pelo retorno da alegria, como em Caná da Galileia!

(Celina - 12/05/2020)


sábado, 9 de maio de 2020

440 - "Ficar em Casa!"


440  -  "Ficar em Casa!"

Comentávamos ontem, minha cunhada e eu, que até já estamos nos acostumando a ficar em casa. Quando pudermos sair de novo, vamos certamente, achar bem estranho. Mas sei que esta situação que estamos vivendo não vai demorar muito, não! Já-já, a gente vai estar de volta para a nossa Igreja, para os clubes, para a comunidade, para as nossas viagens, rever os amigos, abraços calorosos, sorrisos, a vida lá fora, enfim!

Por enquanto, cada um curtindo da melhor forma,  a sua Igreja doméstica, o seu cantinho de amor pela família, pelas suas "coisas", pelo seu "eu", voltando-se a si mesmo, numa interiorização valorosa, limpando o espírito de coisas, muitas vezes, efêmeras, inúteis. 

Serviu muito! Foi bom para que a gente pudesse sentir de novo, algumas situações de que já se esquecera. Pudemos rever também certas delícias, cujas lembranças já estavam bem remotas, cheias de mofos, de cinzas, de ferrugem, não voluntariamente, mas porque o tempo passa e vai levando em seu bojo, algumas coisas preciosas, sem que a gente se dê conta disto. Porque estávamos muito ocupados com outras coisas, talvez nem tão importantes.

Por isto, louvo a Deus por esta nova situação em nossa vida. Aqui em casa, como meu companheiro de todas as horas dorme durante a manhã, aproveito para participar das celebrações da Santa Missa, faço minhas orações particulares, rezo em comunidade, virtualmente, nos horários estabelecidos pelo grupo, e quando Jesus nos diz a todos: "Ide" - como todos, eu  também vou ver as boas mensagens e enviar  minhas gotas de esperança aos amigos, e aproveito ainda para dar um simples recado aqui nas minhas crônicas. Porque, quando ele se levanta e Jesus me diz: "Celina, vai!"-  eu vou dar a ele a atenção que merece; e vamos às plantas, aos animais de que dispomos, às músicas - cujas melodias nos fazem bem - e a uma alimentação de que o corpo necessita. 

E todos nós, confinados, podemos retomar aquele sentido particular do gostinho precioso que é estar em casa com os nossos. Como aqui somos só nós dois, a não ser os telefonemos que damos e recebemos, é um para o outro mesmo! E isto é muito bom!

Lendo estas considerações, você pode dizer assim: "Pra nós, talvez não esteja sendo tão ruim, Celina. Mas você se esquece daqueles que estão sendo dizimados pelo vírus?" Sinto muito por eles, posso responder, condoendo-me, numa compaixão sincera, não só com aqueles que se vão, mas também com a família que fica, no sofrimento e na saudade. Porém explico: A indignação é grande porque é pública, e porque são muitos os que se vão de uma vez, mas quantos acidentes vemos que levam também amigos, irmãos, famílias inteiras para a outra vida? E, como disse meu filho mais velho ontem, todos vamos morrer mesmo, não é assim? Ou alguém vai ficar pra semente?!

Não é maldade, não! É a realidade de todos nós, de toda a humanidade. Quantos dos nossos já se foram?  Meus filhos não podem contar mais com os avós paternos, nem maternos. E quantos de nós já perdemos pais, filhos, irmãos, esposos - pessoas tão queridas! - e precisamos conviver com a dor da perda? A dor é a mesma, para qualquer um! Para todos eles, as nossas fervorosas orações! E além disto, o que nós, pobres mortais, podemos fazer, a não ser, obedecer às ordens e procurar amparar àqueles que, sabemos, esperam por nossa ajuda?

Então, deixemos de lado as torturas de uma televisão que parece querer nos maltratar ao extremo e fazer sangrar até a última gota a nossa tristeza, a dor pelo outro, minando a nossa paz de espírito, os nossos desejos, a vida enfim. Vamos viver,  porque ainda estamos aqui. E viver bem. Digo ao meu esposo: "Quero ser útil a você, para que tenha boas lembranças, quando eu for chamada". Mas ele diz que quer ir primeiro. Quem pode saber?

Que Deus, o Todo-Poderoso, o Criador, o Grande Arquiteto do Universo, receba com um abraço afetuoso, aqueles que estão indo. E também a nós, quando chegar a nossa vez! Sejam felizes, meus amigos, tenham dias alegres e bons motivos para viverem! Mas... quando chegarem as lágrimas, chorem mesmo, que isto também conforta. Grande abraço!


(Celina - 09/05/2020)

terça-feira, 5 de maio de 2020

439 - Atitude

439  -  Atitude

Tenho estado atenta a este conceito: "Atitude!" Creio não ser viável ficar "sentado à beira do caminho" esperando a vida passar. É preciso ir adiante! É preciso atitude corajosa. É preciso sair da zona de conforto e ir à luta! É preciso acreditar, orando, trabalhando, agindo.

Zaqueu queria ver Jesus. Sabia que  uma multidão imensa O acompanhava, onde quer que Ele fosse. Então, subiu a uma árvore. Lá de cima, com certeza, O poderia ver, mesmo cercado por todos os lados! Sua atitude foi premiada: Jesus olhou, viu-o, e disse que descesse, porque queria estar com ele em sua casa. Assim, não só viu o Mestre passar, mas sentou-se com Ele, conversou com Ele, lavou sua alma!

Eu também quero Jesus na minha casa! Quero Jesus no meu coração, na minha vida! Por isto busco por Ele, dia e noite, sem cessar. Quero ouvir Suas palavras, quero seguir Seus passos, quero viver como Ele quer que eu viva e para isto, preciso escutar Sua voz.

Tentando seguir Seus ensinamentos, quero viver bem com meus irmãos. Ajudo-os quando necessitam, peço ajuda quando eu necessito. Eu preciso de Deus, eu preciso de minha família, eu preciso dos irmãos de caminhada. 

É por isto que quero ser uma pessoa de atitude, uma pessoa que faz, ainda que não seja reconhecido o meu esforço, ainda que me lancem pedras - pedras que muitas vezes, podem ser benfazejas, pois abrem-me os olhos e me fazem ver que, se dói em mim, não posso fazê-lo aos demais. 

E quando atiram pedras a Deus, preciso de uma atitude de coragem, pois não posso aceitar, mesmo sabendo que "as pedras que os homens contra Deus atiram, ao contato dos céus, tornam-se estrelas!"  E embora analise esta fala humana, não seja eu a atirar pedras nas coisas sagradas e em meus irmãos, já que somos filhos de um mesmo Deus, que não é Pai meu, mas Pai Nosso! Que minhas atitudes possam ser abençoadas pelo Criador!

Maria, na sua vida aqui na terra, foi uma mulher de atitude, sempre pronta a ajudar, a marcar presença. Mulher de decisão! Sabendo da gravidez de sua prima, já tão idosa, foi logo oferecer seus préstimos. Quando Seu Filho saía em missão, Ela O esperava com seus discípulos, sempre pronta a recebê-los de braços abertos. E quando Ele voltou para o Pai, Ela aqui ficou a serviço, orientando-os em suas necessidades. E tinha sempre uma palavra de carinho, de conforto, de sabedoria, de acolhimento  para com todos. Maria, um modelo a ser seguido em suas atitudes de mãe, de companheira, de mestra!
(Celina  -  05/05/2020)

quarta-feira, 29 de abril de 2020

438 - 05/03/2020

438  -  05/03/2020

Que data é esta? Você pode estar se perguntando...

Talvez nada de tão importante, nacional ou internacionalmente, tenha acontecido exatamente nesse dia. Talvez, nem para mim - nem para você! Não me lembro do que eu vivi naquelas vinte e quatro horas, uma quinta-feira, como qualquer outra.

Mas hoje - dia 29 de abril de 2020 - 55 dias depois, fiz questão de conferir - pra mim tem uma importância muito grande!... Tão grande que quero contar pra você porque HOJE eu entendi o que estamos vivendo.

Hoje - 29 de abril de 2020 - acordo cedinho e começo a ouvir anúncios de mensagens no celular. Levantei-me, não por causa das mensagens, mas porque levanto cedo mesmo. E então ligo a televisão para ver um programa de que muito gosto: uma palestra - muitas vezes, bem antiga - na Canção Nova. Mas esta que vejo hoje, é recente. E fala do isolamento afetivo dos idosos na Itália e em todo o mundo.

E pude então entender tudo, tudo! E espero que você também entenda o "Para quê" desta situação atual. Porque vi na tela, exatamente assim: 

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TEMA - LEVANTA-TE, TOMA O TEU LEITO E ANDA
IVANA BRANDÃO - 05/03/2020
 (tv.cancaonova.com)
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Não tenho o hábito de colocar nomes de pessoas estranhas à família nas minhas crônicas, a não ser quando já estão mesmo na internet, com acesso público. Por isto, cito aqui o nome da palestrante, a qual falou fundo ao meu coração. Eu nunca a havia visto em outras mensagens, mas fiquei encantada com o tema abordado naquela palestra e as situações que ela aponta, com muita propriedade. E assim, atualiza uma passagem bíblica, bem conhecida, fazendo comparações com o que vivemos hoje; e aprofundando em assuntos muito importantes: Solidão e Família!

Diz que morou na Itália durante uns treze anos, e via, chateada, a solidão em que as pessoas estão vivendo. Idosos morrendo sozinhos em casa, sendo encontrados muitos dias depois; jovens também! E ela fica pensando: será que nunca tiveram filhos? Ou será que eles os abandonaram à própria sorte, nenhum tipo de assistência, de presença, de calor humano?... Onde está a família?

E então, transferindo para a nossa Pátria, cuja situação não é diferente - como em outros lugares também, infelizmente - ela chama os músicos para refletirem com a assembleia que fica assim pensativa como eu, ao cantar uma música, complementando a palestra! 

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MÚSICA: EU TE LEVANTAREI! EU TE LEVANTAREI! 
FILHO AMADO! FILHO QUERIDO!
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Você sabe cantar essa música? Certamente! Como eu! Agora, todos de pé, estão cantando. Mães, esposas, pais, esposos, filhos, pessoas solitárias, sendo levantadas, sendo retiradas da solidão, da tristeza, animadas pelos músicos.

E Jesus chama a cada um pelo nome e repete, com carinho e firmeza: "Levanta-te! Escuta-me! Eu estou contigo! Eu te visito! Eu te vejo! Sai desta prostração! Fala com quem está do teu lado agora! Se ainda não há ninguém, se ainda não veio, fala comigo! Eu estou aqui contigo! Conheço-te, mais que tu mesmo! Levanta-te! Vem a mim! Não te isoles mais! E sai dessa situação de pecado! Esquece o passado! Vive o presente! Fica comigo pois EU estou sempre contigo!"

E aí, enquanto ouço, vou conferir quem me mandou mensagens tão cedo. E a primeira que eu abro, traz palavras de São Luís Maria Grignion de Montfort! Exatamente as palavras que a  Sônia Venâncio usa agora, dando início ao santo Rosário: "Deus reuniu todas as águas e deu o nome de mar; reuniu todas as graças e deu o nome de Maria!"  Coincidência? Não! Coisas de Deus! Fico encantada com a PRESENÇA DELE em nossa vida!

(Celina - 29/04/2020)

sábado, 25 de abril de 2020

437 - Ide!

437  -  Ide!

Se a gente pedir a muitas pessoas para conjugarem o verbo ir, no presente do indicativo e subjuntivo,  poucas saberão fazê-lo com correção; e, muito menos, no imperativo! Mas todos os cristãos sabem bem o que significa esta palavrinha estranha: "Ide!" -  Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura. Hoje, Dia de São Marcos, estive pensando nisto. Ele que em seu curto Evangelho quer nos inquirir sobre "Quem é Jesus?" e "Quem são os seus discípulos?"  

Sabemos que para ir é preciso ter fé, é preciso acreditar. E eu analiso hoje, o que Jesus diz pra mim e pra você: "Ide!". E como a gente muitas vezes vacila, Ele nos anima: "Não tenhais medo! Eu estarei sempre convosco, até o fim!"  E é a Ele mesmo que nos dirigimos, a pedir insistentemente que nos dê coragem, que jamais nos abandone, para que não venhamos a fraquejar. 

Porém, sabemos que não é preciso ir muito longe; basta que a gente consiga ir à família, aos amigos, à vizinhança, ir ao coração das pessoas, que estão ao nosso alcance.  "Ide!" está a nos dizer o Mestre! E qual a nossa resposta?...

Por isto, pedimos: Fazei-nos, Senhor, anunciadores do Vosso Reino! Queremos ser  evangelizadores! Há muitas pessoas no mundo, anunciando a guerra. Nós queremos anunciar a Paz! Queremos ser promotores da Paz. A Paz que vem de Deus! Por isto, eu repito hoje com o salmista: "Ó Senhor, eu cantarei eternamente o Vosso Amor!"

Escuto o Senhor neste momento: "Ide!" E eu digo agora: Sim, Senhor, eu quero ir! Mas, não estou sabendo como fazê-lo. Hoje, a gente não pode sair do lugar. Temos que ficar aqui. Em casa! Todos confinados, porque é a ordem maior. E assim, não podemos receber o Senhor  na Eucaristia. Ajoelho-me, frente ao televisor. Queria tanto!...

Fico a olhar para aquele chão frio, cadeiras vazias... Mas Jesus Sacramentado está presente ali no altar, e eu gostaria de que migalhas caíssem na minha mão, como aquela senhora que proclama, falando ao próprio Jesus: "Também os cachorrinhos comem as migalhas que caem da mesa de seu dono!"  

Escuto mais uma vez: "Ide!"-  mas não posso ir; fisicamente, não; todavia, virtualmente, vou sim, Senhor,  deixando aqui o meu recado. Em lágrimas! 
(Celina  -  25/04/2020)  


sexta-feira, 24 de abril de 2020

436 - ERMAUM!

436  -  ERMAUM!

Notaram, amigos, que o título desta crônica está bem diferente dos outros? O título sim, mas o assunto é o mesmo da anterior: o aprendizado da escrita! E a autora deste novo vocábulo é a mesma do "coarto". Muito bem: é a Gabi! Seis anos.

A mãe conta que chega do trabalho e, por acaso, encontra um bilhete da Gabi, onde ela diz ao "QUE - RIDO ERMAUM" que sabe que ele está bravo com ela porque pegou seus adesivos sem permissão. E completa: "MAIS MESMO ASIM TE AMO" E desenha um lindo coração, fechando o seu ingênuo pedido de desculpas - por escrito!

E a palavra "ERMAUM" - parecendo um vocábulo de origem latina da quarta declinação, no acusativo singular (como "tribum") - já passou a fazer parte do vocabulário da família. Esta é a Gabi, que procura dar seu recado por escrito, como em diversas outras situações. E nós, orgulhosos da pequena escritora, vamos acompanhando seu progresso, já que ela, muitas vezes, prefere escrever, que falar. Há muitas pessoas assim, não é ? Outras têm dificuldade na  escrita,  preferindo abrir a boca e desabafar. 

Se você tem ainda em casa, uma criança, que inicia seu processo de aprendizagem da escrita, procure observá-la todos os dias e se surpreenderá com aquilo que diz, ali no papel, dando seu recado direitinho.  Em alguns casos, é preciso, delicadamente, pedir que ela diga o que escreveu. Mas, na maioria das vezes, dá pra entender, sendo utilizados alguns termos engraçadíssimos, como o coarto e o ermaum da Gabi. Acho fantástico isto!

Trago até hoje comigo, um recado do nosso caçula, quando morávamos em Três Marias. Houve um problema com o gado local - uma doença, que não me lembro mais de que se trata - e ficamos sem o leite. Ele, que sempre fizera um uso enorme desse alimento, sentindo sua falta, escreveu, num rótulo de Toddy, a seguinte súplica: "Mamãe, min da lete". Ô dó!... Antes de completar cinco anos! Claro, com a letrinha dele, bem difusa ainda!

Não é uma maravilha tudo isto?
(Celina  -  24/04/2020)


435 - Coarto

435  -  Coarto

Chegou pelo whatsapp! Mostrei ao vovô! Entusiasmado, declarou: "Nossa! Que coincidência! Igualzinho o cartaz da Júlia!"  E eu: Coincidência maior foi a gente ter comentado sobre isto há poucos dias. Estava falando com ele de vários bilhetes da nossa neta Júlia, que hoje já tem vinte anos,  e ele disse: "O melhor que eu achei foi aquele: Coarto da Júlia" - uma placa que ficou na porta do quarto durante meses - anos talvez - que era uma plaquinha de papel  colocada na porta. E agora, vem a Gabi com esta: "Amanhã, a brincadeira é no coarto da Gabi." 

Todo aprendizado é bom, mas aprender a escrever é muito bom! Esse início da alfabetização é  lindo demais! As crianças começam a manifestar o que pensam, através da escrita. Seja como for, sempre procuram dar o seu recado. Isto é fantástico! E aí surgem palavras ou expressões que ficam na história da família, como o "coarto da Júlia" que virou agora, "coarto da Gabi", já que escreveu da mesma forma. 

Tenho muita pena de quem não sabe ler. Durante todo o tempo que atuei na Educação, quase sempre trabalhei com alunos já alfabetizados, preocupando-me apenas com um letramento, mais apurado, a escrita correta, um jeito mais erudito de se expressar, principalmente através da escrita.  Pouquíssimas vezes, atuei como alfabetizadora, e devo declarar que achei fantástico! Como é lindo acompanhar o processo, desde o início do ano letivo, passando por várias etapas, mais ou menos, bem definidas e chegar ao final do ano com aquela leitura bonita, uma satisfação muito grande de alunos e principalmente das famílias, que acompanham passo a passo, e veem a vitória, quando as crianças dão sinais de dominar o processo. É muito lindo!

É preciso que as autoridades deem uma atenção especial à educação infantil, pois, quando a criança aprende na época certa,  o letramento seguramente é mais tranquilo e pode-se esperar que a mesma deslanche rapidamente e cada vez com mais entusiasmo. E a sociedade - especialmente o país - só tem a ganhar com isto. Cobremos dos governantes uma legislação eficiente nesse sentido.
(Celina  -  22 /04/2020) 




quinta-feira, 16 de abril de 2020

434 - Saldo de Orações

434  -  Saldo de Orações

Pensei nisto - saldo de Orações! Falo assim, por diversas situações, mas, principalmente, pelo fato que relato agora, o qual considerei pra mim mesma, um grande livramento. E senti a presença de Deus em minha vida. Já faz algum tempo!... Relutei muito para citar este fato, mas hoje senti vontade de fazê-lo, para que possamos estar atentos aos acontecimentos. 

Já falei em trabalhos anteriores, sobre bênçãos e livramentos. Por diversas vezes, falei em se prestar atenção aos sinais de Deus. Desde o amanhecer, ao se poder levantar e caminhar, e fazer tantas obras durante todo o dia, e voltar para o leito à noite, num merecido repouso, sempre louvar a Deus! Louvar o nosso Criador nas pequenas coisas do cotidiano, demonstrar-Lhe gratidão por cada momento que se vive, é uma alegria tão grande, que a gente sente a sintonia deste Ser Superior com as simples criaturas que somos nós.

Era domingo! Fui à Missa bem cedo, como sempre. Ao chegar em casa, deixei o carro na rua, porque daí a pouco, eu iria para uma ginástica no Clube, um tempo que eu tirava para cuidar do físico, após ter cuidado com muito carinho,  da parte espiritual. 

Entrei, fiz café para deixar para meu esposo, caso ele se levantasse antes de eu voltar do clube. Comi também alguma coisa e saí. Ao chegar à rua para entrar no carro, vi um vizinho no portão da casa dele, cumprimentei-o e lá fui eu. Mais de uma hora depois, eu retorno para tomar um bom banho e dar início às tarefas do dia. 

Cheguei, abri o portão da garagem, entrei, fechei-o,  e fui pegar a chave para entrar em casa. Ponho, até sem olhar, a mão onde sempre a colocava: não estava lá! Assustada, comecei a procurá-la; onde teria caído? Procurei pra todo lado, já muito assustada, porque havia trancado a porta antes de sair e não entrara com ela no clube, claro! E como é que ela não estava no lugar onde sempre a colocava?... Era um pequeno espaço retangular onde ficava - e estava lá - um terço que um amigo trouxera da Polônia, com a Medalha de São João Paulo ll, na época, ainda Beato.  

Apavorada, abri a porta do carro e acionei o alarme, desencantada da vida, sem saber o que fazer, sem a minha chave para entrar na minha casa! Desesperada!  

Ergui os olhos e, brilhando, no meio exato da rua, no asfalto quente de um sol de meio dia, ela - a minha penca de chaves! Abri o carro novamente, a toda pressa, como se, se eu demorasse, alguém pudesse pegá-la, ali naquele lugar! Peguei o controle, abri o portão da garagem apressadamente, sem fôlego - e fui pegar  a chave! Mal podia acreditar! Havia nela um chaveiro que uma amiga me dera, com uma medalha de Santa Paulina, cuja argolinha que a ligava aos outros, estava aberta; talvez um carro tenha passado por cima dela. Ainda sem fôlego, peguei avidamente os três: medalha, argolinha e chaves - e voltei para a garagem, fechando o portão.

Levei muito tempo para abrir a porta, a cismar, com as chaves nas mãos. Ali estavam três chaves: a do portão de entrada, e as das duas portas da frente, além de um outro chaveiro inox, em forma de coração, com o meu nome gravado, bem bonito - um presente de uma professora de Ensino Religioso, quando eu trabalhava na E. E. Dr. Ulisses Vasconcelos.  Como pudera ficar ali, durante tanto tempo, no meio da rua, brilhando ao sol, uma penca tão grande de chaves,  e não ser encontrada por ninguém? Certamente, caíra de minhas mãos que levavam chave do carro, a carteirinha do clube, garrafinha de água, controle do portão e talvez até outras coisas mais...

Não! Não abri a porta logo. Precisava respirar! Se um vizinho a encontrasse iria certamente bater a campainha e acordar meu esposo para entregar as chaves - e aí, eu sei a bronca que eu iria levar, duplamente! Mas, isto, com certeza, não seria o pior! Se uma pessoa, que não fosse do bem, a encontrasse, poderia perguntar maldosamente, a algum vizinho: "Onde mora Celina?" - porque o nome estava no chaveiro - daria certamente, uma volta pelo quarteirão, entraria depois na casa - poderia até escolher uma das duas portas! - e sobre a mesa, ali estava a minha bolsa com dinheiro, documentos e todos os cartões!

Só de pensar nisto, me dava calafrios. E só aí pude lembrar de rezar e agradecer ao Bom Deus, por ter me livrado de uma enorme encrenca. E pensei no "Saldo de Orações" - a gente reza o dia todo! A gente procura estar sempre em sintonia com Ele! Porque, no momento do desespero, até aquela hora, eu não havia pronunciado uma única Ave-Maria! 

Só de lembrar, estou em prantos, porque estas coisas mexem muito comigo! Começo a me lembrar de tantas outras situações de livramento na minha vida e na de nossos filhos. Só consigo dizer agora, com carinhoso fervor: MEU DEUS, MUITO OBRIGADA!


(Celina  -  16/abril/2020) 

sábado, 11 de abril de 2020

433 - Amigos!

433  -  Amigos!

Como é bom ter amigos! Amigos de verdade! Amigos que acrescentam, amigos que vêm somar sempre, e não nos deixam desanimar nunca. Chegam assim, de mansinho, como quem não quer nada e, de repente, a gente consegue visualizar por que vieram. É assim.

Criei um grupo de whatsapp e vou acrescentando, a cada dia, uma amiga a mais. São mulheres do bem, pessoas de peso, que vou encontrando pelo caminho. Vamos nos falando pelas mensagens e, quando menos se espera, lá está estampada, bem à frente dos nossos olhos, uma palavra de encorajamento, um áudio que diz exatamente o que a gente estava buscando naquele momento. E os depoimentos são muitos. E verdadeiros!

Se não se tem mais aquele hábito antigo de visitas frequentes, se a vida foi caminhando de forma a não nos permitir mais tais práticas, antes tão saudáveis, se os ponteiros dos relógios parecem ter enlouquecido, o que faz todo muito repetir que não tem tempo mais para os encontros nos finais de tarde, ou nos finais de semana, se isto é culpa de uma tecnologia que se encontra presente em cada cômodo de espaçosas casas  ou minúsculos  apartamentos, a própria vida que se segue deu um jeitinho de inventar um outro meio de marcar presença. E todos vamos aceitando e incorporando novas práticas, também saudáveis, também viáveis e eficazes.

E quando menos se espera, lá vem um telefonema - porque ainda se é possível usar o telefone pra isto também - e aquela voz bem conhecida, do outro lado da linha, que chega acaloradamente: "Nossa! como você adivinhou assim? A mensagem que me mandou hoje é exatamente o que eu queria ouvir, exatamente o que procurava! Pode acreditar, é tudo aquilo de que eu necessitava neste momento!"

E a gente fica feliz, por ter feito o outro feliz, por ter feito uma boa ação. Obrigada, Senhor! Vida que se segue, inventos que são bons, amores que se doam, feridas que se cicatrizam por bem pouco. Obrigada, Senhor!

Sei que já falei disto antes - mas me deu uma vontade de falar de novo... Porque hoje, foi mais forte o que ouvi, o que vi, o que massageou meu coração, cheio de amor pelos irmãos, pela humanidade. Obrigada, meu Deus!

(Celina -  11/04/2020)

segunda-feira, 6 de abril de 2020

432 - Pequenas Tarefas

432  -  Pequenas Tarefas

Tenho pensado muito nisto: as minhas pequenas tarefas do cotidiano, tarefas que sempre executei, mas não com tanta precisão e tamanha dedicação e cuidado, como nos dias de hoje, com este isolamento social obrigatório, que estamos todos vivenciando.

São pequenas tarefas pelas quais, em minha casa, sempre fui responsável: algumas do tipo, levantar bem cedinho, abrir as janelas possíveis, agradecendo a Deus pelo novo dia que rompe, e, fechá-las todas, à noitinha, agradecendo ao mesmo Deus, que nos proporcionou viver, mais uma vez, aquelas horas, parecidas com tantas outras que já se foram.

Agora estou aposentada, mas fico pensando em quantas mulheres estão  aprendendo ou reaprendendo a ser donas de casa, nessas mesmas tarefas de ser responsável pelos alimentos que a família vai consumir no almoço e no jantar; responsável por uma casa limpa e agradável de se estar, toda a família, durante todo o dia; de estar atendendo aos pedidos de esposo  e filhos e outros familiares, que estão agora dentro de casa, sem poder sair; de cuidar das suas roupas porque não sabe quando poderá deixar esta tarefa para secretárias que sempre as fizeram; de cuidar do lanche da manhã, da tarde e da noite; de levar as crianças para a cama e vê-las acordarem alegremente, no dia seguinte, porque, de certa forma, já se esqueceram um pouco das aulas e não estão sentindo mais a falta dos coleguinhas de escola, felizes porque têm em casa agora, durante todo o dia,  o papai, a mamãe, e, muitas vezes, ainda outros,  mesmo que sintam falta de visitar os avós...

É... Como diz meu esposo, o mundo todo deu uma guinada tremenda em poucas semanas! E como eu gosto de pensar positivamente, dentro da máxima de que "não há mal que sempre dure, nem bem que nunca se acabe", quero concluir que tudo vai passar e que muita coisa boa vamos colher desses dias tão diferentes que estamos vivenciando agora, todos nós -  praticamente, toda a humanidade. E teremos, no mínimo, belas histórias pra contar para netos e bisnetos, que acharão difícil acreditar, tanto mais, quanto mais afastados da época atual.

Mas, voltando ao título, as minhas pequenas tarefas diárias adquiriram também novo sabor, já que, não tendo que sair de casa, faço-as com mais carinho e lento  cuidado: lavar a pequena fonte de água  benta, acrescentando mais um copo d'água, sempre que necessário; dar corda no relógio de parede, antigo presente meu para o meu esposo; lavar o filtro e colocar nova água; manter a casa e arredores bem limpos; molhar as plantas; alimentar os meus peixinhos, cuidando da limpeza e mantendo a bombinha funcionando;  cuidar de uma alimentação saudável para nós dois, apenas;  atender ao telefone e campainha;  missa diária - agora apenas na televisão ou computador; e orar, orar e orar; coisas que, se eu não fizer, não há quem as faça! E com maior satisfação, eu as faço agora, porque tenho tempo de sobra!

Porém, mães dentistas, professoras de tempo integral, profissionais de dedicação exclusiva, trabalhadoras de outros ramos, que estavam acostumadas a ficarem fora de casa o dia todo, estão realmente achando, no mínimo, estranho, essas novas tarefas domésticas, esse novo jeito de viver a vida! Pois, além de não poderem sair para trabalhar, tiveram que dispensar suas secretárias e fazer em sua casa, o que era responsabilidade delas. Quem diria!!! Isto tudo, pela ação maldosa de um simples coronavírus!!!

Trabalhei fora durante quarenta e seis anos, mas, como, após o casamento, era apenas em um período, nunca deixei de cuidar de minha casa, contando com alguém, apenas quando os filhos eram pequenos, no período em que eu estava no trabalho! Por isto, sempre cuidei dessas tarefas domésticas, sobrando ainda tempo para ler e escrever. Agradeço muito a Deus, por todas as coisas que tenho feito em minha vida. Obrigada, Senhor! 

(Celina  -  06/04/2020)