sábado, 12 de novembro de 2016

264 -A AMIZADE



264 - A  AMIZADE


"Se uma boa amizade você tem/ Louve a Deus, pois a amizade é um bem..." Conhece esta música?... Enquanto professora, sempre gostei de passá-la para os meus alunos. Aliás, pautei muito minhas aulas, fazendo estudo de texto, utilizando músicas que trazem boas mensagens; poemas belíssimos, que dizem tudo em poucas palavras. Sabia que tal prática iria ajudar muito na formação deles. Pelo que colho hoje - e colhi durante todo o tempo de efetivo exercício - acredito na mágica força de um bom poema, bem trabalhado! Esmerava mesmo, na escolha do repertório. Muito bom!

Tarde de sábado; neste momento estou sentindo falta do futebol infantil do Náutico. Também, já está quase terminando o campeonato.  No ano passado, boas e sólidas amizades surgiram entre os pais que lá se encontravam, torcendo pelos filhos. Muito bom ver os adultos ali, incentivando, aplaudindo... e a meninada levando a sério sua missão. E  aprendendo, pois ali temos uma verdadeira escolinha de futebol. Os instrutores se empenham muito na formação das crianças, não só no que diz respeito às técnicas do esporte, mas também, à valorização do trabalho em equipe, da  disciplina, do limite de cada um e do bom relacionamento entre todos.

E ao término do campeonato passado, houve um momento bonito de confraternização com uma festa linda para as famílias dos jogadores. Foi muito bom. Esperamos contar com o mesmo procedimento de novo. Agora será ainda mais gratificante participar de tal momento, já que os vínculos estão se estreitando cada vez mais. 

Digo sempre aos meus netinhos: É muito bom cultivar boas amizades! Como é gostoso encontrar um amigo, quando a gente menos espera; um sorriso, uma palavra boa, um bate-papo rápido - e a gente ganha o dia! 

Agradeço a Deus por vocês, que estão sempre lá, assistindo aos jogos, ou treinos, incentivando nossas crianças que, de repente, se tornam de todos. Todas elas, estejam no nosso time ou no time adversário, merecem louvores por suas jogadas, que podem nem sempre ser as melhores, mas que exigiram esforço e boa vontade. 

Que  os nossos pequenos possam crescer com uma multidão de amigos, bons companheiros de jornada.  E que, acompanhando o crescimento físico, possam, o intelectual, o psicológico e moral,  fazer jus ao ambiente que  frequentam, convivendo na fraternidade, no respeito ao outro, como construtores da paz!

Nossos agradecimentos ao Clube por proporcionar tamanha alegria às nossas crianças, que fazem de cada partida de futebol, uma festa! E parabéns  a todos os participantes! Está quase no fim; teremos mais, no próximo ano, se Deus quiser!

(Sete Lagoas, 12/11/16)



quinta-feira, 3 de novembro de 2016

263 - "PUBLICAI TODAS AS SUAS MARAVILHAS!"





263 - "PUBLICAI TODAS AS SUAS MARAVILHAS!"


Hoje a Liturgia Diária trouxe o salmo cento e quatro e num de seus versículos, proclamamos o que foi dito no título acima. E aí a gente se pergunta: Como publicar todas as maravilhas de Deus? Como, se só se dá conta realmente do que se tem, na falta do mesmo?... São tantas as maravilhas, que é impossível listar todas!...

Há aqueles que são cegos. Você enxerga?... Há os surdos. Você ouve?... E você fala?... Há pessoas paralíticas, pessoas pequenas demais, ou grandes demais... Isto é notório e fácil de se comprovar.  Mas  dentro de você há vários órgãos, cada um com sua função específica: seus rins, estão trabalhando direitinho? Os pulmões -  funcionam normalmente?... Como está o funcionamento do seu coração?...  As glândulas todas, como estão?... E o pâncreas... o estômago... o baço... o fígado... a vesícula biliar... a bexiga... os órgãos genitais?... 

Está ficando cansativo?...  Sim, está! Mas eu estou só começando a minha reflexão!  Ainda não falei de seu intelecto, de sua integridade,  de sua capacidade de pensar, de sua locomoção... Apenas, iniciando a falar de sua saúde física!  Ainda não falei de educação, de moradia, de trabalho, de lazer... Ainda não falei de sua família, de seus relacionamentos, de tudo o que adquiriu até o presente momento...

E há os vícios, as drogas pesadas... Se você não é um viciado, um dependente químico... é outra maravilha de Deus. E se você tem uma religiosidade, se ama a Deus sobre todas as coisas, como quer o primeiro mandamento, é outra maravilha...

Dá pra publicar todas as maravilhas do Senhor?!... Não, não dá! Apenas O louvo pela saúde de que gozamos, pelo lar que nos abriga, pelos familiares, vizinhos, amigos, pessoas todas de nosso relacionamento, pelo trabalho de todos, pelo direito de ir e vir... E por Ele ter me concedido mais um dia para pensar em tudo isto e agradecer a cada momento todas estas coisas de que dispomos para as nossas delícias! E ainda, considerarmos e agradecermos o que nos sobra, para dividirmos com os demais.

E agradecer, sobretudo, a capacidade de lutarmos e compreendermos que a força e vontade que temos quando necessitamos, nas adversidades, também são maravilhas do Senhor! E a graça de sermos gratos a Ele por aceitarmos Seus projetos a nosso respeito.

Não sei se falei muito. Considero que seja apenas o início, para sua reflexão. Bom dia!

 (Sete Lagoas, 02/11/16)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

262 - POR QUE ESCREVO

262 - POR QUE ESCREVO

Motivos?.... São muitos! - Listei alguns:


POR QUE ESCREVO

Se os sonhos em minh’alma transbordam,
Se não consigo conter as emoções,
Se me é difícil dizer o que penso,
Então escrevo!

Em minhas palavras, preciso de muita gente,
Que possa dividir comigo sentimentos bons,
Multiplicando vivências,
Somando sorrisos,
Para diminuir a solidão,
Potencializando o Amor!

Porque gente é um presente,
Quando presente
Na vida da gente!

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(Celina – Sete Lagoas 29/10/16)


terça-feira, 1 de novembro de 2016

261 - EXERCÍCIO POÉTICO

261 - EXERCÍCIO POÉTICO

Foi-nos proposto recentemente, em uma reunião do Clube de Letras de Sete Lagoas, um exercício poético, intitulado "Por que escrevo". A princípio, como todos os membros que lá frequentam gostam mesmo de escrever, pensei que as respostas seriam tão óbvias que todos diriam a mesma coisa. Enganei-me! Uma diversidade imensa de gêneros textuais, com argumentos bem diferentes entre si. Cada um escreve por um motivo qualquer e há os que parecem fazê-lo sem motivo aparente, apenas pelo simples fato de querer fazê-lo. Interessante!

Sempre gostei de escrever. Desde que entendi o processo, comecei a brincar com as palavras. E só não tinha o hábito de ler muito, porque não se tinha muito o que se ler, no meio em que eu frequentava. Com meus filhos, foi bem diferente: já era professora quando me casei e as mesas viviam repletas do que se ler, muita literatura boa. Além do mais, sempre valorizando a leitura, eu comprava muitos livros para eles, além daqueles que as escolas pediam. Assim, eles cresceram lendo muito.

Na minha infância, esse tipo de material era bem restrito na casa de meus pais. Assim sendo, aquilo de que eu dispunha, lia e relia muitas vezes, mas essas leituras não me saciavam. Por isto, parti para a escrita. Escrevia recados, bilhetes, cartas, cartões, escrevia pequenos poemas, historinhas, e um dia, ganhando um caderno grosso, não me lembro de quem, comecei a escrever uma história - um romance! Intitulei-o "Vasos de samambaia!". Lembro-me bem do seu início, pois toda vez que ia escrever mais um trecho (capítulos?...) começava sempre a leitura, do começo, que era exatamente assim: “Dez horas da manhã. As badaladas acordaram-me, se é que ainda dormia, envolta na doce magia daqueles momentos. Dançara com ele a noite toda...” 

Ficava até tarde escrevendo e no dia seguinte, lá estava a minha irmã a lê-lo. Não sei se ela se lembra disto, pois foi há tantos anos... Caminhei com a história durante muito tempo. Não sei que fim levou esse caderno, não tenho a mínima ideia de onde ele foi parar. Nem sei dizer se terminei o conto e se os dois chegaram ao "felizes ´para sempre". Era um caderno espiral de duzentas folhas. Será que fui até o final do mesmo?... E onde será que ele foi parar?...

Meu pai assinava um jornal da Cidade de Ubá. Certo dia, encontrando lá uma notícia bem triste da morte inesperada do filho de um dos diretores do mesmo, todo mundo abalado com ao fato, sensibilizada, escrevi um soneto e mandei para o jornal. Foi publicado! Fiquei feliz demais e continuei escrevendo. E eles publicando. Nenhum desses trabalhos foi guardado. Que pena! Devia haver coisa boa para eu reler hoje. Mas, tudo bem! Leio outros trabalhos...

Até hoje continuo com a mesma mania. Já que sabemos, "cada mania com seu doido", deixe-me continuar com a minha. Gosto de escrever! E quando sei que há amigos que perdem seu precioso tempo, lendo o que escrevo, aí é que fico feliz de verdade! Obrigada! Tudo de bom pra você que acabou de ler isto! Deus o abençoe sempre. Que Ele continue iluminando seus caminhos!


(Sete Lagoas, 30/10/16)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

260 - QUERO MUITO!


260 - QUERO MUITO!


Quero muito que o mundo compreenda o valor da Família, o valor do relacionamento de  Pais e Filhos, o valor de um verdadeiro lar!

Quero muito que todos compreendam o valor da Educação, em todos os seus estágios, na sua real hierarquia, num crescente progresso do  corpo e do espírito, num equilíbrio salutar!

Quero que toda a sociedade compreenda que é possível  viver sem muitos atritos, cumprindo cada um, com responsabilidade, o seu papel,   em sua esfera de interesses e atuações!

Quero muito uma humanidade coesa, que comungue os mesmos ideais, homens e mulheres que respeitem os seus limites e o limite do outro, sem invasão de uma privacidade que é direito de todos! 

Quero muito que se instale em todas as comunidades, uma convivência fraterna, um amor verdadeiro de pessoas que  se conheçam, se compreendam e se ajudem mutuamente!

Ah! O amor verdadeiro! Ele não parte dos homens: o amor verdadeiro vem de Deus! Ele é fruto do nosso relacionamento com Ele, pois só quem O conhece verdadeiramente é capaz de se entregar por inteiro, só quem vive o amor eterno que vem do Pai, é capaz de um amor incondicional; é capaz de se doar, de fazer sacrifícios pelo bem estar do próximo.

Não é fácil, nem difícil; só é necessário que se empenhe, com determinação! E isto é um treino, um trabalho constante consigo mesmo, focado sempre num objetivo maior. É a disposição para o querer fazer, sem pressa, mas com vontade, o olhar no infinito que nos espera.

Quero uma humanidade submissa à sabedoria de Deus - e não dos homens! Porque só as Suas leis são eternas. Quando vamos entender que não "somos", mas que "estamos"?!

Quero que você pense nisto e que, pensando nisto, conheça a verdadeira felicidade. Quero que você seja sempre muito feliz! São os meus mais sinceros votos!!!


(Celina Carvalho de Queiroz Almeida - Sete Lagoas, 30/10/16)

259 - DOIS NOMES - MUITOS LOUVORES!

Pensei neste texto que agora registro, ao participar da celebração eucarística de hoje. E vim para casa montando mentalmente o mesmo, mas só agora me é possível colocá-lo no Blog: 

259 - DOIS NOMES, MUITOS LOUVORES!

João: Parece ter sido este o primeiro contato de Jesus com seres humanos, ainda na vida intrauterina. Quando Maria foi visitar Isabel, as duas crianças se encontraram, ambas no seio materno. E conta o relato bíblico que ele, o João, se estremeceu no ventre de sua mãe quando esta foi saudada por Maria. Trinta anos depois, ao se encontrarem às margens do Rio Jordão, ele batiza Jesus, que dá início à sua vida pública e sai pregando um Reino de Amor, de Perdão, de Paz.

Nesse ponto, Jesus, já adulto, encontra outro João e convida-o a estar com Ele em suas andanças pelas redondezas. Um João companheiro, amigo de todas as horas. Um João que o vê transfigurado no Monte Tabor, todo luminoso,  glorificado  –  e que o vê desfigurado, pregado numa cruz,  fazendo-lhe companhia ao lado de Sua Mãe. Um João que sai correndo depois, a toda pressa, sabendo-O ressuscitado; que passa na frente, mas, gentilmente, espera Pedro na entrada do túmulo, para que ele tome a dianteira e possa confirmar,  primeiro, a Verdade afirmada pelo Anjo: “Não está aqui; ressuscitou”. A esse João, Jesus entregou Sua Mãe, no momento de Sua morte; e ele a levou para sua casa.

E estamos agora na igreja de Santo Antônio, aquele, de Pádua, lembrando hoje, Santo Antônio de Santana Galvão, após comemorarmos  ontem, Santo Antônio Maria Claret.  

E eu fico pensando em quantos Antônios e Joões que se santificaram, ao seguir os passos do Grande Mestre! Quantas pessoas deram a vida pela causa do Evangelho, crendo na Trindade Santa, crendo nos ensinamentos da Igreja, na determinação de seguir os passos de Jesus, o Filho de Deus...

Por que será que tantas pessoas não acreditam no Filho de Deus, que veio ao mundo e se encarnou por obra do Espírito Santo, se foi tão importante sua vinda que dividiu a História da Humanidade em duas grandes partes – o “antes de Cristo” e o “depois de Cristo” -  na contagem dos nossos dias?

O que podem considerar essas pessoas como Verdade quando dizem que estamos no ano de dois mil e dezesseis? O que significa para elas esta afirmativa?!...


(Sete Lagoas, outubro/2016)

sábado, 15 de outubro de 2016

258 - NOVA CRÔNICA



NOVA CRÔNICA

Em alguns lugares, denominam a esses coletivos "o lotação"; em outros, dizem "a lotação". Vou deixar o título original neste texto dos tempos de Diamantina:

258 - NO LOTAÇÃO

    _Nossa! Que trânsito horrível! Que chatice!
   _A senhora está com muita pressa? (Ela olhava para o relógio a cada segundo!)
    _Se estou! Deixei as crianças sozinhas em casa e fico preocupada.
    _Não tem ninguém com elas?
    _Não! A minha babá é a Xuxa. Quando preciso sair, deixo os meninos vendo TV. E eles ficam lá vendo a Xuxa, enquanto eu faço minhas compras. A Xuxa é a única empregada que consegui. Como está difícil, não é?
     Daí a pouco, ela dá o sinal, o lotação para, e ela se vai.
   E eu fico a pensar:  Que pena! Uma televisão como babá! Mas, afinal, naquele momento, ela não tinha outra opção.
    Infelizmente, a televisão - por sinal, um excelente meio de comunicação - entrou em nossas casas, com sua programação constante, e tirou a liberdade de muitas pessoas. Então as nossas crianças... Viraram escravas da TV! Onde estão as brincadeiras, os folguedos infantis?!
     Porém, perguntarão: "Brincar, onde?'
   Pois é: esses apartamentos, essas aglomerações humanas nos grandes centros, acotovelando-se uns aos outros, brigando por um metro quadrado de chão...
     É o progresso!
   Contudo, sempre que possível, vamos tirar a televisão de nossas crianças. Elas precisam de movimentos, de exercícios físicos ao ar livre, para se desenvolverem na sua totalidade: "Mens sana in corpore sano!"

(Sete Lagoas, 15/10/2016)

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(“A lotação” ou “O lotação”?
As duas formas estão corretas. A palavra lotação, enquanto substantivo feminino, se refere principalmente à capacidade máxima de pessoas que um recinto pode comportar. Pode se referir também ao ato de lotar, ao cálculo da capacidade de carga de um meio de transporte, a um orçamento ou cálculo e à mistura de vinhos de qualidades diferentes. Enquanto substantivo masculino, lotação se refere a um meio de transporte coletivo, sinônimo de autolotação e micro-ônibus. Contudo, os dicionários não são unânimes neste ponto, defendendo que também se deve usar o feminino para designar o meio de transporte. Fonte: Internet)

sábado, 8 de outubro de 2016

257 - A CRÔNICA DO DIA

257 - A CRÔNICA DO DIA

Esta é  mais uma crônica, escrita quando morávamos em Diamantina; mas poderia ser de hoje - ou de amanhã, talvez! Infelizmente... Mas digo que me arrepio, ainda agora, ao relembrar a cena. Intitulei-a "Por quê?” Estamos sempre cheios de interrogações pelas cenas que presenciamos a cada dia, e a tristeza é grande, ao reconhecer nossa impotência  perante tal situação. Mas, vamos à crônica: 

POR QUÊ?...

Temos poucos minutos para irmos da Praça Sete à rodoviária. A gente voa quase, pois corremos o risco de perder o ônibus das quinze e trinta. Que sufoco! Gente trombando na gente; gente empurrando a gente; gente, gente, gente! E nós, trombando também, porque... o tempo está realmente curto! E atravessando ruas na frente de carros, pois não dá pra esperar o sinal.

De repente, eu paro. Paro e olho; e começo a pensar. Meu corpo todo se arrepia. Alguma coisa me sufoca... Suspiro!... Recupero. Dou a volta. E continuo a correr. 

Por quê, meu Deus? Por que tanta miséria? Por que esses farrapos humanos pelas ruas se nos deste uma terra fértil, uma terra tão rica, tão boa? Por quê?...

Meu filho havia dito, momentos antes "de tanto ver miséria pelo mundo, a gente acaba se acostumando." Mas, não! Aquilo era demais! Um senhor já de idade avançada, jogado ali, daquela forma, uma ferida enorme na perna! Um buraco de uma carne podre, purulenta, hedionda! Que coisa horrível, meu Deus!

E gente pra lá e pra cá, gente cheia de vida, carregada de embrulhos, de saúde, de dinheiro... de indiferença!

Por que ninguém faz algo por este ser miserável, que jaz vivo na calçada?... Por que eu não faço nada por este, que também é filho de Deus? Por quê?

Uma vontade de gritar, de chorar, de clamar em altos brados, gritar como Castro Alves: "Deus, ó Deus, onde estás que não respondes?!"

O que poderemos fazer por aqueles infelizes? Você, leitor, o que poderá fazer? E os governantes? Não têm condições de fazer alguma coisa?

Gente, vamos fazer, pelo menos, isto: uma corrente de oração, uma corrente bem forte, suplicando a Deus: piedade! piedade! piedade!

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Misericórdia, Senhor!!!
(Sete Lagoas, 08/10/16)
   

domingo, 2 de outubro de 2016

256 - A SOBERANIA DE DEUS!


256 - A SOBERANIA DE DEUS!

DEUS é o Criador de todas as coisas! É difícil, crer nisto?...  Pensar que tudo já foi criado por ELE e que daí pra frente, só transformações! Quando o homem pensa que está criando alguma coisa... não! Ele está apenas brincando com o que encontra pela frente. A matéria-prima que ele utiliza, já está aí, à sua disposição, no Universo criado por Deus!

Há muito, já foi dita esta grande verdade: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!” Grande Lavoisier! Entende por que precisamos reconhecer a soberania de Deus? Toda a Natureza é de Deus! Toda a Criação é de Deus! Somos de Deus e só estaremos aqui até que Ele o permita. Se você já é um “ancião de muitos dias” - como o denomina a Bíblia - parabéns: foi-lhe concedido um tempo grande aqui na terra! Se ainda não o é, reze e peça a Deus que lhe conceda um tempo maior de maturação, para que possa pensar melhor sua vida – e voltar para Ele, purificado de suas paixões. E peça principalmente inteligência para entender estas coisas, um espírito decidido, uma mente sábia para perscrutar as “coisas do alto”, como dizia Padre Leo...

É gratificante reconhecer nossa pequenez diante da Criação! Saber que podemos cooperar com Deus na perpetuação da espécie – e mais, que Ele quer contar conosco para que tal aconteça... é muito gratificante! Uma sementinha microscópica do papai e da mamãe, veja o que Deus faz com isto: um novo ser brota dentro da barriga da mamãe! Certamente, você compreende que não foi a mamãe quem fez os pezinhos, as mãozinhas, aquele rostinho - lindo! - os órgãos internos, tudo funcionando direitinho – aquele ser perfeito – claro! – você entende – não foi a mamãe quem fez nada disto: foi Deus! Só Ele é capaz de realizar uma obra assim, tão grandiosa!

Qualquer sementinha lançada ao solo, se o mesmo for favorável, de dentro dela sairá uma nova planta de sua espécie. Não é maravilhoso? Está na Bíblia! Tudo isto já foi dito!

Como duvidar da existência de Deus?!... E o mais grandioso: Ele quer contar conosco! Ele nada faz sozinho agora: somos instrumentos em suas mãos. Ele quer sempre contar conosco. Ações boas ou más... tudo depende de nós! Diz a Bíblia que, no início da Criação, Ele viu que “tudo era bom!”  Agora, se não está tão bom assim, a culpa não é de Deus, a culpa é nossa que não o fazemos bem. Pensemos nisto!

(Sete Lagoas, 02/10/2016)


domingo, 25 de setembro de 2016

255 - O TRABALHO

Mais uma crônica dos tempos de Diamantina:

 255 - O TRABALHO

Perguntaram-me por que a CRÔNICA DO DIA não tem saído.   É difícil, vocês sabem: a casa, a escola, a Faculdade... Com todos os espaços preenchidos, não tenho tido tempo para dar o meu recado. Os assuntos são muitos, mas o tempo é curto.

Alguém me disse que gostou especialmente daquela mensagem de que “televisão não é babá.” Realmente a nossa TV está cansando a mente e a vista de nossas crianças, ocupando em suas vidas um espaço que não estava  vazio. E não só as crianças: também os adolescentes e adultos perdem seu precioso tempo à frente de um aparelho de televisão! Pessoas sadias que poderiam estar trabalhando.

Já disse alguém: “Não coma quem não trabalha!” Realmente, deveria ser assim. Que bom se todos produzissem tudo aquilo de que são capazes! Temos as nossas crianças, os idosos, os doentes, de produção deficiente, dos quais não poderemos exigir muito. Mas uma pessoa normal, física e intelectualmente sadia, deveria dar o máximo de si para aumentar o nosso setor de produção. Por que trabalhar quatro horas por dia, se posso trabalhar oito? E se trabalho oito lá fora, por que não ocupar mais quatro em casa com uma atividade diferente? Quanto quintal vazio, quanta terra improdutiva, quanta coisa poderia ser feita. Quase não se vê mais uma horta bem cuidada, um terreno bem explorado...

O trabalho enobrece o homem e fortalece o físico e o espírito, fá-lo sentir-se mais útil, mais necessário; mais gente, mais feliz!

Gosto de ver pessoas que têm o tempo todo preenchido. Fico feliz por isto. Faz-me sentir que ainda existem pessoas que sabem aproveitar o tempo; um tempo que se vai... e que jamais voltará. Cada minuto vivido é um espaço que não se repetirá. Por isto, vamos aproveitá-lo.

Trabalhar, preencher o tempo com atividades sadias, é para mim,  tão necessário que, se me é dado ficar de folga, parece-me estar “sobrando”, faz-me sentir inútil.

Exatamente, no dia primeiro último, alguém me disse, gracejando: “Se eu encontrasse quem inventou o trabalho, juro que o mataria!” Ao que eu respondi: “Deveríamos dar-lhe flores!”
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(Continuo pensando desta forma!

(Sete Lagoas, 01/10/16)

254 - REVIVENDO BONS MOMENTOS...

Como disse anteriormente, estamos revendo algumas crônicas que foram publicadas em jornais de Diamantina, quando morávamos naquela mágica cidade - entre os anos oitenta e sete e noventa e dois:

254 - A FAMÍLIA

É quase meia noite. Sozinha aqui, sentada, aguardo o ônibus de uma hora para Belo Horizonte. O silêncio é completo. Apenas, de vez em quando, a musicazinha indesejável de um ou outro pernilongo, intrusos que teimam em dar continuidade à sua seresta.

Um carro sobe a Rua São Francisco com grande barulho. E... outra vez o silêncio! Todos dormem. Então, eu penso: realmente, o homem é um animal social; nasceu para viver em comunidade. Realmente, não dá pra viver sozinho! Como agora, na calada da noite, que silêncio pesado, que sensação de abandono, que medo!...

É certo: nascemos para vivermos em comunidade. E a comunidade mais importante é indiscutivelmente, a família; é a primeira; a última; é aquela que nos acompanha a vida toda. Infeliz daquele que, por motivos diversos, precisa viver longe de sua família. Coitado! Conviver com outros grupos sociais, fazer amigos, isto é ótimo! Mas nada como o aconchego gostoso de um lar bem constituído.

Amigos -  homens e mulheres - papais e mamães - vamos pensar bem nossas atitudes. Como se não bastassem as célebres palavras: "Amai-vos uns aos outros" - há ainda as que ouvimos aos pés do altar, em um dia muito importante de nossa vida. Portanto, vamos fazer de nosso lar um abrigo sagrado, um local de alegrias e prazeres para aqueles que vivem ao nosso lado. 

Principalmente - reflitamos - vamos criar os nossos filhos num ambiente sadio e gostoso de se viver; vamos usar como escudo, uma só palavra: Amor. 

Já está quase na hora. Vou chamar meu esposo para ir comigo à rodoviária. Lá fora tenho medo, muito medo!...

E eu fico pensando naqueles que não têm um lar!.... 

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(Lembro-me bem desse dia: precisava ir sozinha visitar meus pais, deixando para trás, esposo e filhos.  Morávamos bem perto da rodoviária e, como não podia dormir, enquanto esperava o tempo passar, registrava o acontecimento. Sempre gostei de fazer isto.  Coisas da vida...)

Sete Lagoas, 25/09/16
  

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

253 - MAIS UMA CRÔNICA DOS VELHOS TEMPOS...

253 - APENAS UMA...  SUGESTÃO!

       - Meu filho não sabe redigir.
       - Ele lê?
       - Lê o quê?
       ... Que pena! "Lê o quê?" - foi o que a mãe perguntou.
       Olho para ela um tanto quanto abatida, constrangida com tal situação.
    "Lê o quê?" Há tanta coisa boa que pode ser lida, tanto livro bom que deve ser colocado na mão das crianças para que elas leiam, para que ampliem seus conhecimentos. Leituras recreativas para as  suas horas de lazer...
       E aqui em Diamantina, temos tantas bibliotecas, com livros ótimos que podem ser lidos pelas nossas crianças...
      Se o seu filho não tem o hábito de ler, faça para ele uma ficha numa das nossas bibliotecas (a Municipal, por exemplo) e ele poderá entrar para o mundo maravilhoso da leitura. As moças lá estão sempre com um sorriso, muito gentis, para atender a todos, com muita presteza. 
        É adágio bem conhecido: "Quem não lê, mal fala, mal ouve, mal vê”.
        Vamos fazer com que nossos filhos adquiram o hábito da leitura e sua compreensão crescerá à medida que se aprofundam no mundo das boas obras; ser-lhes-á então muito mais fácil, falar, ouvir, escrever...
        Vá lá. Faça a ficha e a cada dia, seu filho poderá ter um livro novo nas mãos o qual lhe proporcionará momentos de prazer, enquanto lhe desenvolve o automatismo da leitura, a compreensão e o senso crítico. Tudo isto sem lhe custar um centavo.
         Não é uma boa ideia?! Vale a pena!


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(Sempre me preocupei muito com isto. Quando meus filhos nasceram, já era professora há algum tempo, a mesa vivia cheia de papéis,  revistas, livros, apostilas, desenhos; assinava pra eles o “Nosso Amiguinho” e outras revistas infantis; adquiria coleções diversas como a gente vê tantas por aí. Livros de literatura infantil podem ser bem baratinhos e, ao invés de dar outro tipo de presentes para as crianças, ofereçamos historinhas que vão  diverti-las, ao mesmo tempo que instruem e ajudam a resolver seus conflitos. Mas se o dinheiro está curto, podemos ler muito, também aqui em Sete Lagoas, frequentando a Biblioteca Pública. Sei de crianças que têm ficha lá e estão sempre trocando livros. E isto é muito bom!)

Sete Lagoas, 24 de setembro de 2016)  

252 - MAL INEVITÁVEL

252 - MAL INEVITÁVEL 
                                                                           (Continuando com as crônicas publicadas no Jornal "Voz de Diamantina")

"A velhice dói. E como dói! Não, não é psicológico não! É dor física mesmo! Dói na pele, sabe? Sabe o que é sentir na pele? É o peso dos anos. A dor da velhice.

É a dor da velhice estampada na face, exposta a todos, em sulcos profundos, que vão se formando, visíveis, indesejáveis, inevitáveis!

É a dor dos anos, do tempo que se vai, das insônias, das tristezas, das desilusões, dos desenganos, das decepções, dos muitos invernos, dos tantos verões, numa alternância de temperaturas, que enregelam, que sufocam, que massacram a pele... É o outono da vida, porque a primavera (flores, colorido, euforia...) esta já se foi, já ficou para trás!

É a velhice física, um mal inevitável! E a criatura humana vai se desfazendo, vai ficando fisicamente feia, enrugada, mostrando a todos que já viveu algum tempo, que alguns anos já se foram...

Porém, muito pior que a física, é a velhice mental. Esta, sim, é triste de se ver! A velhice física, cronológica, não é degradante como a velhice mental precoce.  Esta é que realmente conta: encontramos velhos aos quinze anos, como podemos encontrar jovens aos oitenta, exibindo uma juventude exuberante, lúcida, eufórica, consciente, que não se deixou abater, apesar das intempéries, apesar do bom ou mau tempo.

A velhice física é inevitável; ninguém foge a ela. E nem se deve procurar escondê-la: ela indica simplesmente que tal ser humano é um vitorioso, que traz em si uma série de vitórias, que outros não conseguiram conquistar. Os fracos tombam nos campos de batalha. Só os fortes conseguem ir além; só aos fortes, é dado o privilégio de continuar a lutar, de erguer a cabeça e seguir adiante... e caminhar mais... muito mais...

Porém, a velhice mental não é inevitável. Podemos fugir a ela que não é consequência de bom ou mau tempo. Muito pelo contrário: quanto mais experiência de vida se tem, maior, e mais rica, e mais forte, e mais abrangente, e mais madura se torna a nossa capacidade mental.

Ouvir muito, e ler muito, e viver intensamente, estudando cada fato, procurando compreender as pessoas que nos cercam, procurando sempre acrescentar algo às nossas experiências.

E sorrir!... Ah, como é bom sorrir!... Como nos faz bem, dar e receber sorrisos, um sorriso franco, aberto, jovial, sincero! Sorrir com todos os músculos da face

No dizer de Bilac: Envelhecer rindo - como as árvores fortes envelhecem!"

(Sete Lagoas, 20/09/16)

domingo, 4 de setembro de 2016

251 - NOVA SANTA



251 - NOVA SANTA

Hoje, dia quatro de setembro de dois mil e dezesseis, desde as cinco da manhã aqui estamos, acompanhando esta beleza de transmissão desta nossa querida Canção Nova: a Canonização de Madre Teresa de Calcutá! 

Que santidade, meu Deus! Os números, imensos, a gente vai encontrar em fontes seguras na internet, por diversos sites. O que ela fez, também está escrito por aí... Mas ver isto, ao vivo, direto do Vaticano, é maravilhoso! O Papa Francisco, na sua conhecida simplicidade, se dedicando a esse ato divino de santificação da Mãe dos Pobres, aquela que doou toda sua vida sem se poupar, fazendo de todos os momentos,  um ato de amor a Deus e aos irmãos. 

Uma multidão na Praça São Pedro; lá,  agora,  quase meio dia, sol a pino, final de um ato tão solene: a Missa de Canonização desta que o mundo inteiro já conhece pelas suas falas de amor, sempre com muita sabedoria, falas que se originaram daquela que ela ouviu a exatos setenta anos: "Tenho sede!”

Ela que é para todos nós, um ícone de caridade, um exemplo fiel de dedicação aos mais necessitados, ela que carregou ao colo, tantas crianças, dando-lhes acima de tudo, mais que o alimento material, o calor humano, o aconchego, o carinho, um afeto de mãe, uma palavra amiga, o sorriso dócil de quem acolhe com alegria!

Seremos nós, capazes de imitar a Santa nas nossas ações, assistindo ao próximo, como os muitos bons samaritanos anônimos, que pelo mundo afora se fazem presentes, atendendo aos apelos de Jesus crucificado?…

“Tenho sede!” – disse Jesus!  Quantos clamam silenciosos, numa angústia sem fim: Tenho sede:  Sede de amor, sede do calor humano, sede do carinho de familiares, sede do aconchego de um lar...

Que ela, a Nova Santa, lá do céu continue olhando pelo Brasil, como olhou pelos brasileiros,  Fernanda e Marcílio, em sua aflição. Agradeçamos a Deus por isto e pelas Missionárias da Caridade espalhadas pelo mundo inteiro, congregação criada pela Madre Teresa de Calcutá. Obrigada, meu Deus, por tantas bênçãos!!!

Aproveitemos este momento de santificação e digamos: “Santa Teresa de Calcutá, lá do Céu, olhai pela nossa nação, rogai a Deus pelos desempregados de nosso país que pedem socorro, olhai por nossas famílias que vivem períodos de penúria e extrema pobreza.”

Que Deus abençoe o trabalho dessas Missionárias incansáveis que, em cento e trinta e três países, espalhados por todo o mundo, continuam fazendo o que a fundadora idealizou e fez tão bem aqui na terra!
(Sete Lagoas, 04/09/16)

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

250 - ALGUNS DIAS SEM VOZ

Ainda relembrando as crônicas publicadas no Jornal “VOZ DE DIAMANTINA”. Outros tempos...


250 - ALGUNS DIAS SEM VOZ

"Quando o médico me disse que deveria ficar alguns dias sem falar, fiquei um tanto quanto receosa, mas não imaginei que fosse tão difícil assim.

E como é! Como é terrível precisar dizer algo ali, na hora, naquele momento, e não poder abrir a boca. E, se fazemos gestos, quantas vezes somos mal interpretados!

Dizem que  'em boca fechada não entra mosquito', mas não abri-la para emitir um único som, não é fácil!

E o pior é que as pessoas que não nos conhecem, quando veem que não falamos, julgam-nos surdos também, ou parcialmente. E começam a falar mais alto com a gente. E começam a se condoer da nossa situação...

Lá no Rosa Pinto, fui comprar um frango. E a moça me atendeu prontamente e foi muito gentil comigo. Mas,  uma outra freguesa que lá estava, comentou quando fui saindo: 'Ela não fala não? Coitada!' Tive vontade de agradecer-lhe a preocupação para comigo, mas eu... não podia!

Interessante foi lá no ABC: Perguntei a um  menino que lá estava trabalhando, o preço de três canetas (por escrito, é lógico!). E ele, coitado, com toda delicadeza daqueles que atendem bem aos que estão do outro lado do balcão, tomou a caneta da minha mão e escreveu o preço ali no meu papel. Acho que pensou que eu era surda também. (Obrigada, meu filho, você é muito gentil!)

Mas o pior foi no ‘Sacola Cheia’  quando uma pessoa me cumprimentou bastante eufórica, me chamando pelo nome e recebeu de mim apenas um aceno de mão... Que podia fazer, não é?

E assim, claro, com algumas dificuldades, venci esses dias. Espero não passar novamente por uma situação desta, pois não é fácil. E mais difícil ainda é dentro de casa onde pedidos, ordens, repreensões e até castigos, são dados por escrito. Arre! Que dificuldade!!!"
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(Foi um período realmente difícil esse em que os médicos detectaram dois nódulos nas minhas cordas vocais e me puseram de repouso. E  o pior é que havíamos acabado de mudar para Diamantina, onde poucas pessoas me conheciam e ficaram sem saber que "muda" era aquela... Fiz o repouso, como aconselhado e voltei ao médico: graças a Deus, os dois haviam sumido! E assim terminou aquela agonia...)

(Sete Lagoas, 01/09/16)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

249 - PARE, POR FAVOR!

Esta é mais uma crônica publicada no jornal "Voz de Diamantina", há algum tempo:


249 - PARE, POR FAVOR!


“A viagem transcorria tranquilamente. Viajava de maneira confortável, pois a poltrona do meu lado estava vazia. Porém, daí a pouco, o ônibus pára e entra alguém que, pedindo licença, se assenta a meu lado. Acomoda-se, fecha um pouco a janela, tira do bolso um cigarro, acende-o, e logo, a fumaça da primeira baforada vem passar bem rente ao meu nariz. E aquele ar que respiro leva pela primeira vez, naquela viagem, um estranho e indesejável visitante para o interior do meu organismo.

Não sei se uma parte foi para os pulmões. Mas é certo que uma boa parcela, vai parar no meu estômago, que reage logo! Sinto arrepios, e olho contrariada, mas de soslaio, para o novo passageiro: roupas bem gastas e sujas, sapatos que jamais viram graxa, cobertos por uma poeira pálida e triste.

Fico pensativa; penso em entabular uma conversação, fazê-lo ver os efeitos destruidores do fumo em seu organismo, os efeitos negativos sobre sua saúde. Mas me contenho a tempo. Penso melhor. E rezo. Rezo e peço a Deus que tire daquela pobre criatura, esse vício horrível, que queima o seu dinheirinho, certamente, com tanta dificuldade, adquirido, e leva com ele, a sua saúde, que mais cedo ou mais tarde, se manifestará abalada, pelos efeitos da droga.

Não olho diretamente para o rapaz, para que ele não pense que a fumaça me incomoda. Afinal, são apenas alguns quilômetros. Nem sequer vejo seu rosto. Mas peço a Deus que o faça desistir de seu vício; e verá que o dinheiro que, distraidamente, se transforma em baforadas pelo ar, poderá ser-lhe muito útil para uma alimentação mais sadia, e outros desejos que talvez não esteja conseguindo realizar. 

E aqui, cabe-nos uma reflexão: Para que o cigarro?... Por que fábricas de cigarros?... (Ou serão ‘fábricas de doenças do aparelho respiratório?’...) Pensemos!”


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Hoje, ao reler esta crônica, fico pensando: Ainda bem que a viagem já estava chegando ao fim, porque, se já não passava bem em viagens de ônibus, imagine alguém fumando do meu lado?... E ainda fecha a janela!...

Lembro-me bem desse episódio, bem antigo. Quase falo com ele, mas talvez ele considerasse  isto como uma reclamação de minha parte. Muitas vezes, é necessário fazer silêncio e aguentar firme. E foi o que eu fiz naquele momento. Graças a Deus!!!


(Sete Lagoas, 30/08/16)

domingo, 28 de agosto de 2016

248 - DONS GRATUITOS DE DEUS

248 – DONS DE DEUS,
TOTALMENTE GRATUITOS!

Como prometido na crônica anterior, aqui vai um dos trabalhos publicados num Jornal de Diamantina:

Dons de Deus

_ Oi! Psiu! Você que está aí sentada, pode me dar um pouquinho de sua atenção? Ou está prestes a sair?
 _ Não, que isto? Não tenho nem um pouco de pressa. Por incrível que pareça, hoje estou é muito folgada, porque perdi o ônibus das onze e agora, só às treze e meia. Como vê, tenho um longo tempo! Poderia até tirar uma soneca, se fossem dotadas de redes, as nossas rodoviárias. 
_ Oh, você fala! Que beleza!
_ Ué, é claro que eu falo! Por que não falaria? Que foi? Que houve? Que quer dizer com isto?
_ Muito bem! É isso aí! Você fala! E você já pensou algum dia como isto acontece? Já pensou em que transformações sofre o seu organismo quando você fala? Já pensou no que é que faz o ar vir dos pulmões e chegar cá fora, transformado em palavras?
_ Ora, por que haveria eu de pensar nisto?
_ Pois é! É uma coisa tão simples - mas a gente não pensa nas coisas simples. Interessante: o ar sai dos pulmões, sobe pela traqueia e, quando chega à laringe, faz vibrarem as cordas vocais e chega à boca transformado em um punhado de asneiras, ou advertências, pedidos, ordens, explicações, promessas...
_ Engraçado... Nunca pensei mesmo! Como é bonita a natureza. E como são divinos os fenômenos que nos acontecem... Procuramos revistas, jornais, ávidos de notícias,  procuramos saber o que acontece no mundo inteiro - e não nos preocupamos com o que acontece dentro de nós. Muitas vezes, desconhecemos totalmente.
_ Pois é! E é por isto mesmo que não lhe damos o devido valor. Você já pensou alguma vez em agradecer a Deus pela voz que sai de sua boca?
_ Olhe, vou procurar  pensar nisto. Realmente, é um grande dom de Deus. Eu tenho voz! Eu posso falar! Que bom! Em minhas orações, vou agradecer a Deus por mais este dom. São tantos que eu nunca havia me lembrado deste.
_ Pois é! E lá vou eu. Até logo!
_Tchau, minha amiga. E muito obrigada!

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(Esta foi, da seção "A Crônica do Dia”, a primeira colada neste caderno velho aqui. Está me fazendo pensar... Pense nisto, você também!)
Sete Lagoas, 28/08/16


247 - CHEIRO DE DEUS!

Fazendo limpeza nos armários hoje: meu Deus, como tenho dificuldade de jogar fora a papelada que carrego comigo. Agora, em mãos, um Caderno antigo de Planos de Aula! Acho tudo lindo, começo a ler, vou me lembrando dos alunos... E guardo de novo! Normalmente, é assim! Ou então, quando preciso mesmo me decidir a descartar alguma coisa, começo a destacar folhas com bons textos... pra que, meu Deus?!

Hoje, fui folheando... folheando... e me lembrando dos meus alunos em Diamantina. E aí, como dificilmente um Caderno é preenchido até o fim, lá nas páginas finais em branco - tão amareladas hoje! – o que encontro? Várias crônicas que eu escrevia e mandava para um jornal local! Amareladas, também elas,  pelo tempo e papel utilizado, umas vinte eu colei aqui, neste final de caderno, veja só! Nem me lembrava disto!

Antes, a seção se chamava “Olho Vivo” e descrevia cenas da Cidade. Depois, não  me lembro por que, passou a se chamar “A Crônica do Dia”  e mudava um pouco o foco. Parece-me que comecei apontando coisas que eu detectava pelas ruas da cidade, como a coleta do lixo e outras coisas mais. Depois, com o novo título, eu abria novas possibilidades de abordar fatos do cotidiano.

Assim é que continuei escrevendo e enviando para o Jornal. Quando mudamos para Curvelo, deixei de fazê-lo; creio ter pensado não haver mais sentido, já que agora estava em outro local, vivenciando novas realidades. Ou então, esperava ainda, conhecer alguma oportunidade de fazer o mesmo naquela cidade. É... talvez seja esta última a mais correta opção. Mas como viemos logo para Sete Lagoas, creio não ter dado tempo para que mais um sonho se concretizasse.

De toda forma, dos trabalhos que não se perderam,  devo registrar aqui alguns, a começar pela próxima crônica, a de número duzentos e quarenta e oito, que será a transposição de um desses trabalhos. Você pode estar se perguntando: “Uai, crônica antiga?” e eu lhe respondo que pelo assunto, ela será sempre nova, porque traz consigo o mesmo perfume: este cheiro de Deus que sempre senti, sinto e sentirei, durante toda a minha vida.

E é esse mesmo cheiro que tento passar pra quem me lê, porque creio que precisamos continuar com o foco que nos foi passado por muitos que aqui viveram, considerando o lema de vida, pleno de alegria eterna: “Olhai as coisas do alto!”


(Sete Lagoas, 28/08/16 – um domingo lindo!)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

246 - SANGUE


246 - SANGUE

O líquido mais precioso para o corpo humano é o seu próprio sangue. Se este parar de circular, a cada milésimo de segundo, o corpo morre um pouco.  É preciso manter-se em movimento, alimentando todas as células, levando-lhes tudo aquilo de que elas necessitam para viver.  

Supremo ato de caridade é doar o seu  próprio sangue. Jesus, o Filho de Deus, doou todo o seu sangue por nós. O derramamento teve início no Jardim das Oliveiras, quando suou sangue, no início de sua entrega. Assim que isto se deu, preso e flagelado, continua Jesus a derramar seu sangue pela humanidade. Os açoites que lhe dilaceravam  a carne, faziam-lhe  derramar o sangue inocente.

Humilhado, desprezado, maltratado, o Rei de Todos os Reinos, foi coroado, mas com uma coroa de agudos espinhos, que fizeram brotar mais uma vez,  o  sangue inocente, sangue que lhe escorria pela face já enfraquecida e desfigurada, face que seria contemplada depois, por sua Mãe lacrimosa, a caminho do Calvário. Carregando a pesada cruz, tinha os ombros machucados, os joelhos feridos pelas quedas; e o sangue se derramava copioso, pelas suas chagas.  Pesava sobre ele os pecados de uma humanidade corrompida pelo orgulho, pelo ódio, pelo eterno desejo de vingança. 

Cansado, alquebrado, enfraquecido, ele estende os braços para ser pregado na cruz. Pés e mãos chagados, duramente perfurados, continuam o derramamento que acontecerá até a última gota, naquele coração ferido pela espada do centurião. Dali jorraram sangue e água, numa misericórdia infinita, extremo ato de amor pela humanidade.

Ó Jesus, quanta ingratidão daqueles que não reconhecem o Teu sacrifício. Quanta falta de fé, quanta falta de amor!  

Perdão, Jesus! Perdão porque pecamos, perdão porque Te crucificamos, perdão porque nos afastamos dos caminhos do bem.

E abençoa-nos,  Senhor Jesus! Que possamos valorizar cada gota de Teu precioso sangue, derramado por causa de nossos numerosos pecados. Que possamos seguir Teus ensinamentos, na caridade, no amor aos irmãos, principalmente os mais necessitados. Ajuda-nos, Senhor! Nós cremos, mas aumenta a nossa fé! Ajuda-nos a compreender a Tua missão aqui na terra. Os profetas sofreram muito, mas tinham sempre em mente, suas próprias faltas. Sofremos também pelas nossas, no exame de consciência de cada dia.  Mas Tu, Jesus, não cometeste falta alguma! 

Acho que é esta a análise do nosso pequeno Arthur. Quando a catequista pergunta o que esperam aprender na catequese e os colegas respondem querer saber sobre Jesus, sobre Maria, o Arthur a surpreende: "Quero saber por que Jesus morreu na cruz!"

(Sete Lagoas, 20/08/16)